Garota Encalhada Procura




Autora:
Dehlefebvre | Betas: Deh


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♦ P R Ó L O G O


Garota encalhada procura:
Um cara simpático, bacana, inteligente, que tenha bom humor. Ah, claro, que seja bonito.
Que não seja mais baixo mas também que não tenha três metros de perna, tenha um sorriso bonito e que goste de mim do jeito que eu sou.
Acho que vou continuar encalhada...



C A P I T U L O • 1


Lei do Universo: Se algo tiver que dar errado, dará.
Com certeza dará. Eu sou a prova viva disso.
Abri minha garrafinha de mate gelado e tomei um gole. Bebida dos deuses! Depois, abri meu pacotinho de bolinhas de chocolate que comprei em uma loja de chocolates e pus quase metade na boca. Não que eu estivesse triste, entende, mas é que eu amo chocolate.
Ok, mentira.
Ir para o cinema sozinha implicava em me lotar de doces e mate gelado. Era meu mantra. Mantra? Besteira.
Nossa, como sou mal educada, nem me apresentei. Mas como me apresentar? Ok, vamos começar pelo início, um breve resumo sobre minha pessoa.

Meu nome é , tenho vinte anos, terminei a faculdade e não faço nada da vida a não ser trocar monóxido de carbono e oxigênio. Moro aqui há mais ou menos sete anos e só tive um namorado sério, se é que pode-se chamar aquele traste vagabundo de namorado. Não faço disso uma prioridade na minha vida, sabe, pra mim tanto faz que eu tenha ou não namorado. O brabo é quando vai chegando meu aniversário, porque é justamente em Junho. Para completar, meu aniversário é justamente dia treze, um dia depois do Dia dos Namorados do Brasil. Isso que eu chamo de sorte!
Como eu não faço nada da vida, vivo no computador, o que me rende reclamações todo santo dia vindo dos meus pais. "Com quem você conversa?", "O que você tanto faz aí?", "O que tanto digita?". Acho que nesse ponto posso dizer que olá, eu escrevo fanfics e adoro ler as dos outros. Meu super fandom é o Super Junior, mas nada impede que eu goste de outros grupos, como Dong Bang Shin Ki, MBLAQ, U-Kiss e, o maior de todos depois do Super Junior, 2PM. Gosto muito de todos e me dói o coração não ver o babaca do Jay com os meninos, mas, como dizia meu professor da faculdade, "Move-on!", "Quem vive de passado é museu" e o clássico "Se você ficar batendo na mesma tecla, vou te reprovar!". Saudades do Nylvando e de suas histórias de aventuras.
Minha família não é muito grande. Meus pais, meus dois irmãos mais velhos, meu sobrinho. Que raramente vejo, porque eles moram super longe e, mesmo assim, não consigo encontrá-los em casa. Pode-se dizer que eu sou anti-social, não vou negar, porque pra mim eles são só pessoas da família e não meus irmãos. De fato, existe outra pessoa que poderia chamar de "irmão" com toda a folga do mundo porque ele se enquadra muito melhor no papel: . Sei que não tem nada a ver, quero dizer. Hello, ele mora na Coréia do Sul, eu moro no Brasil, ele nem sabe que eu existo! Pode até ter twitter, mas mais de vinte mil pessoas seguem o cara, por que ele iria responder a mim, que não sou nada pra ele e nunca vou ser? Olha pra minha cara, por acaso sou coreana? Mal passo do "saranghae" e mesmo assim aprendi com o Soshi a ser uma garota coreana baba-ovo, com seus "oppa, saranghae", e todas essas coisas meladas do lado fangirl-coreana da coisa! Por sorte existe o After School e, mesmo que eu não seja muito fã delas, gosto porque elas são da turma das girlbands maduras do K-Pop.
De qualquer forma, acho que deveria voltar para o rock. Quando tudo dá errado, é só descontar nas letras, diria um colega meu. Não, muito obrigada, preferia descontar na bateria. Aprendi a tocar sozinha, enquanto via um dvd de rock britânico dos anos 60. Mesmo que o cara já esteja no inferno ou no céu, que seja, posso dizer que Keith Moon, do The Who, é um exemplo de baterista. Afinal, não é todo mundo que, aos 19, 20 anos, em plena Inglaterra dos anos 60, sabia tocar com bumbo duplo. E posso dizer que ele é um mestre, foi e sempre será o meu mestre na bateria.
Tive um protótipo de banda quando tinha 11 anos quando fui fazer não sei o que na Igreja. Minha mãe disse que senão fizesse não lembro o que, não poderia casar, que não sei o que, não sei o que lá. Então lá fui eu. Foi bastante interessante esse final de semana espiritual porque foi a primeira vez que usei a bunda de alguém como tom. E foi divertido. Mas não foi nada divertido ter minha primeira mestruação no dia da Primeira Comunhão. Pior ainda foi usar um sapato alto quatro números maior que o meu e o maldito rolar altar abaixo. Naquele dia, aprendi que, por pior que as coisas estejam, devemos sempre sorrir.
Não sou exatamente uma pessoa romântica. Claro, sonho em encontrar alguém que me complete, minha cara-metade, meu outro pedaço da laranja, a cobertura do meu bolo, as minhas baquetas. Só que já me decepcionei tanto que acho que desisti. Essa coisa de amor não funciona mais comigo, mas não adianta, não consigo sair pra noite e beijar vinte, como uma colega do meu primo. O máximo que consegui foram três na mesma noite e, mesmo assim, porque o nível de alcoól no meu sangue estava absurdo.
Friso que não bebo feito uma louca. Socialmente e olhe lá. Nunca usei drogas e sinto um pouco de pena de quem usa. Conheci, ou melhor, conheço pessoas que usam, mas graças a Deus que elas nunca me ofereceram.
Não tenho amigos. Quero dizer, até tenho, tive, bom, é uma longa história. Todos os meus grandes amigos ficaram na sétima série, porque no outro ano me mudei e a gente perdeu o contato. Ainda conversamos, mas sinto saudades de vê-los sempre, porque moramos em bairros muito distantes uns dos outros, mas tenho o povo no Orkut e no Facebook. Por causa disso e da tremenda depressão que me atingiu logo que me mudei, começei a ter amizades via internet. Por mais que meus pais me encham o saco com "Você não sabe quem está do outro lado!", "Não passe informações!", etc, sei muito bem administrar essas amizades e sei quem presta e quem não presta, por mais leve que seja. Tenho três amizades que confiaria a minha vida, mas elas moram longe, muito mais longe que a minha "patota", então dá no mesmo.
Sou viciada em chocolate, gosto de futebol, de escrever e ler fanfic, ver "House", e o meu grande sonho é ser escritora. Acho que você já deve estar de saco cheio da minha biografia, então vou parar por aqui.

Voltando ao meu drama no cinema. Como não faço nada da vida, minha mãe me mandou ir no shopping pagar umas coisas. Aproveitou e disse que eu deveria ir ao cinema, sabe como é, sair de casa, "ver as modas". Justo hoje, que foi o comeback do Super Junior, Bonamana pra você. Foi tão loucura esses últimos dias, Bonamana e Super Junior dominando os Trending Topics e...
Ok, me desculpe. Aproveito pra dizer que eu saio do assunto muito rápido, então vou sempre me desculpar e...
Desculpe.
Eu queria ver o filme da Jennifer Aniston, mas não estava em cartaz, então fui no primeiro que apareceu na tela: "Homem de Ferro 2". Não vi nem o primeiro, por que eu iria ver o segundo? Coisa mais estranha! Mas então fui assistir. E foi aqui que você entrou.
Enquanto ouvia a bendita Bonamana com meus fones, um casal e três pirralhinhos entraram na sala. Se tem uma coisa que eu odeio é fazer as coisas sozinha. Ir no cinema, na pracinha, até almoçar, odeio. É como comemorar aniversário. Tenho a obrigação de transmitir felicidade quando na realidade quero que todo mundo se exploda e me deixe só.
Voltando ao drama, parte dois. Só tinha eu naquele cinema vazio que estava desacompanhada. Até o pirralhinho arranjou alguém. Por isso, nessas horas, queria ter um namorado. Só para ir no cinema e me abraçar quando eu sentisse frio, já que sempre esqueço o maldito casaco. Logo, passei frio o filme todo.
O casalzinho da minha frente não parava de se "pegar", e isso me deprimia. Como ainda estamos em Maio, acho que é por causa do aniversário. Vai chegando Junho, dia dos Namorados... uma tia MALA que me liga lá de onde Judas bateu as botas só pra me perguntar se eu arranjei namorado. Odeio minha vidinha de encalhada.
Minha amiga já casou e planeja filhos e eu nem tchum. Já aceitei meu destino, acho que vou entrar para o Convento das Irmãs Carmelitas.

#//#

Cheguei em casa e vi meus pais sentados no sofá, vendo televisão. Sou uma filha tão boazinha que trago chocolates quando venho da rua. Na realidade, são os que eu não detonei por causa da minha depressão pré-aniversário.
Como sempre, troquei de roupa e vim para o computador. Escrever fanfic. Talvez sobre a minha vida, uma garota encalhada, que encontra o grande amor da vida dela numa sala de bate papo. Só assim pra me tirar do tédio. Na realidade, odiava bate-papos, mas confesso que fui da época do bate papo do Uol. Melhor parar por aqui, não quero que saiba meus podres.
Estava conversando em um chat do msn quando meus pais me chamaram. Eu sinto medo quando eles me chamam pra conversar assim, do nada. Da última vez, eu que saí magoada, porque, devo falar, sou péssima demonstrando o que eu sinto.
Anyway. Disse para o pessoal que já voltava e me preparei para o pior.
- Seu aniversário está chegando.
- Sim, eu sei. - suspirei. Não precisava lembrar...
- Já pensou o que quer de aniversário?
- Não tenho a mínima idéia.
Minha mãe veio do quarto com uma cara de morte que me doeu até na encarnação passada. Abracei a almofada, esperando pelo pior.
- Nós já compramos o seu presente. - anunciou meu pai, solenemente. Pais, por que sempre usam esse ar solene? É como mandar um email tipo "Falaê, paizão, tudo tranks? Tem como tu imprimir uma parada pra mim, tipo, é pra amanhã e a impressora tá de brimks aqui!" e ele responder como "Cara , claro que posso imprimir. Entretanto, vou dar uma última conferida para ver se tudo está bem, ok?". - Você já é maior de idade, então achamos que poderia viajar sozinha.
Conversinha mais clichê, não? Se tivermos oportunidade, conto o motivo desse nhenhenhé.
Minha mãe tamborilou os dedos no envelope até que meu pai o pegou e me entregou.
- Esperamos que tenha maturidade quanto a isso.
Tensa, meus dedos chegaram na aba do envelope e puxei algo de lá de dentro. Passagem aérea. Franzi a testa.
- Que é isso?
- Passagem aérea? Duh! - minha mãe rolou os olhos.
- Leia com atenção. - meu pai completou, um pouco mais carinhoso. Virei a passagem, constatando que minhas mãos estavam tremendo. E quase infartei quando li "Coréia do Sul". - Você ficará duas semanas na Coréia do Sul. - adicionou, vendo que eu não conseguia falar, só abria e fechava a boca como um peixinho dourado. - Você embarca na semana que vem. Sugiro que vá pensando em roupas e planeje um roteiro. Você não é do tipo de garota que gosta de entrar em grupos de passeio - ah, pode crer! - então acho que poderia te dar essa folga. Qualquer coisa vou passar o telefone de um grande amigo meu, ou melhor, do meu chefe. Ele pode te ajudar bastante, porque é coreano. - eu estava sem palavras. - Gostou?
- Espera, preciso digerir. - respondi, quase sem voz. Meus olhos estavam tremelicando, assim como meus pés, minhas mãos e meu corpo. Tonta, me levantei para ir na cozinha, mas, no caminho, desmaiei.


C A P I T U L O • 2


Lei do Universo: Não existe destino.
Conto nos dedos de uma mão quantas vezes entrei em um aeroporto sendo eu quem iria viajar. Certo que eu adoro viajar, mas estava tão acostumava a viajar de carro que tinha até me esquecido como era bom viajar de avião.
Obviamente minha mãe não queria que eu fosse, mas não falou nada. Só ficava me abraçando e dizendo que eu precisava ligar se alguma coisa acontecesse. Meu pai tentava se fazer de forte e tentava arranjar uma briga antes que eu sumisse pelo portão de embarque. Quando achei que tudo estava muito bem e eu poderia ir feliz, eis que a turma do escândalo aparece: minha família. Olha, eu não tenho nada contra ninguém, tirando quanto a time de futebol, mas eu morro de vergonha de quando eles estão excitados com alguma coisa, falam tão alto... e eu, que já falo meio baixo, não tenho onde enfiar a cara. Sem contar que eles pararam uma aeromoça, que aliás era do vôo que eu iria partir, e pediram a ela que cuidasse de mim. Que mico! Vinte anos na cara e uma aeromoça tendo que cuidar de mim! Antes fosse um comissário! Não que todos sejam esquisitos, porque muita gente acha que é atividade para gays, mas se pelo menos fosse um comissário gostoso ou pelo menos bonitinho, eu poderia ficar mais contente, não acha?
Acabou que a comissária era até bacana. Até me levou para conhecer a cabine, e aquele co-piloto era mesmo uma graça. Como sempre vivi com a cabeça nas nuvens, adorei vê-las tão perto.
Quando estava voltando para a minha poltrona, vi um cara parecidíssimo com o Jay e prendi a respiração. Será que ele estava voltando para a Coréia? E, se fosse ele e realmente estivesse indo para a Coréia, por que estava em um vôo de São Paulo? Bati com a mão na testa. Ah, , você é tão idiota, iríamos pelo leste americano! Tinha uma escala na Califórnia, sua besta! A Falha de St. Andreas me veio na cabeça. E se ela resolvesse se mexer justo quando o avião pousasse? Eu não queria morrer! Exijo voltar para o Brasil, lá não tem dessas paradas de terremoto, se bem que nos últimos tempos era bom duvidar.
Dubushi! Dubushi!
O cara sorriu para mim. E não tinha nada de Jay Park naquele sorriso. Eu e meus clones! Fail!

Horas depois, e bota horas nisso, o avião pousou pela primeira vez. Ao longe, vi o nome do Aeroporto Internacional de Los Angeles, e me recostei. Olá, metade do caminho! Minha bunda estava tão quadrada que eu me levantei para andar pelo corredor. Vi o cara parecido com o Jay se levantar, pegar uma mochila preta no bagageiro, e o malandro ainda sorriu para mim. Sorri de volta.
- Tenha uma boa viagem. - disse. Filho da mãe, até a voz era parecida com a do Jay! Nem preciso dizer que já estava ficando maluca. Talvez fosse o fuso horário, voltar para o passado (Califórnia) e depois ir para o futuro (Coréia do Sul, e falo isso literalmente, imagina você ir para 24 horas a frente do seu tempo! Isso é ir para o futuro, não é?).
- Obrigada. - respondi, afinal, eu sou educada. E aquele cara era lindo, tão lindo ou muito mais bonito que o Jay. Prefiro a segunda sentença.
Ah, por favor, tenho o direito! Estou solteira, provavelmente ele também era um cara solteiro, sou jovem e estou na idade de flertar!
Flertar? Meu Deus, isso é linguajar da minha avó! Estou envelhecendo!
- Jay, me dá um autógrafo? - ouvi, e então ergui a cabeça. Eu tinha escutado direito? Vire-me para o cara e ele sorriu para mim de uma forma tão meiga, enquanto destampava a caneta com a boca. Arregalei os olhos, minha boca estava escancarada. É, eu preciso cuidar desse pequeno detalhe de "dar na cara"
Mas então me bateu: Que raios Jay Park estava fazendo em São Paulo? E que Hottests de meia tigela eram aquelas que nem pra me avisar, avisaram?
Fiquei com ódio o resto da viagem.
E antes que pergunte, não, eu não tirei foto nem pedi autógrafo para ele. Sou fangirl. Mas não a ponto de comprometer o resto da viagem, digo... imagina se dou um ataque e as pessoas do avião ficam me olhando torto o resto da viagem?

Mais algumas horas e então vi o letreiro do Aeroporto Internacional de Incheon. Seul. Coréia do Sul. Ásia.
Depois de tanto tempo e tantos sonhos e fanfics, lá estava eu. Em Seul.
- Certo, , pise com o pé direito - repeti para mim, apertando os olhos. Empacando a fila atrás de mim. - Vai tudo dar certo, é a minha capital. A capital dos meus sonhos.
E pisei com o pé direito. E no segundo seguinte eu estava no chão. Ajeitei a franja enquanto uma moça me ajudava a levantar, não podia perder a compostura!
Primeira impressão da Coréia do Sul:
- Ué, voltamos pra São Paulo? - perguntei confusa a uma aeromoça que estava por perto.
- Não, estamos em Incheon.
- É que parece tão... - torci a cabeça, vendo pessoas andando tão rápido que pareciam borrões, muito barulho, crianças correndo, outras chorando, pessoas se abraçando, outras se beijando... uma bagunça! - São Paulo.
- É assim mesmo. - ela riu. - Sua primeira vez?
- Depende. - fiquei na defensiva. Ela continuou sorrindo quando disse "Primeira vez na Coréia do Sul" e eu me senti uma tremenda idiota. - Ah, sim, sim, é sim.
- Você só precisa se acostumar. - confirmei com a cabeça. Nunca me senti tão grata àquelas professoras do curso de Inglês. - Sou Park Min Young.
- . - apertei sua mão. - Isso tudo é muito complicado. - ergui as sobrancelhas e então sorri para ela. - Onde busco minhas malas?
- Siga o fluxo. - ela apontou para as pessoas do meu vôo, que andavam na direção oposta a mim. No minuto seguinte ela me esticou um papel com um número. - Preciso ir. Ficarei em Seul na próxima semana, se precisar de alguma coisa, pode me ligar.
- Nossa, como você é gentil! - e foi de coração. Ela sorriu e então prestei atenção. Uns vinte e cinco anos no máximo, olhos puxados, óbvio, mais ou menos 1.65cm e franja para o lado esquerdo. Ela era bonitinha. - Digo... ligarei sim, obrigada.
- Prazer em conhecê-la! - comentou ao se afastar. Acenei de volta e me virei para "o fluxo". Hora de chegar na Coréia do Sul.
Mais bagunça, infelizmente. Primeiro que a minha mala não aparecia nunca e eu estava com medo de ela ter ido parar, sei lá, no Afeganistão. Ah, meu Deus, minhas coisas! Nessa hora apareceu um rapaz magrelo, alto e muito feio. Como ele estava vestido com o uniforme da empresa aérea, fui chorar para ele.
Posso dizer que nada sai coerente quando eu estou nervosa. Principalmente se for pra falar inglês. Fica tão enrolado quanto chinês que mora no Japão falando inglês.
Enfim, começei a chorar minhas pitangas pra ele e ele meramente estava de braços cruzados, com uma cara muito feia, parecia irritado com alguém que não falava coreano. Mas, hello, ele trabalhava em um aeroporto, tinha que saber inglês! Aquele burro!
- Estou apavorada, acabei de chegar e minha mala sumiu! - concluí, quase chorando. Ok, ok, eu confesso, estava chorando, sim. Na realidade, estava quase soluçando, isso sim! - O que eu faço?
- Primeiro você poderia tentar ficar calma. - assim mesmo. Em português. Mas que filho da mãe! - E segundo, me acompanhe. Veio até a pessoa certa, eu crio chifres na testa de cachorro! - e riu.
Convencido, ridículo e babaca.
Mas não posso dizer que o cara não era bom. Ele fez uma ligação, pediu minha passagem, conferiu números (quer dizer, eu acho) e, depois de alguns minutos, um outro homem com cara de poucos amigos chegou, com as minhas malas. Quase me joguei pra cima do cara, mas o primeiro tirou as malas da minha mão e ergueu as sobrancelhas de forma esquisita.
- Estava indo pra Nagoya?
- Por que eu iria pro Japão se eu vou ficar na Coréia do Sul? Duh! - respondi.
Ele fechou a cara.
Resposta errada.
Engoli em seco. Não queria ser mandada de volta pra casa, então controlei meu choro. Sim, eu sou bem chorona, que fique claro.
- Suas malas, srta. . - ele me esticou as malas e eu as segurei, séria e sem graça.
- Obrigada, sr. Kim Hae Bum. - li seu crachá. - Xiè Xiè. - pus a mão na boca. Idioma errado. - Digo. Ahn. Obrigada.
- Mandarim é minha terceira língua. Buyongxie.
- Zaijian. - gostar de Super Junior tem suas vantagens. Você acaba aprendendo tudo quanto é língua, principalmente tendo o Hannie no grupo. É o chinês mais legal que eu já "vi" na vida, e ele é um amor. E tem o Super Junior M também, tenho que acompanhar o fluxo...
Ergui a mnha mochila e voltei para o hospício do saguão.
Até achar a saída, eu rodei. O aeroporto é enorme, as pessoas andavam rápido demais, aquelas coisas todas que já falei. Mas achei e fui embora.

Apesar de estar morta de cansaço, eu sentia fome, e quando digo fome, era muita. Tomei um banho e fui arranjar algo pra comer. Se estava na capital, tinha que ter algo gostoso por ali. Não me sentia muito a vontade de comer coisa coreana, pelo menos não ainda. Tinha acabado de chegar e tudo que eu mais precisava era um milkshake de chocolate.
Andei um pouco até achar um McDonalds. Nunca fui muito fã do milkshake de chocolate deles, mas estava com desejo, então serviu. Fui até o parque que tinha defronte e sentei no banco, observando como tudo era fofo. Ok, não é a melhor denominação para "parque, de noite, começo do mês de Junho, fresquinho, pessoas coreanas passando e olhando para a turista tomando milkshake como se não houvesse amanhã". Mas eu não estava nem aí, eu ia fazer com que aquelas duas semanas fossem as duas melhores semanas da minha vida. Sei lá, vai que meu destino quisesse que eu viesse para a Coréia do Sul? Vai que eu fosse desencalhar na Coréia do Sul, nossa, ia ser muito perfeito!
Ainda pensava nisso quando começei a caminhar de volta para o hotel. Estava ficando com muito sono e o cansaço estava ficando cada vez pior, quando senti que estava sendo seguida. Começei a ficar com muito medo e fui andando rápido em direção ao KFC, porque lá tinha mais gente. Só que até lá eu comecei a lerdar de tanto medo, até que senti alguém segurando o meu braço e me puxando para um beco.
Apertei os olhos com força, isso estava tão errado! Estava contra a minha filosofia coreana, "arranjarás um namorado e desencalharás"...
- Olá, mocinha bonita. - ouvi, em um péssimo inglês (Pretty Girl é o escambal, vai aprender inglês com a Nicole, seu besta!). Abri os olhos e vi um bicho muito do feio. Seus dentes prateados estavam refletindo com as lâmpadas das ruas. Engoli um pouco de medo. - Acho bom começar a colaborar, acordei com vontade de deixar uma vítima acordada, hoje.
- Se-seu inglês é um horror. - falei. ele não ia me entender, mesmo.
O homem sorriu, debochado.
- Ah, jura? Pois eu te entendi. - fiquei estática. - Tira a blusa.
- O QUE? - gritei. Sei que é errado, mas dei as costas e me preparava para fugir quando ele me segurou, e eu podia ler seus pensamentos de "não vou deixar você ir tão fácil". Comecei a me debater desesperadamente e, é claro, começei a gritar por socorro. Em português. Primeiro que eu não sabia "socorro" em coreano e segundo que meu inglês tinha empacado novamente.
Estava tão errado! Primeiro minha mala tinha sumido, agora, estava prestes a ser, sei lá,... morta? Não era o que eu tinha planejado, desde o dia do "Homem de Ferro 2". Nem o que eu estava pensando, até minutos atrás. Nem meus pais, lá em casa, no Brasil, iriam querer que isso acontecesse.
Comecei a chorar, enquanto ele ainda tentava arrancar o meu casaco predileto.
Mas então eu me lembrei dela. Sei que é a coisa mais ridícula essa que eu vou falar, mas eu sempre fui fã de "Miss Simpatia", a Sandra Bullock é uma das minhas atrizes prediletas. Lembrei daquela cena, daquela defesa pessoal. E de como eu sempre sonhei estar em uma situação de perigo para usar aquilo. Muito-bobo, eu sei, mas eu sempre tive vontade. E, agora que estava, não estava encontrando as forças pra brincar de Gracie Hart.
Mesmo assim, quando o cara, tentou me abraçar por trás, fiz a primeira coisa que me veio na cabeça: soquei o estômago dele. Quando ele se afastou eu pensei no que tinha acabado de fazer. Nunca tinha percebido que eu tinha "a força". Ok, estou brincando. Mas pensei por dois segundos sobre isso, até que ele, enfurecido, tentou me agarrar de novo, e eu gritei. O cara tentou colocar a mão na minha boca, pra me calar, e eu soquei seu estômago de novo, seguido de um pisão nos dedos do pé esquerdo, um soco no nariz e no que ele tinha no meio das pernas. Não ia fazer muita falta, acredite. E então saí correndo.
Ou tentei, porque logo que estava saindo do beco, esbarrei em alguém mais alto, que segurou-me pelos ombros, provavelmente assustado.
- Você está bem? O que aconteceu? - perguntou em inglês, mas eu só conseguia chorar, com a minha mão na boca.
- Oppa! - falei, abraçando o cara pelo pescoço. Nem sabia se era ou não meu "oppa", só sei que ele era um pouco mais alto que eu. Estava desesperada por encontrar alguém que pudesse me proteger, tenha dó!
Começei a cair no chão, estava em pânico e só conseguia chorar, chorar e chorar mais. Por isso nem vi quando o cara do beco saiu de lá e o cara da rua gritara para ele dar o fora.
- Vem comigo. - comentou o cara da rua, tentando me levantar. Meu nariz estava quase escorrendo e minha cara devia estar inchada. Que lindo.
E a besta foi.
Qualquer pessoa que não fosse o cara do beco estava bom demais pra mim, mesmo que fosse um outro "cara do beco". Eu não funciono bem quando estou nervosa, já disse. Só queria sair dali e voltar pra casa. Mas não estava em nenhuma rua perto da minha casa, não falava a língua local e estava com medo de Seul, mal tinha chegado e já estava chorando. E nem era culpa de ninguém, eu que achava que estava no lugar mais seguro do mundo e que tudo seria lindo e perfeito, e que o JunHo fosse aparecer pra mim, dançando um "Rebolation" boladamente. Ledo engano!
O cara da rua começou a andar comigo até um dos bancos da praça e me sentou lá. Pus as costas das mãos próximo da boca, tentando parar de chorar, enquanto ele se agachava na minha frente.
- Você está bem? - perguntou com a voz calma. Seu inglês não era dos melhores, mas seu timbre de voz fez meu cérebro trabalhar umas cem vezes mais rápido.
Ergui a cabeça e vi parado na minha frente. Não sei o que me deu, sei só que eu me joguei pra cima dele e voltei a chorar muito. Sei que ele não é meu irmão nem nada, mas eu me senti como se finalmente tivesse encontrado alguém da família que eu não via há anos. E que ele iria me proteger de todas as coisas ruins do mundo. Como o bicho papão.
E o mais esquisito é que ele me abraçou também, da mesma forma que um irmão mais velho poderia abraçar a irmã mais nova que acaba de sair de um perigo, por assim dizer. Ele me beijou na bochecha enquanto fazia carinho nos meus cabelos, me dizendo para ficar calma.
E o mais interessante: eu fui me acalmando. Juro pra você que eu não estava vendo o do Super Junior. Estava vendo o que eu sempre sonhei como irmão mais velho. Ok, certo que tinha pessoas passando e olhando esquisito, mas eu não estava ligando. Ele estava me deixando mais calma e era isso que importava.


C A P I T U L O • 3


Lei do Universo: Não existem coincidências; somente o inevitável.
Pensava nisso quando me sentei no banco da sorveteria e esperei meu Rock Sweetheart chegar. parou na minha frente, cruzando os braços em cima da mesa, olhando-me como se fosse fazer uma pergunta a qualquer momento. Eu também estava louca pra perguntar o que um idol fazia mais ou menos uma da manhã na rua, mas achei que seria impróprio e maldoso com alguém que acabara de me salvar.
Logo que desfizemos o abraço, ele me segurou pela mão e falou alguma coisa que eu não entendi na hora, mas, quando vi a Delegacia de Proteção ao Turista, tudo fez sentido. O policial, um coreano alto, robusto e com cara de Seu Barriga (aquele, do Chaves), falava inglês (na realidade, arranhava; o responsável devia ter ido procurar café), também era o responsável pelo retrato falado e falou que tinha um cara rondando turistas, principalmente mulheres, durante a noite, e que eles estavam na cola. Me pediu para falar como o cara era, e eu falei. Falei com paixão, sabe, todos os detalhes minunciosos que eu consegui captar. colocou a mão no meu braço, me pedindo para parar um pouco e, puxando o papel do desenho, vi um JYP com dentes reluzentes. Não soube onde enfiar a cara, mas o policial só riu e disse que as outras vítimas tinham falado algo parecido. Bom, me perdoe, JYP, mas quem manda o cara do beco ser parecido com você?
era fofo, tão fofo! Não saiu de perto de mim nem por um segundo e parecia trabalhar duro para me deixar mais calma. E estava conseguindo. Isso o tornava humano, pra mim. E estava bom demais.
- Até agora não sei seu nome. - disse ele, do outro lado da mesa, enquanto eu sorria como uma criança feliz, quando meu sorvete chegou. Enfiei a colherzinha na bola do sorvete e olhei para ele, corando um pouco.
- É , mas você pode me chamar de . - ele deu um sorrisinho. - Uhn - isso foi eu colocando o sorvete na boca. - obrigada por ter me salvado daquele cara e de ter ido comigo na delegacia, foi muito fofo da sua parte.
não respondeu, só ficou me olhando. Foi aí que me veio o Full House na cabeça e aquele péssimo inglês do Super Junior. Nossa, como se senti burra! Não lembrava daquele detalhe vital!
Mas ele sorriu, novamente de forma meiga. Daquele jeito que derrete até um iceberg no Pólo Norte.
- De nada. - sussurrou, abaixando um pouco a cabeça e sorriu. - Não sou fluente mas entendo inglês.
Um a zero. Engoli meu pouco de sorvete com o mesmo derretendo antes mesmo de entrar no esôfago, e então abaixei a cabeça, corada.
- Desculpe.
- Não precisa se desculpar, poucas pessoas sabem disso, mesmo. - ele deu de ombros, mas ergueu meu rosto. - Certo?
- Certo. - eu estava tremendo. E corando. Devia ser um quadro bonito, por isso voltei ao meu Rock Sweetheart e, como boa fã do drama, sabendo assim mesmo das consequências, tomei o sorvete muito, muito rápido. Aquele gelo todo veio pra minha cabeça, e doeu. Como doeu.
Mas só riu. Claro que ele estava rindo, eu sou uma besta, imbecil, bobona, chorona, cagona, que come sorvete como uma criança! Passei um guardanapo nos lábios, tentando não olhar pra ele, porque, se o fizesse, veria que ele ainda olhava pra mim. E eu iria agir como uma tremenda bocó de novo.
- O que faz na rua, às quase uma e meia da madrugada? - tentei dar um ar jovial e desencanado a pergunta, mas por dentro estava me matando. Pegando uma espada, cravando a bicha no meu peito e ainda mexendo pra ver se morria mais rápido.
- Sukira. Estavam todos, mas e eu - meu coração deu um pulo enorme quando ele falou aquele nome. ... - viemos comer frango, mas meu telefone tocou e eu saí pra atender. - silêncio. - E nessa hora você apareceu.
Ele sorriu de novo, de forma tão meiga que eu comecei a corar. Pelo amor do TVXQ, ele que parasse de me olhar daquela forma! Certo que pra mim ele era como um irmão mais velho, mas, como não tínhamos nenhum trecho de DNA parecido, ocasionava em que todas as minhas células fizessem com que eu ficasse vermelha. E confesso que passou pela minha cabeça a possibilidade de ter se apaixonado por mim. O lado ruim de ser uma encalhada é que nenhum cara pode ser simpático ou simplismente bacana com você, que você já acha que ele está dando mole. E fica toda apaixonadinha.
Eu sei, ok? Ridiculous!
Nesse momento, uma voz chamou pelo , e ambos olhamos para a escada. Minha boca foi abrindo devagar, totalmente contrário ao meu coração, que resolveu dar um pulo lá em Plutão e voltar. Com um casaco jeans escuro lindo e uma testa franzida, eis que aparecia no meu campo de visão...
.
Engoli meu sorvete antes que ele caísse de dentro da minha boca enquanto ele se aproximava, com passos largos e decididos. Cada toque do pé dele no chão, era uma punhalada no meu pobre coração. Ele estava com um pouco de maquiagem, só um pouquinho, mas ele estava tão, mas tão lindinho! Os olhos dele pareciam com os do , com aquela bolotinha de quem não dormiu.
Falando nele, só acenou, com um sorriso de canto de boca, enquanto vinha até nós, aparentemente enfurecido.
- Fiquei quase uma hora feito um besta lá, achei que tinha ido embora!
E então olhou pra mim. Ah, pronto, pensei. Muito prazer em conhecê-los, agora sou uma garota encalhada... e morta.
- sshi, quero que conheça minha amiga, .
E então ele olhou pra mim, virando a cabeça de verdade. Parecia câmera lenta, sabe, quando o mocinho e a mocinha se encontram e o amor é recíproco no primeiro olhar, e só falta tocar Sandy e Júnior (aquela "Meu Primeiro Amor) - ou a musiquinha da primeira fase de Sailor Moon, aquela de quando ela encontra o Tuxedo Mask e eles se beijam (minha cena predileta, a propósito); ou até mesmo "Essa Noite O Amor Chegou", com Simba e Nala rolando loucamente pelo chão da selva. Mas então lembrei da minha boca, ainda suja de sorvete.
Mas é claro que a vida não imita a ficção, sem contar que devem ter trocentas fãs do cara que são mil vezes mais bonitas e mais pegáveis.
- Oi.
- Oi. - disse indiferente, voltando a mexer o meu sorvete com a colher de plástico, amarela. Meu Deus, como sou infantil...
- Desculpe, sshi, aconteceu um pequeno problema - olhou pra mim. - mas agora já está tudo bem. - continuei mexendo o meu sorvete, sem coragem de olhar para os dois, meu irmão e meu namja, parados na minha frente. Poderia ser mais boba? - Por que não se senta com a gente?
- Eu... - eu sabia que ele estava me olhando, mas tinha medo de olhar e dar na cara, sabe como é. - Ok.- e ele se sentou do... lado do . E os dois ficaram me olhando, tomando sorvete. com o rosto apoiado na mão, me olhando carinhoso, e olhando de um pra outro. Eu podia ler seus pensamentos, está namorando e nem me contou, que espécie de amigo é esse?.
Obviamente estava sem graça. Mas contente de que aquela dinheirama que eu gastei comprando livretinhos e dicionários de coreano tivessem valido a pena, porque eu conseguia entendê-los mais ou menos. Falar que é bom...
- De onde você veio? - perguntou e aquele inglês dele era tão fofo quanto o de . Finalmente olhei pra ele, que tinha as mãos na frente do corpo e parecia estar com frio.
- Brasil. - respondi, e então olhou para , que ainda sustentava o olhar em mim. - Muito longe. - continuei, achando que eles não tinham entendido. - Tipo... longe?
- Sabemos onde é. Mas nunca fomos lá.
- Deviam ir, é mais quente que aqui. - e então falei para mim (em português, óbvio) - Na verdade aquilo é um inferno, mas tudo bem. - sorri, me levantando. - Muito obrigada por ter me salvado, . E obrigada pelo sorvete, você foi muito gentil.
Pode me chamar de fresca, eu não ligo. Mas se eu ficasse mais um minuto naquela mesa, eu não saberia o que fazer. Minha vontade era de encher de beijos na bochecha e de tarar o , mas nada iria ser feito se eu tivesse um ataque cardíaco.
- Você já vai? - levantou assim que me viu levantando. - Por que?
É mesmo, por que?
- Po-porque vocês precisam dormir porque são muito atarefados e eu preciso terminar de chegar. - piscou. - Faz mais ou menos duas horas e meia que cheguei em Seul, entende.
- Nossa, que péssima visão você teve daqui, mal chegou e já foi "atacada"! - deu a volta na mesa e parou na minha frente. E sorriu. - Não sou embaixador de Turismo daqui, mas por favor, não tenha uma imagem ruim da Coréia do Sul.
Sorri. - Não vou, pode ter certeza.
Comecei a me sentir corada quando um sorriso carinhoso e muito adorável se formou nos lábios dele. Minhas bochechas começaram a queimar ainda mais e me controlei muito pra não fechar os olhos e dizer "Me beija", porque só faltava isso, também.
- A-a gente te leva em casa. - interviu. E acabou com o clima.
Que clima, pelo amor de Deus? Não havia clima nenhum! é como um irmão pra mim, e, pelo menos, não queria tanto vê-lo pelado como alguns outros Super Junior's!
- Podemos te levar até em casa, não podemos?
- Olha, seria muito bonito se vocês me levassem até em casa, mas eu moro tão longe que seria uma caminhada infinita. - rimos os três. - Mas aceito que me levem até o hotel. Digo... se não for incomodar vocês.
- Não vai. Tenha certeza! - sorriu de novo.
Epa, epa, epa!
Sei que eu viajo na maionese quando um cara é legal comigo, mas estava muito suspeito.
Não quero ser pessimista, apesar de já estar sendo, mas é esquisito um cara se apaixonar por mim. Não sou nenhuma beldade, mas também não sou nenhum lixozinho, sou apenas uma garota normal. Não sou nenhuma mulher fruta, nem bunda tenho direito. Que mais dirá peito! Ok, aí eu já posso dizer que eu não sou uma tábua de passar roupa. Não sou altona nem nanica. Rio de forma esquisita e vivo no mundo da lua. Que cara se apaixonaria por esse tipo de garota? Que tipo de ídolo se apaixonaria por uma menina como eu?

Nosso "passeio" poderia ser até romântico se fôssemos a pé, mas estava de carro, e me pediu o nome do hotel. No meio do caminho surgiam sinais fechados e as perguntas recomeçavam.
- O que veio fazer aqui, nessa época do ano? Férias?
Dei um sorrisinho leve, mais para mim do que pra eles.
- Presente de aniversário.
olhou pelo retrovisor.
- Seu aniversário é hoje?!
- Dia 13.
- Treze é um número mágico. - riu.
- Só não mais mágico que 15, acredite nisso. - sorriu. - Mas nem tem grandes coisas dia 13. E fico até feliz que não esteja em casa.
- Por que?
- Porque é dia dos namorados, dia 12, e é um inferno na minha vida presentes de aniversário com cartãozinho de "Esse Santo Antônio te trará um namorado bom e insubstituível". - estremeci. - Eu podia ter nascido, sei lá, em Julho, até em Dezembro, mas não em Junho, perto do dia dos namorados. - confessei. - Junho, pra mim, só é bom porque tem Festa Junina e é uma das únicas datas do ano que eu como sem culpa.
soltou uma risadinha, virando pra frente, e eu pus minhas duas mãos na boca. Aish, podia ser menos idiota? Hein? Acho que vou encomendar, do Sick Puppy Store (se é que ainda existe) um adesivo de "loser" e prender na minha testa!
- Essa festa que você disse é típica do Brasil? - confirmei com a cabeça. - Parece ser interessante.
- Tem comida, claro que é interessante! - gargalhou. - Chegamos.
Pude ver o hotel pela janela e então desafivelei o cinto.
- Obrigada pela carona. - comentei. - E por ter salvo minha vida. E pelo sorvete.
- Por nada.
Posso dizer que eu me enturmo e pego uma afinidade tão rápido quanto uma cobra comendo um rato. Desculpa o péssimo exemplo. Só falei dele pra poder explicar por quê eu cheguei mais perto do banco do motorista e dei um beijo na bochecha do . Quando terminei de fazer isso, ÓBVIO, me senti uma garota muito fácil. Mas tentei manter a postura e sorri para , que estava no banco do carona, aparentando um pouco de surpresa. Fiz um breve carinho em seu ombro e saí do carro.
Parei na frente do hotel e fiquei acenando até que eles desaparecessem do meu campo de visão e então entrei, batendo com a mão fechada na testa. Me odiando por toda a vida.

**//**

No dia seguinte, acordei mais ou menos às dez. Meu corpo estava tão dolorido que parecia que eu tinha brincado de "As Panteras" no dia anterior. E eu não lembrava, pelo menos não lembrei na hora. Acordei com o meu celular tocando a música do F(x), a parte do "nanana". Eu preciso aprender a diminuir o som dele, sempre me assusto com o bicho! Pelo menos não era o nanana do Rouge!
Era meu pai, perguntando se tudo estava bem, porque eu não liguei quando cheguei e bla bla e mais bla. Eu queria que ele parasse de falar e me deixasse dormir, mas não consegui, depois que desligamos. Só tinha uma coisa a fazer: levantar e ir passear.
Ainda na cama, abri meu notebook e entrei no twitter e no msn. São os vícios.

"Estou na Coréia do Sul e estou morrendo de sono. Preciso att meu blog com essas coisas. Se eu encontrar o SJ, mando pra vcs bjsmetwittem"


L Se a internet estivesse mais instável, eu ia ficar o resto da manhã por lá, nem deu pra falar com o pessoal, direito. Diminuí tudo pra desligá-lo quando vi o wallie do Super Junior. Seria tão legal se eu pudesse encontrá-los de novo! era um amor e era bonito. Sei que parece idiotice, mas se eu fechasse os olhos, podia ver sorrindo de forma fofa pra mim. E isso fazia com que eu me arrepiasse e sorrisse também.
Não gosto de regras. Não gosto de planejar as coisas, na realidade, então desci, disposta a pedir dicas parao concierge. Nossos santos bateram no momento que pus os pés no hotel. Era troca de horário, então conheci os dois. Uns amores.
- Com licença, srta. Mathias? - alguém me chamou, enquanto o concierge procurava o mapa detalhado daquela área. Confirmei com a cabeça e ele me esticou um pequeno ramo de quatro flores. - Mandaram para a senhorita.
- O-obrigada. - segurei as rosas, estranhando. Quem me mandaria flores em plena Coréia do Sul, por Deus? Meus pais não sabiam uma palavra de coreano, e me achavam meio tresloucada de estudar algo que não dava pra escrever normalmente. Rebati várias vezes, dizendo que dava pra romanizar, daí eles perguntaram o que era romanizar. Depois, até explicar o que era ideograma e às perguntas de "mas por que coreano e não francês, como uma menina normal?"...! mas eu não sou uma menina normal. Enfim, eles me perguntavam tantas coisas que eu achava meio difícil de que tenham contratado alguém para me mandar flores. Ainda mais se falassem inglês, ainda mais meu pai, que fala como se escreve. "Truck" ele lê "truqui". De qualquer forma, peguei o cartãozinho e li. - Quatro dias desde que Junho começou. Espero que os próximos treze/catorze dias sejam perfeitos. Bem vinda a Coréia do Sul. "
Poderia ser menos fofo? Ok, sempre imaginei o bancando o irmão mais velho, mas fofura era um adicional.. não tão adicional assim, porque eu sempre achei que essa coisa de ser fofo com o outro era coisa de fanfic.
De qualquer forma, subi e abri a porta, encontrando a camareira. Ambas levamos um tremendo susto. Mas depois acabamos rindo e ela disse que cuidaria das minhas flores.

Meu primeiro ponto turístico foi o Palácio Gyeongbokgung. Era tão lindo! Os jardins eram tão bonitos e tão bem cuidados! Ergui minha máquina fotográfica e selecionei pra vídeo. Precisava de uma visão 360 graus quando voltasse pra casa, adorava aquilo. Parei para ficar olhando, abaixando a câmera. Era um super cenário, pra drama, pra filme, pra fic... Fiz um leve bico. É. Seria perfeito para uma fic.
- Oláaaa!
Gritei, jogando a máquina em cima da pessoa e colocando as mãos na frente do rosto.
- Meu Deus, me desculpa! - ouvi a voz dando uma risadinha, colocando a mão no meu ombro. - Te assustei?
Abri uma brecha entre meus dedos e vi rindo, na minha frente. Minha reação instantânea foi começar a bater nele, que ria horrores enquanto se protegia dos meus socos.
- Caramba, , quer me matar do coração? - pus a mão no peito. - Nossa!
- Desculpa! De verdade, era só pra brincar contigo, não morre! - corei. - Não achei que fosse te encontrar aqui.
- Estava na primeira linha da minha lista de lugares pra visitar. - comentei, tentando manter a calma. Mas ainda de bico. - Agora não volto mais aqui.
- Ué, por que?
- Porque vou me lembrar de como você quase me matou do coração!
- E isso não é bom? Pelo menos sou eu, não o cara do beco! - franzi a testa e cruzei os braços, entristecida. Como é que ele sabia? Só se tivesse falado. - Err, desculpe, o falou o que aconteceu. Espero que esteja tudo bem.
- Nah, tudo bem. - tirei a mecha do meu cabelo que insistia em ficar na frente dos meus olhos. Por dentro, estava em puro surto, mas não conseguia exteriorizar isso. Só conseguia fazer com que minha boca mandasse para longe.
Ergui minha máquina e tirei uma foto.
- Quer que eu tire uma foto sua?
- Não precisa, obrigada. - tentei sorrir, em pânico. Ele ergueu a mão e um flash espocou na minha cara.
- Desculpa, já tirei.
Ergui as mãos e recomecei a bater nele.
- Você só apareceu pra tirar com a minha cara, confesse!
- Não! - ele riu, segurando meus pulsos. - Temos uma gravação aqui perto e te vi passando, precisava vir falar com você e saber se estava bem. - perdi as forças e ele me soltou. - Depois que me falou o que aconteceu, fiquei meio preocupado. - silêncio. - Mas você está bem, certo?
- Estou cega por causa desse maldito flash, mas estou bem. - respondi.
- Ah, que bom. - sorriu. - Não quer vir ver as filmagens?
- E eu posso?
- Eu que estou levando você, então tudo posso. - comentou, todo convencido. Pensei em não ir, só de birra.
- Se você diz.

Acho que deveria voltar ao começo. Existem coincidências, e eu estava achando um barato aquela coincidência. Quando, em um milhão de anos, fosse me guiar por entre as árvores daquele jardim lindo até onde tinham algumas pessoas, prontas para gravar qualquer coisa? Era tudo um sonho. E, se realmente fosse, não queria acordar.
- Você sabe quem somos, então não vou apresentar. - ele pôs as mãos nos bolsos da calça jeans.
- E como tem tanta certeza disso?
- Você não teve um ataque quando nos viu. Grande parte das ELF's começa a chorar, mas nem todas agem dessa forma. Têm algumas que agem exatamente como você.
- Eu não sou uma ELF.
- Ah, é? E o que é você?
- Eu... - franzi a testa. Odiava pessoas me enrolando. - Ah, esquece.
- Se não respondeu é porque é e não quer admitir.
- Você é tão palhaço. - fiz voz de desdém. - Sou uma ELF com cérebro, pelo menos. - resmunguei.
- Desculpe, o que?
- Eu disse que sou uma ELF com cérebro!
- Aaah! - ele parou na minha frente, sorrindo presunçoso. - Então você admite ser uma ELF! - fechei a cara. Ele se abaixou um pouco pra perto de mim. - Quem é seu preferido?
- E o que isso te interessa?
- Sou um cara curioso. - não respondi. - Sou eu, não é?
- Não falei nada!
- Quem cala, consente!
- Meu preferido não é você!
- Ah, é? Então quem é?
- Eu... - devo adicionar aqui que nossos rostos estavam próximos e eu me sentia uma besta. Como poderia ser fã de um cara tão idiota quanto ele? Ele não era fofo, era insistente e até chato!
- Fala!
- ... Neorago. - disse, de cara feia. Ele se afastou e cruzou os braços, convencido. - Agora pode sair correndo e contar pro mundo!
- Acho engraçado que, se fosse qualquer outra fã, iria ficar bem contente com o fato de eu conhecer, especificamente, o amor dela por mim, mas você não parece muito feliz.
- Porque você é um idiota.
- Ué, mas por que? - ele se aproximou de novo.
- O é muito mais legal que você. - recomecei a andar, mas pro lado oposto. Não queria mais ver SJ nenhum, fiquei tão enfurecida com o que queria continuar meu passeio e esquecer dele. - Escuta, falando nisso, cadê ele?
- Junto com os outros rapazes. - ele apontou para onde todo mundo estava. - Desculpa te deixar irritada, estava só brincando. - continuei de bico. - Eu gosto de perturbar menininhas bonitinhas. - corei. me virou. - Desculpa. De verdade. Não vou mais brincar com você, ok?
Em situações normais, eu iria sair andando, enfurecida. Odiava que brincassem comigo sem que me conhecessem, acho coisa de bobo, isso. Mas ele parecia bem arrependido mesmo, então, mesmo de bico, aceitei seu pedido de desculpas razoável, e voltei a andar até os meninos.
- Não ligue para o que ouvir, ok, todo mundo é muito bobo.
- Se andam com você, são muito mais do que bobos. - resmunguei, e ele sorriu.
Quando nos aproximamos, senti aquela onda de calor chegar ao meu rosto de novo. Todos estavam sentados debaixo de uma árvore, com casacos e encolhidos. Estava um pouco frio, apesar do sol. Todos olharam pra mim quando me viram, e se levantou na mesma hora. Não vou negar que estava ultra sem graça, afinal, era e .
- Rapazes, essa é a . - me apresentou, e eu só acenei. - ... e , você sabe.
- Ah, a "famosa" ! - se aproximou. - Prazer em conhecer você.
- É, prazer em conhecê-la. - sorriu. - Ela é mais bonita do que vocês falaram.
Corei. Posso sair correndo? Volto na outra encarnação...
E que história era aquela de "famosa"? Eu não sou cantora, não sou escritora, não sou atriz e não faço nada pra que seja famosa!
- Ahn.. - pigarro. - Prazer em conhecê-los, rapazes, mas preciso ir.
Na realidade, eu queria era sair correndo, tamanha era a minha vergonha, mas quando realmente criei forças pra isso, topei com o peito de alguém, que me segurou pelos ombros.
- Está ficando craque em dar de cara comigo, não acha?
de novo. Ergui o rosto e o vi sorrindo. Não pude não fazer o mesmo.
- O que faz aqui?
- Seguindo meu roteiro turístico. - mostrei o papel que tinha no meu bolso, com números de trem, estação e tudo o mais. Ele pegou o papel e leu, me apontando logo em seguida.
- É bem mais fácil você fazer isso aqui ao contrário, senão você vai se perder.
Sorri. - Ok, farei isso. Até mais, então. - e saí andando antes de uma resposta.
- -sshi, não quer ficar um pouco aqui?
- Não quero incomodar. - respondi, um pouco já de longe.
- Claro que não vai! - veio até mim e me deu a mão. Por que eu sentia a minha gelada e meu coração resolvia bater forte quando ele chegou perto? Ele era meu irmão! I-r-m-ã-o! 'Tá, que não fosse de verdade, mas eu considerava como tal. Seria incesto gostar dessa forma do irmão? - Quem disser que você está incomodando, levará um chute!
- Não acho que seja boa idéia, . - sussurrei.
- Não precisa ser tão formal comigo. Você, eu deixo. - ele parou na minha frente e me segurou pelos ombros, olhando para os meus olhos. - Pode me chamar de ou de oppa. Vou gostar das duas formas, ok? - não respondi. - Só oppa está ótimo.
- Eu preciso te confessar uma coisa. - franzi a testa. Era a hora. - Gosto muito de você - ele sorriu - porque você seria o irmão mais velho perfeito pra mim. E eu gosto de você com os seus defeitos e qualidades.
- Então vou te proteger como um irmão mais velho protegeria uma irmã mais nova. Combinado? - não respondi. Ele riu, mas não daquela forma de antes. - Combinado?
- Combinado. - respondi, ainda com aquela cara.
- Então estamos feitos. - concluiu. - E trate de sorrir senão você conhecerá o do mal!
Sorri forçado.
- Assim que é bom. Hunf! - e saiu para perto do diretor e dos outros. No meio do caminho, virou-se pra mim e fez um coração no ar. Ah, , como você é bobão!

E então sentei em um cantinho e guardei minha máquina. Ok que eu queria registrar o momento, mas nenhuma fotografia iria conseguir retratar todos os detalhes que eu estava vendo. Como a cueca do aparecendo e o quase beijo entre ele e .
Eu poderia ficar feliz, não é, estava vendo pelo menos uma bela parte do Super Junior fazendo shoots individuais na minha frente. O meu preferido era um besta e o que eu considerava irmão era um amor de pessoa, exatamente contrária a forma que eu tinha imaginado. Ok, não dessa forma, se é que você me entende, porque não era sempre fofo, pelo menos não na minha leve concepção de mundo idol e mundo real. O real era na dele, não muito sociável e gostava de coisas que pudesse fazer sozinho.
Olhando abraçar e cair na gargalhada me fez cair na real. Aquilo era tão absurdo! Quero dizer... escrevo fanfics colocando coisas assim e, naquele momento, estava vendo exatamente aquilo. Percebe o que eu senti... tinha medo, entende. De acordar e de perceber que tudo era um sonho, uma outra fanfic talvez. Não gosto de falar isso, mas existem histórias que colocam a gente tão dentro dela que, quando acaba, a gente sente como se tivesse morrido. Ou que tivessem desligado o botão do melhor sonho do mundo e ligado o da pior realidade. Apesar de estar me divertindo, eu tinha muito medo de acordar e chorar. Não sei explicar muito bem.
Me levantei e, sem ser vista, fui dando o fora. O verde da grama bem cuidada do Palácio voltou a ser meu objetivo de caminhada, mas não queria mais tirar fotos. Passei as costas das mãos nos olhos, pra afastar qualquer indício de lágrimas se formando. Iria continuar meu programa normalmente. Nada mais de , , Super Junior, que fosse. Como tudo deveria ser feito.
- Por que você sempre foge de mim? - não me virei.
- Tenho coisas pra fazer.
- Achei que você fosse ficar mais. - continuei andando. - Aconteceu alguma coisa? Alguém tratou mal? Eu fiz alguma coisa?
- Não.
- Então fala comigo! - não me virei, e estava quase correndo. Mas corria mais do que minhas perninhas rechonchudas poderiam, em um milhão de anos; e ele parou na minha frente. - Volta!
- Preciso ir embora. - ele impediu a minha passagem, dos dois lados que tentei contorná-lo.
- Mas por que? Te fiz alguma coisa? Te fizeram alguma coisa? - não respondi. - Tem alguma coisa que eu possa fazer pra você voltar?
- Volte pra fanfic, . - falei simplismente. Ele fez uma cara... - É de lá que você nunca deveria ter saído.
Consegui contorná-lo e saí andando. Na verdade, mais correndo do que andando. Me sentia tão ruim! Digo, ruim com ele, que estava sendo até muito bonzinho... Mas eu não podia evitar, ou era isso ou eu acabar me deprimindo de vez. Apesar de que a minha vontade fosse a de sair correndo, me jogar em cima e dizer que eu nunca queria ficar longe dele...
correu até mim e, como antes, parou na minha frente. Tinha a testa franzida e um ar bem infeliz, sem contar os lábios bem fechados, parecia uma criança... e era até fofo.
- Não é assim que se obedece seu irmão mais velho! - antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele se abaixou e me segurou pelas pernas, me colocando nas suas costas e dando meia volta, voltando para a "árvore das filmagens".
Obviamente eu bati e mandei ele me soltar, mas foi em vão. Quando começei a ver fios no chão, percebi que estávamos chegando. E eu vi prendendo o risada e o com uma tremenda interrogação no meio do rosto. me sentou na cadeira (sabe aquelas cadeiras de diretor de cinema, que a gente vê em programas americanos? Daquelas.) e ficou na minha frente, posicionando cada mão em um braço da cadeira; e me olhou bem nos olhos. Com certeza ele deve ter percebido que eu não estava feliz (e quem ficaria feliz depois de sofrer esse atentado? Mesmo que ele fosse , eu não tinha gostado!).
- Quero que você escute bem o que vou dizer. Agora que eu te conheci, quero você perto de mim sempre que puder, não vou deixar que você escape fácil. Então, nem ouse sumir, porque eu viro esse mundo de cabeça pra baixo pra te achar, entendeu? - continuei de bico. ficou de pé direito e me olhou com uma sobrancelha erguida. - Entendeu?
- Te odeio.
- Que ótimo, também te odeio. - cruzei os braços. - Yaah! Melhora essa cara, melhora agora!
- E se eu quiser?
- Te encho de cócegas!
- Duvido! - fiz cara de insolente. O famoso "quero ver você tentar". pôs as mãos na cintura, me olhando como um "então você duvida?", com direito a língua para um lado da boca.
E ele iria mesmo partir pra cima de mim senão fosse o pra me salvar. Ok, ele não me salvou, entende, só chegou chamando o , dizendo que era a hora do shoot individual dele.
- Que está acontecendo? - perguntou, franzindo a testa.
- Ela acha que eu não tenho coragem de fazer cócegas nela!
- Claro que não tem, você é um cagão! - mexi, mas quando ele fingiu que ia vir pra cima, eu corri pra trás do . Dei-lhe língua.
- Pode ir, hyung. - agradeci mentalmente ao por isso. - Pode deixar que quem fará isso serei eu! - e me olhou de forma pervetida.
Arregalei os olhos com isso. Sempre brinquei dizendo, "quando eu conhecer o , vou tará-lo!", "deixe o comigo!", mas, naquele momento, só pensei em correr muito. Corri, porque sabia que ele estava atrás de mim, e espera, por que eu estava correndo? Quero dizer, se fosse um sonho, eu poderia voar. E por que não estava voando? Isso era tão confuso..! Quero dizer, eu estava fugindo do , certo, porque ele queria fazer cócegas em mim...? Que coisa mais ridícula!
Parei de correr e cruzei os braços, mas ele não parou a tempo, me derrubando no chão e caindo em cima de mim. Em cima de mim.
Engoli em seco, ele estava tão perto que se qualquer um de nós fizesse um movimento, era capaz de sair beijo. Ah, Deus, quem escrevia meu destino? Quero revisar esse script, manda pra cá agora!
- Se machucou?
- Não. - ele sorriu. Eu sorri. Sorrimos. - E você, se machucou? - nossa, como os olhos dele eram lindos. Não eram tão escuros como eu imaginava, entende, eram até mais claros. E ele tinha pintinhas no rosto e uma espinha querendo sair perto do nariz. Coisa nojenta falar isso, mas eu precisava falar! - Desculpa parar de repente.
- Sem problemas. - meu Deus, como eu queria beijá-lo! Acho que nunca tinha sentido tanta vontade de beijar alguém, nem quando eu saíra da última vez e literalmente agarrara um cara lindo na pista de dança. Mas a diferença, dessa vez, é que eu não estava bêbada. Eu sabia que estava errado fazer isso (porque, hello, ele era um ídolo, eu sou uma fã, estou encalhada mas não desesperada!), mas esava me aproximando dele como se tivesse um imã nos lábios dele. Meu coração batia tão rápido que, se não acontecesse logo, eu ia ter um troço.
Eu já estava sentindo a respiração dele em cima de mim, mas agora estava ficando mais e mais perto, e eu estava quase confundido com a minha. Cheguei a sentir o lábios dele levemente tocando os meus, deu até um arrepio gostoso...!
Mas também senti outra coisa, se é que você me entende. E foi nessa hora que eu percebi que o é um homem.
Duh! Eu sei que ele é um cara, sempre soube (se bem que às vezes...!), mas eu não achava que... não é isso, juro, eu não só imaginava que ele pudesse... ter isso.
- O que você pensa que está fazendo? - Empurrei pra longe, tentando me recuperar.
- Eu...
Nessa hora surgiu o oppa e me salvou do que eu poderia ter feito.
- está procurando você... , não é? - fiz que sim com a cabeça. Parecia que eu tinha corrido uma maratona! - Você está bem?
- Por que pergunta isso?
- Não sei.. parece meio... corada. - ele olhou para , que estava no chão, com as mãos fechadas em cada olho. - E você, , por que está no chão? - antes mesmo que ele pudesse responder (ele não ia responder), eu me levantei e saí andando. - Onde você vai?
- Diga pro que eu preciso ir mesmo. E peça desculpas por mim. - e literalmente saí correndo. Eu não tinha onde enfiar a cara de tanta vergonha! Primeiro me segurando pelas pernas e me tratando como uma criança birrenta (e ok, eu sei que eu sou!), e, agora, "partindo pra cima de mim". ÓBVIO que eu estava amando (a parte do principalmente), mas mas... mas eu não queria me machucar. Iria voltar a meramente ser uma turista, pré aniversariante e encalhada, passando uns dias em Seul despreocupadamente. Só quero que o pessoal lá de casa esteja preparando uma bela festa surpresa pra mim. E quero muito que tenha muitos garotos bonitos e dentro da minha realidade pra acabar com essa desgraça na minha vida.


C A P I T U L O • 4


Lei do universo: Quando a esmola é demais, o santo desconfia.

Vai dizer que não é verdade? Ou você acha que isso tudo é meramente uma fanfic? Hello, eu sei que dou umas brisadas federais por aí, mas isso aqui não é fanfic, não! Quem dera se fosse.. ai ai!

Bom, voltando a minha "desgraça", se é que agora posso dizer isso.
Depois que deixei os meninos trabalharem em paz, continuei passeando pelo Palácio. Era lindo, e, por alguns momentos me permiti sentar no chão e imaginar algumas histórias da antiga Coréia do Sul (?), com todas aquelas roupas e histórias e etc.. Depois disso, fui comer alguma coisa, porque estava morrendo de fome. Foi UM CUSTO achar alguma coisa que não me revirasse o estômago, nunca na minha vida que iria colocar kimchi na minha boca! Adoro pimenta, mas a Coréia do Sul.. pela santa madrugada!
Cheguei a pensar: "Ah, um Trakinas cairia tão bem..." ou até mesmo um Fofy*, aquilo era bolacha de chocolate!
Mas então encontrei um genérico do Burguer King e pensei, "Ah, vamos bancar Onew por um dia!", como se eu também estivesse odiando. Certo, foi bem solitário esse meu almoço, mas eu não conhecia ninguém (só o Super Junior, ou pelo menos parte dele) e meu coreano era uma bela titica. Já estava acostumada a fazer as coisas sozinha, então nem estava ligando. Muito.
- Com licença. - ouvi alguém me dizer, mas como ainda estava toda lambuzada de frango frito, tive vergonha de erguer a cabeça. - Posso me sentar aqui?
- Po... - ergui a cabeça, toda melecada de fritura, pronta pra sorrir quando vi Zhou Mi (sim, o Zhou Mi!) com uma bandeja de frango na minha frente.
Minha boca abriu e, de dentro dela, caiu um pedacinho de frango.
PERFEITO, dona , MEGA BLASTER PERFEITO! Você ganha Flawless Victory por ser UMA ANTA!
- Fique a vontade. - tentei sorrir, abaixando a cabeça e batendo umas duas vezes na testa, me odiando.
Mimi comia e eu olhava, dava gosto! Quando percebia, também sorria e eu querendo rir, porque ele estava lambuzado de frango frito. Foi uma cena bem bonita até, os dois bobos melados de frango, se olhando e trocando sorrisos. Até que eu (claro, você acha que o Mi iria rir?) começei a rir, ele logo fez o mesmo.
- Sou Zhou Mi.
- .
- Que faz aqui?
- Presente de aniversário e você? Até onde sabia você estava na China!
- Aaah, então você sabe quem eu sou! - ele sorriu.
Idiotice 2, 0.
- Sei. - tentei dar um ar de casualidade. - Eu sou uma Honey, sabe, então como não poderia saber?
- Vim visitar os meninos e resolver umas coisas. - disse. - Está ocupada?
- Só seguindo esse roteiro turístico que eu fiz. - mostrei. Ele olhou.. e olhou.. e olhou. - Por que?
- Henry ainda não chegou do Canadá e eu não gosto de andar sozinho por aí. Tenho medo de me perder.
- Mimi, não confie em mim, também sou uma perdida.
- Então podemos nos perder juntos.
Toca o "Encalhada Alarme!"! Seria isso uma sutil cantada?
Naaaah, vê se acorda, , você é muito dada, credo!
- Pode ser. Posso continuar o roteiro amanhã..
Ele sorriu e fomos nos limpar. Eu não sabia como eu tivera tamanha cara de pau de conversar com ele com a boca toda melecada de óleo, pedacinhos de frango pela bochecha...

Nossa tarde foi muito legal, por assim dizer. Fui no tal aquário que ele queria tanto ir, e ficamos praticamente a tarde toda por lá. Eu achei bem estranho, porque ele tinha dito que precisava resolver umas coisas e me resolve ir no aquário...
De noite, eu cheguei no meu quarto e praticamente apaguei. Estava morta para uma ida no aquário.

No dia seguinte, acordei disposta a cumprir minha meta turística. E sozinha, se fosse possível.
- Srta. ? - o recepcionista me chamou. E lá estavam mais rosas.

Minaah.. não quero que você suma. Por favor! Me encontre na árvore que estávamos ontem, às 9.


Suspirei, mas não conseguia parar de sorrir, enveredando pelas escadas até o terceiro andar. Quando entrei no quarto, levei um susto com a camareira novamente, e ela comigo. No final de tudo, rimos bastante, troquei de jaqueta e cheguei a dar um abraço nela. Coitada, não deve ter entendido nada, que hóspede é essa que sai abraçando os outros?
Peguei um táxi e ele quase voou pelas ruas de Seul, incrivelmente sem trânsito. Eu estava nervosa, não tinha assinatura no bilhete. Será que era ? Eu queria tanto vê-lo de novo! Estava adorando aquele "vínculo" que tínhamos criado, ele era tão bacana e amável! Dava gosto de ficar perto dele...
Saí correndo até a árvore, minhas bochechas ficando vermelhas por conta do calor. Na realidade, estava um frio do cão e uma chuvinha fraca, chata e constante insistia em cair. Pensei em me encolher no casaco, mas estava morrendo de calor, e me via tirando-o a qualquer minuto. Eu sou uma pessoa meio "drama queen", então esperava chegar, o "admirador secreto" olhar pra mim e me beijar apaixonadamente.
BANG! Larga de ser fail, garota!
Certo, hora de cair na real. Qual é, não ache que sou muito dura comigo mesma porque eu sou mesmo e ninguém tem nada com isso. Como eu poderia ter pensado que ia me encontrar com um membro do Super Junior? O dia anterior tinha sido a continuação de uma tremenda sorte. Devo ter aberto algum biscoitinho chinês ou alguma coisa do gênero. Por que a minha sorte não se extendia pra "acertar na loteria"? Com dinheiro, eu poderia viajar pelo mundo, ir até a Tailândia, dar um tiro na cara das mc's bestas, visitar a Inglaterra, a Espanha, poderia até ir em Plutão...! Se bem que Plutão perdeu o status, né, mas ainda assim é um ex-planeta interessante.
Quando é que apontaram pra mim e disseram "Tenha sorte, garota, hora de mudar o rumo da sua vida!"? Eu não poderia ter perdido um momento tão interessante da minha vida dessa forma... o que eu deveria estar fazendo? Dormindo? Harry Potter recebeu um "Boa sorte, Harry Potter" ; Tio Ben (?) disse que "grandes poderes traziam grandes responsabilidades" ou algo desse tipo, quase morrendo. Edward deve ter dito, "Bella, eu sou o vilão" enquanto ela comia bolinhos. Nesse ponto, eu gosto dela. Somos duas lerdas, mas eu ainda sou mais. Antes que pergunte, sim, parei de ser idiota e finalmente li o livro da saga Crepúsculo. Amo livros e filmes, mas não curto quando eles andam tão juntos. Veja Harry Potter, foi dividido em malditas DUAS partes!
Ah, anyway! Eu não lembro quando comecei a ter essa sorte. Ou coincidência. Vamos deixar sendo esse segundo.
Dei por mim quando já estava parada defronte a árvore do dia anterior, ofegando. Quanto teria corrido? Quanto alguém deveria estar rindo da palhaça aqui, que saiu correndo rua afora, Palácio adentro, atrás de uma maldita árvore? Balancei a cabeça. , , você precisa parar de acreditar nos outros! As pessoas não são boazinhas, você não pode confiar na sua sombra! São pessoas assim que o homem do saco curte levar!
- Olá! - um carão materializou-se na minha frente, me assustando. Gritei. - Te assustei?
- Não, imagina! - pus a mão no peito, ofegando. - Só quase tive um ataque cardíaco! - sorriu, puxando um guarda chuva do bolso e abrindo-o. Era preto.
- Achei que não fosse vir, está bem frio, hoje. - confirmei com a cabeça, de leve.
- Você que mandou a mensagem?
- Quem mais poderia ser? - ele deu de ombros.
- ?
- Ah, não, não! - ele sorriu. - ainda está babando no travesseiro, estamos de folga, hoje. Os dois.
- E por que não trouxe ele?
- tem dormido muito pouco, nos últimos dias, não queria atrapalhar seu sono de beleza. - Que meigo isso. - Por que?
- Queria vê-lo. - confessei, com a voz fraca. E queria mesmo. Eu acho que tinha me "apegado" a ele. Eu sentia a necessidade de abraçá-lo novamente, e sempre que fosse preciso. Estava me tornando dependente demais para ser coincidência.
- Se eu levar você pra vê-lo, você passa o dia comigo?
Minha cabeça deu um giro de 360 graus. Eu tinha escutado bem? queria passar o dia de folga dele comigo! Eu! Euzinha! Botão da realidade, onde está você?
- Não! - respondi, injuriada. Eu tinha a ligeira sensação de que ele iria começar a tentar ser legal porque sabia que era meu predileto no grupo.
- Nem se eu te levar pra ver o ? Ele iria gostar muito de ver você.
- E eu iria adorar vê-lo de novo. - me abracei, com frio. Aposto que se fosse o , eu estaria mais feliz e quentinha. pôs o guarda chuva na minha cabeça e de repente parei de sentir os pingos gelados no meu rosto.
- Eu te levo até ele. Vamos. - segurou minha mão e passou-a por dentro de seu braço.
Fiquei em silêncio a ida inteira, pensando em quanto estava sendo absurda. Não só por estar andando de braços dados com o , mas por ter me apegado daquela forma com . Eu tinha dois irmãos mais velhos que poderiam desempenhar esse papel, mas eu não me sentia parte deles. Éramos e somos conhecidos, não somos irmãos. Suas esposas não são minhas cunhadas. Meu sobrinho não posso chamar de meu sobrinho.
Nunca tinha visto na minha vida além de internet, mas me sentia parte da família dele. Quando ele chora, eu choro. Quando ele sorri, automaticamente sorrio. Se ele casar, posso dizer que a garota será, sim, minha cunhada. Se tiverem filhos, eles sim serão meus sobrinhos. Era errado, eu sei. Mas, agora que o conheci, a sensação se intensificou. Sei que ele tem defeitos, como qualquer outra pessoa nesse mundo, podem ser os piores; mas ainda assim vou amá-lo como um irmão mais velho que eu nunca tive. Meus problemas são meus problemas; mas, às vezes, se não colocarmos pra fora o que a gente sente, aquilo vai acumulando, virando bolas de neve, até que explode. E eu, mais do que ninguém, posso dizer que essa afirmativa é verdadeira. Quando explodo, tendem a achar que é apenas um ataque de TPM. Ninguém percebe que o buraco é mais embaixo. Me chamam de bipolar. Eu me chamo de alguém que precisa de um ombro amigo verdadeiro e tolerante.
soltou-se levemente do meu braço ao fechar o guarda chuva e eu percebi que devia ter passado um bom tempo até chegarmos no prédio onde ele morava. Pus as mãos nos bolsos de trás da minha calça jeans, mas soltou uma delas e pôs em seu braço, como antes. Eu não reclamei. Ainda estava pensando nos meus dramas pessoais e tinha chegado a uma triste conclusão: eu precisava de mais do que nunca.
Ele logo pôs a chave na porta e a empurrou. Tirei meus sapatos, ele tirou meu casaco molhado, colocando-o em um cabideiro atrás da porta. Parecia que muita coisa havia mudado. segurou minha mão novamente e me puxou pelo corredor, e, abrindo uma porta, vi dormindo. Parecia um anjo, uma criança, um bebê. Meus olhos queriam encharcar-se, mas me controlei bastante. Foi naquele momento que eu percebi que estava irrevogavelmente apaixonada por ele. Mas não de uma forma romântica, como um homem e um mulher, mas de uma forma afetuosa, como um irmão e uma irmã. Era errado, não era errado, era certo, não era o certo. Ah, droga, qual é a alternativa certa?
Agachei-me perto de sua cama e pus a mão em seus cabelos, acariciando-os de leve. Por que tínhamos que ter nascido em famílias diferentes? Se ele tivesse nascido na minha família ou eu na família dele, eu seria uma pessoa melhor. Alguém que não guarda ressentimentos, alguém que aprende a perdoar, alguém que aprende a sabe lidar com as diferenças de uma forma mais doce. abriu os olhos e sorriu quando me viu. Fiz o mesmo.
- Bom dia.
- Bom dia! - ele se espreguiçou. - Que faz aqui?
- Topei com o seu amigo e ele me trouxe aqui.
- Disse a ela que, se saísse comigo hoje, iria trazê-la pra te ver! - ouvi atrás de mim, mas abstraí por completo a sua presença.
- Ai, que horror! - pôs o travesseiro no rosto. - Você me vir assim, acordando, nojento de sono, sem maquiagem.
- Você fica melhor assim. - ri. se sentou na cama, coçando os olhos. - Oppa...
- Sim? - ele lutou para manter os olhinhos apertados abertos. Eu não pude evitar meu sorriso.
- Me dá um abraço? - ele abriu os braços e eu apertei os meus em seu pescoço. Apertei-o muito forte e ele também, apesar de ainda estar com sono. Podia ler sua troca de olhares com o , "O que deu nela?", mas eu não liguei. - Obrigada. - sorri, quando o soltei.
- Aconteceu alguma coisa? - ele passou a mão na minha bochecha. - Por que está chorando?
- Não estou. - sorri de novo. - Você é uma pessoa maravilhosa, tenha sempre isso em mente. Ok?? - ele concordou, embora confuso, mas eu não me importei. - Desculpa. - ri. - Eu só.. acordei precisando muito de um abraço. E você é a única pessoa que tem o abraço que eu sempre sonhei.
sorriu, novamente confuso e eu não tiro a razão dele. Eu acredito que, nessa vida, a gente tenha uma outra metade para tudo. Para uma partida de vôlei, pra uma de futebol, para uma rodada de bebida, de pão de queijo, de abraço. E ele era a minha alma gêmea de tudo, eu tinha a plena certeza disso. Ok, não de tudo tudo, mas de grande parte das coisas da vida.
- Desculpa. - me levantei e fui até , parando do seu lado. - Desculpe acordá-lo, oppa, e desculpe pelo abraço.
- Se você me pedir pra plantar bananeira aqui, eu faço sem problemas. - rimos os três.
- Então plante. - apontou para a parede e tacou um urso de pelúcia que estava no chão. - Vou sequestrá-la um pouco. Depois devolvo.
- Me sequestrar? - ri.
- Me traga ela inteira no final do dia ou acabo com a sua coleção de figurinhas, ok? - apontou. Rimos os três. - É sério. O toque de recolher é às sete.
- oppa, eu não tenho cinco anos!
- Dez. E é minha oferta final!

Acenei para ele quando saí do quarto bagunçado e respirei fundo quando sentei para amarrar meus tênis. Quando me levantei, tirou meu casaco de vista e desapareceu com ele, voltando com outro, escuro.
- Está frio, lá fora. Se você fica doente, me arranca a cabeça! - ri, já fora do apartamento. - Ele ficou falando de você até dormir, vocês já se conheciam?
- Não. Quero dizer, nos conhecemos naquele dia, que você apareceu também.
- Ah. - ele apertou o botão do elevador e ficamos em silêncio até ele chegar. - sshi?
- Sim? - sorri, mas ele não estava sorrindo.
- Você está bem? - ele estava cauteloso. - Sabe, podemos dar uma volta outro dia.
- Deu pra trás, é? - ri, cutucando. Ele não mudou a expressão. - era uma pessoa muito importante pra mim. Continua sendo, muito mesmo. - pisquei para ele. - Pra onde vai me levar?
- Alguns lugares.
- Que lugares? Se vai me sequestrar, preciso saber pra onde.
- Se é um sequestro, você não deveria saber.
- Você está me sequestrando com o meu consentimento, logo, devo saber pra onde está me levando!
O elevador chegou no que eu achei que fosse o térreo, mas ao contrário do que eu pensei, era o estacionamento. apertou um botãozinho e um carro iluminou-se rápido. Nós íamos mesmo sair de carro? Abri a porta e me sentei, sentou-se do lado do motorista e pôs o cinto.
- Você sabe dirigir?
- Eu tenho carteira... mas morro de medo. - suspirei. Ele riu.
- Vamos trocar. - ele tirou o cinto, arregalei os olhos. - Que houve?
- Eu não sei tirar o carro da garagem, não!
- Não tem grandes mistérios, se você tem carteira, já fez isso. - continuei parada. - Vem, troca comigo!
- Eu não vou dirigir o seu carro, ! - ele ergueu uma sobrancelha e perguntou "Por que não?". - Bo-bom.. pra começar eu não tenho carteira internacional.
- Eu me responsabilizo.
- Segundo que não pego em um volante há uns quatro meses. - ele segurou minha mão e pôs no volante.
- Pronto, você acaba de pegar no volante. - riu. - Relaxa, eu te ajudo.
- Você não tem paciência...
- Quatro anos vivendo com os demais membros do Super Junior me fez criar paciência, como em uma árvore. Confie em mim. - respirei fundo. - Você não quer mesmo?
- Ta-talvez outro dia? - eu não conseguia afastar meu desespero. Na época da auto escola, eu já tinha feito tanta barbeiragem que até Deus duvida... Me lembrei do dia que meu pai disse, "Vou te ensinar a estacionar" e eu quase atropelei um ciclista. No meio do nada!
deu um sorrisinho sacana quando pôs o cinto novamente e ligou o veículo. Era meio esquisito pensar que estava saindo com ele, meu preferido do Super Junior. Era esquisito pensar que estava tão perto dele, meu braço nem esticava muito para tocá-lo. Se eu contasse pra alguma de minhas colegas... ninguém iria acreditar. Ou você acha que seria normal você dizer, "Estive com o hoje e ele é muito engraçado" ou " é um amor de pessoa"? Com certeza iriam te internar! E meus pais? Já ouvia o discurso de "Ele é um desconhecido, não se sai com desconhecidos, ficou maluca?" e mais bla bla blas.
- Me conte sobre você. - a voz dele cortou meus pensamentos. Estávamos andando. - O que faz da vida, por que escolheu a Coréia do Sul, a história do dia dos namorados - ele deu uma risadinha. - Eu não entendi muito bem.
- Bom.. eu sou formada e não sei se vou continuar na área.
- Mas se você tem só vinte, deve ter entrado cedo na faculdade. - Confirmei com a cabeça e com um barulho. - Não gosta?
- Gosto mas ando meio pra baixo com o que escolhi. Eu não pensei com calma no que eu queria fazer... - suspirei. - Eu não escolhi a Coréia do Sul. Gosto muito da música coreana e meus pais que bolaram tudo. Na verdade, se eu tivesse que escolher algum lugar pra ir, seria o Japão. Porque lá é legal e colorido.
- Se eu te fizer uma pergunta, você me responde? - ele me olhou, sem perder o foco do trânsito. - O que te atrai tanto no ?
- O que isso tem a ver?
- Poderia me responder?
- Ficou com ciúmes? - e toca o "EncalhArme"!
- Por favor...
Suspirei.
- Sabe uma coisa que você não sabe explicar? - olhei para frente, onde o sinal abria e ele avançava. - Você tenta e tenta e não sai... É tipo o amor. Bom, é amor. Mas de um outro jeito. Ele é como um irmão mais velho pra mim. - dei de ombros. - Mataria por ele, só isso. - me olhou com a testa franzida. - E não ouse dizer que sou uma ELF desregulada porque eu regulo bem dos parafusos, sim!
- Eu não ia falar nada!
- Mas pensou. - cruzei os braços. - Ainda vai ficar de graça e não vai me dizer pra onde está me levando? - ele apontou pra frente e eu só vi um troço muito alto, muito fininho e muito assustador. Puxei do bolso da minha calça e comparei com a figura do meu pequeno mapa (eu não tinha me desfeito do meu roteiro). Arregalei os meus malditos olhos. Ele não ia fazer isso... - Vo-vo-você está me-me levando pra... pra...
- Pra Torre de Seul? - disse simplismente. - É. Acho que sim.
Fiquei branca como um papel. Eu e alturas não éramos grandes amigos. Assim como eu e certos legumes. Engoli em seco quando ele manobrou, minutos depois, estacionando. Até tirar o cinto foi um custo. Eu tremia bastante e estava bem gelada. parecia se divertir às minhas custas, filho da mãe!
Mas lá no fundo, eu tinha uma vozinha que ficava me dizendo para aproveitar. Só tinha ele e eu, um cara e uma garota, sozinhos, na Torre de Seul. Ok que tinha mais gente circulando, ele não parecia estar ligando pra elas, só em me meter medo, dizendo que, se eu caísse, ia ser mais legal que pular de pára quedas (e aqui eu pensei, wtf, já pulou de pára quedas?) - e... você sabe, parecia mesmo um encontro, apesar de tudo. Pense comigo. Ele me manda flores, um recadinho me chamando de "Minahhhhh(...)", me diz pra passar o dia de folga com ele, sem mais nenhum amiguinho dele por perto; me leva pra ver o , que é tipo.. mega importante pra mim... quis que eu dirigisse o carro dele e sobre o que eu sinto pelo ...
E toca o "EncalhArme!"
Voltemos a realidade. Ele não gosta de mim. E não tem motivos pra que ele goste. Ele tem milhares de fãs muito mais bonitas que eu e... por que ele escolheria a mim? Hello, né!

Quando dei por mim, estava na metade do caminho, no elevador, e segurava a mão de . Estava apavorada, eu morro de medo de lugares altos. Só fui parar de bobeira e olhar da janela do meu quarto, que é no segundo andar do prédio, no dia que eu quase... ahn... bom, vamos pular essa parte.
- Está com tanto medo assim? - riu, quando a porta do elevador se abriu e as pessoas saíram. Abri os olhos devagar, minhas pernas haviam congelado. Apesar do solzinho furreca no céu, ainda estava bem frio. - Ei!
- Eu tenho pavor de altura!
- Eu não vou te jogar daqui de cima, vamos? - ele teve que me arrastar até sair do elevador.
Um vento gelado passeou pelo meu rosto e meus cabelos, que eu tinha esquecido que estavam soltos. Estavam me esquentando, pelo menos um pouco, e agradeci mentalmente minha lerdeza em não cortá-los. me soltou e saiu andando em direção a uma coisa que parecia um binóculo. Fiquei estagnada naquele lugar que ele me deixara, estava com medo de me aproximar.
- Devia parar de ser boba e vir ver. - franzi a testa, esticando o pé esquerdo pelo menos um pouco, toda apreensiva. Ele veio em minha direção e me puxou pela mão. Apertei os olhos o máximo que eu pude, porque ele me colocou na frente do binóculo gigante, e eu me agarrei ao máximo em seu braço. - Pode olhar.
E então abri os olhos devagar, vendo carros passando, formigas passando, topos de ônibus de brinquedo passando. Mesmo assim não soltei de seus braços, mas não estava tão agarrada quanto antes. Estava até curiosa, parecia uma cidade de brinquedo.
Se isso não é um encontro, o que é?
Toca o "EncalhArme!"
- Seul parece tão calma, daqui de cima... - ele comentou, parando do meu lado, a cabeça no vidro, olhando pra baixo. Franzi a testa, quem estava agarrando, então?
Um adjusshi, um segurança, que me olhava com uma cara...
Soltei dele, pronunciando minhas desculpas em um péssimo coreano. Quando ele se foi, olhei furiosa para , que ainda parecia um idiota com a testa no vidro.
- Devia tentar, é tão bacana!
- Você parece um idiota fazendo isso!
- Faça o mesmo, é legal! - no início eu não ia fazer mesmo, por causa do pavor. Mas ele parecia tão absorto que pensei, "Ah, se ele 'tá curtindo, deve ser legal".
Encostei minha testa gigante e gelatinosa no vidro, como ele, e agora parecíamos dois babacões.
- Teria mais impacto se você abrisse os olhos.
- Tenho medo.
A mão dele tateou a minha. Corei.
- Pode confiar em mim, não faria nada que não fosse seguro.
E então o fiz. Era ainda mais impressionante do que olhar normalmente. Parecia que eu estava no céu e pudesse ver tudo e todos de cima de uma nuvem, tacando floquinhos de chuva condensada na cabeça das pessoas. Subitamente desejei um pote de pipocas.
- Seul parece mesmo muito calma...
- E isso é nem porque estamos na primeira parada. Têm mais três, vamos? - arregalei os olhos, ainda com a testa no vidro. olhou pra mim, ainda apoiado no vidro, a franja estava pra cima e ele parecia mesmo um idiota. - Se você não quiser, não vamos.
- É muito alto?
- Da primeira vez que vim, eu desmaiei antes de chegar no segundo. Mas se estou no primeiro e não estou tonto, é um bom sinal. - não respondi. riu, endireitando-se, sem soltar da minha mão. Veio até mim e passou a mão pela minha barriga, porque eu, é óbvio, já tinha congelado naquela posição. Foi uma sensação gostosa, sei lá. Me deu uma breve ponta de vergonha, porque era um cara mais velho que eu, passando a mão na minha barriga e cruzando um braço na frente do meu corpo.
De repente me senti bem próxima ao seu corpo, que recebeu várias mudanças para o novo conceito do Super Junior. Ofeguei um pouco mas não deixei que ele percebesse o que estava causando ao meu pobre coração, principalmente quando senti seus lábios encostando levemente na minha orelha. Prendi a respiração, mas ele não se moveu. Poderia matá-lo. Isso não se faz.
- Você quer ir embora e visitar outro lugar ou quer ficar mais um pouco? - disse baixo. Engoli em seco, reunindo forças e esperando que não parecesse muito idiota quando respondesse. Ou que não conseguisse me fazer ouvida, porque meu coração batia tão alto que até um baterista bêbado fazia menos barulho.
- Você decide, a folga é sua.
- Quero saber sua opinião. - o outro braço dele passou pelo meu estômago, fazendo com que ele me abraçasse carinhosamente por trás. Ele devia saber que isso é extremamente proibido com garotas que são encalhadas. Sabe, dá esperanças!
- Onde você quer me levar?
- Onde você quiser ir.
Ah, pronto, me leva pro teu quarto, garoto, me leve agora, sou toda sua!
Rolei os olhos, eu sou tão babaca...!
Virei-me pra ele, não pareceu incomodado. Continuou com as mãos na minha cintura. Por mais baixa que eu seja, eu ainda estava achando tudo aquilo muito irreal, mas precisava olhar nos olhos dele pra poder perguntar. Era uma sensação muito... de deja vú. Você já teve? Sensação de que já aconteceu tal evento na sua vida. Mas não encontrava a definição correta pra situação. Meu primeiro e único namorado não era tão fofo a ponto de me abraçar dessa forma. não era meu namorado, mas eu sentia que poderia...
Talvez estivesse lendo muitas fanfics, nos últimos dias. Precisava parar de frequentar o Lollipop...
- Tirando a parte de me trazer para um lugar alto... Por que está sendo tão legal comigo? - perguntei. me soltou, pôs as mãos nos bolsos da calça e olhou para além do vidro. Fiquei parada, esperando sua resposta. Por favor, fale qualquer coisa que não me dê esperanças.
- Você e o hyung têm um tipo de ligação muito forte. Percebo como você olha pra ele e ele pra você. Você parece gostar muito dele, mesmo. Eu também quero ter uma ligação... com você. - ele me olhou, com uma estranha expressão. Parecia estar querendo me provar que a mais b era igual a c. Pisquei. - Só por isso.
- Ligação minha com o ..?
Lerdeza 1, 0.
riu, batendo com o indicador no meu nariz.
- Permite que eu seja seu oppa?
- Você já não é? - franzi a testa, confusa.
Lerdeza 2, 0.
- Vamos para o segundo deck. - ele me puxou pela mão, para o elevador, de novo.

O único momento do dia que foi um pouco mais intenso foi esse. No geral, nos divertimos muito. Comemos hambúrguer de almoço, porque ele foi tentar me apresentar ao kimchi e eu paguei o mico de sair correndo pelo restaurante pra vomitar. me ensinou um pouco de coreano, ensinei um pouco de português. Aprendemos a xingar no idioma do outro. Apesar de frio, tomamos sorvete, tiramos várias fotos engraçadas e ele me contou diversas coisas engraçadinhas sobre as pessoas que ele conhecia. é um cara bem legal quando se conhece. Ele é diferente do que as pessoas vêem em diversos aspectos. Ele tem um lindo coração, se preocupa com seus hyungs, noonas e dongsaengs, apesar de não saber muito bem como fazê-lo. Ele me explicou que, por lá, demonstrações de carinho eram meio estranhas e que entendiam mal quando ele tentava ser um pouco mais ocidental com isso. Disse a ele que eu também não sei me expressar muito bem quando gosto muito de alguém. Era a mais pura verdade, eu não sei muito bem como ser compreendida emocionalmente sem que alguém ache que estou com segundas, terceiras e quartas intenções.
- Chegamos. - ele desligou o carro. Me espreguicei, coçando os olhos. Se caísse na cama, iria apagar na hora. - Cansada?
- Um pouco. - sorri para ele, ajeitando o casaco emprestado. esticou o braço para o banco de trás e puxou uma sacola parda.
- Eu.. espero que você goste. É como um agradecimento por ter feito companhia a mim, hoje.
Ele tinha se dado ao trabalho de comprar uma coisinha pra mim? Quando, em um milhão de anos, um garoto iria fazer isso comigo? Meus primos, eu não conto; somos como irmãos, apesar de tudo, e eles me davam as jujubas vermelhas e roxas dos pacotinhos. Ainda emocionada, puxei o conteúdo do pacote, colocando a mão em algo peludinho. Um ursinho de pelúcia com formato de Stitch. Eu ADORO o Stitch, pra constar.
- Nossa, eu adoro o Stitch! - só pra constar.
- Ah, que bom que você gostou, eu estava em dúvida se trazia o Stitch ou o Sulley, os dois são azuis e são legais.
- Se você tivesse trazido o Sulley, eu também ia adorar! - mentira, eu gostava mais do Stitch! - Obrigada, oppa!
- Já te pedi pra me chamar de...
- oppa, ok ok. - lancei um sorriso preso pra ele, soltei o cinto e passei os braços pelo seu pescoço, exatamente como uma criança de quatro anos faria. Me espanto com a minha criancice. - Obrigada, oppa! - afrouxei-me um pouco para beijar sua bochecha.
- Não foi.. - mas ele também de virou se nossos lábios se encontraram de leve.
Eu não sei por quanto tempo eu ia ficar olhando pra ele. Meu coração voltou a bater muito forte, como naquela manhã, e todo o meu pensamento de "Ok, foi divertido e somos só amigos" deu lugar ao "Ok, foi um encontro, está tão na cara...!". Eu tinha conseguido abstrair esse pensamento por todo o dia e agora ele voltava com força total.
Voei até o meu lugar e abri a porta do carro, precisava de ar antes que eu cometesse um erro. Ok que beijar não é um erro, mas eu sentia que era. Ninguém beija alguém dentro de uma garagem, por favor....! Ou beija?
Me encostei no carro, minha cabeça estava rodando e eu apertava o ursinho no peito com tanta força que queria que ele acalmasse meu coração pelo menos um pouco. Engoli em seco quando bateu a porta e acionou o barulhinho que eu nunca lembro o nome. Mordi o interno da minha boca quando ele me perguntou se eu não ia subir e falar com o "papai" que tínhamos chegado. Foi o que me aliviou um pouco. A situação estava mesmo muito estranha e eu queria que voltasse a pensar nele como um bom amigo. Esquecer de que ele era meu favorito e que ele queria uma "ligação" com a minha pessoa. Quer ligação? Faça um 21 e estamos resolvidos!
- Papai , chegamos! - a voz de me acordou novamente do devaneio. Tirei os tênis e o segui, até que apareceu no corredor. Olhou o relógio na cozinha, no próprio pulso e olhou pra nós.
- Dez e um!
- Desculpa, papai, eu não vou mais me atrasar! - rimos os três. Era uma situação muito constrangedora, mesmo... - Bom, eu vou tomar um banho. , você leva a pro hotel?
rolou os olhos.
- Você ainda pergunta? - rimos novamente.
- Obrigado por passar o dia comigo, sshi, foi muito legal ter uma companhia - ele olhou para - que não quisesse ficar dormindo o dia inteiro!
- Ei, eu viajo toda hora, eu tenho quatro fusos no meu corpo, acha isso legal? - quase gargalhei.
- Até, sshi.
- Até, ... digo... oppa. - e então, todo desajeitado, me deu um beijo no rosto. Por dentro, meu pobre coração dizia pra agarrá-lo de uma vez, mas eu não sou uma garota dada. Ou sou?
pôs os tênis e então saímos do prédio minutos depois. Ainda estava choviscando, mas muito fraco. A noite estava sem estrelas e a única luz local era cedida pelos postes luminosos espalhados pela rua.
- Colocou o sono em dia? - perguntei.
- Sono... eu precisava dormir. - ele passou a mão no rosto. - Ando muito cansado, viajando toda hora, me desdobrando tanto...
- É o que faz de você uma pessoa diferente. - constatei. Ele me olhou. - É sério. Se eu fosse você, acho que não teria o mesmo pique de acordar tão cedo, passar o dia trabalhando em ritmo frenético, quase sem tempo pra comer e dormir.
- Por uns momentos, adoraria ter a calma da minha vida antes do Super Junior. Pelo menos descansava um pouco, quando não estava com a bunda presa na carteira, na escola. - sorri. passou a mão pelos meus ombros, fazendo com que eu andasse entre ele e os muros. Uma vez, meu pai me disse que fazer isso era atitude de um cavalheiro; não deixar que a dama passe perto da rua. Se tiver que acontecer algo, como uma poça de água, molhará ele e não a mim. Quando fez isso, percebi que ele era mesmo um cavalheiro. - O que você e sshi fizeram hoje?
- Fomos na Torre de Seul, tomamos sorvete, comemos besteiras, conversamos... essas coisas. - ele não parecia convencido. - Aconteceu alguma coisa?
- Não, não. - ele sorriu. - Amanhã teremos uma gravação na English Village, queria que você fosse.
- Se eu puder ir, estarei lá.
Estávamos perto do hotel quando ele parou na minha frente e segurou a minha mão. Era estranha a expressão que ele tinha no rosto, parecia que queria ter certeza.
- Certeza? - não disse?
- Claro, por que não? - sorri ao vê-lo sorrindo. Era automático. - Ainda mais sendo um convite seu. Se te satisfaz minha presença... - dei de ombros. Eu estava tentando não ser "blasé", mas eu não tinha palavras pra expressar que eu adoraria ir com ele, seja lá pra onde fosse. Ele iria me proteger sempre e eu tinha plena certeza disso. Não sabia mais como ia ser voltar pra minha casa. Meu inglês saía quase que fluente, estava aprendendo um pouco de coreano (ok, só palavrões) e o principal, eu estava grudada em como mosca na mussarela. Tinha a plena certeza de que iria desaprender as coisas que tinha aprendido durante vinte anos de vida se me separasse dele ou de . Estava errado. Mas era verdade.
- Então eu vou vir te buscar amanhã de manhã, ok?
- Que horas?
- Seis horas? - arregalei os olhos. - Sete horas no máximo, porque temos que estar na rua às sete e meia.
- Feito. - sorri o máximo que eu pude, ele me abraçou forte. - Então até amanhã?
- Até amanhã! - beijei sua bochecha e me virei para entrar no hotel quando ele me chamou. Pensei que ele tinha esquecido alguma coisa, sei lá, como "tipo de roupa"? Vai que é um troço de gala, eu tinha que ir bem arrumada, né...
andou decidido até mim e me beijou.
É, você leu direito, ele me beijou.
- Boa noite.
E saiu meio que correndo.

Fiquei com aquela cara de pastel queimado, parada na porta do hotel. Sem saber o que eu deveria fazer.
Olhei pro céu. E pedi a Deus que me desse uma resposta.
Ele mandou um tremendo trovão, seguido de uma chuva forte.
Obrigada, São Pedro!


C A P I T U L O • 5


Lei do universo: O acaso é um Deus e um diabo ao mesmo tempo.

Pode parecer exagero, mas eu não preguei o olho naquela noite. Primeiro porque estava chovendo muito e eu estava preocupada. saíra sem um guarda chuva e eu não queria que ele ficasse resfriado. Apesar do que tinha acontecido, é, eu ainda me preocupava muito com ele. Se bem que, pelo tempo que fiquei parada na rua, não sei como não caiu um raio na minha cabeça. Uns cinco minutos depois que foi embora e me deixou com aquela cara, o capitão porteiro apareceu e pôs um guarda chuva na minha cabeça, dizendo pra entrar antes que ficasse doente. Não entendia por quê o pessoal do hotel era tão preocupado comigo. As recepcionistas eram muito simpáticas, os rapazes me tratavam como uma princesa. Camareiras, porteiros, maleteiros, todo mundo me tratava tão bem que dava pra desconfiar. Eu tinha anotado na minha cabeça de perguntar depois.
Mas voltemos ao que aconteceu.
Espirrei algumas vezes enquanto tomava banho quente e pensava no que tinha acontecido. , o cara que eu considero irmão mais velho, mais irmão do que os meus próprios; , a quem eu devia muitas das vezes meus sorrisos sem perceber; , que eu sempre sonhara em abraçar e continuar grudada até a morte - tinha me beijado. E não tinha sido um beijo na bochecha; foi um beijo de verdade, ou, como dizem no Brasil, um tremendo colante com pegada. Eu estava incrivelmente confusa, que raios eu ia fazer da minha vida?
Como disse, não preguei o olho naquela noite. Virava de um lado para outro, sentava, tomava água, tentava ler, nada. Decidi abrir meu laptop e acessar meus e-mails, blogs, essas coisas. Quando abri meu twitter, eu tinha duas mensagens privadas. A primeira dizia:

Diz pra mim que você não é a menina da foto, !


Cliquei no link que estava na mensagem e vi o casaco jeans que me emprestara. Estávamos de costas pra foto, olhando para Seul pelo vidro da torre. Graças a Deus, separados. Me perguntei quando havia tirado aquela foto, só me lembrava de ele ter dito que ia no banheiro uma vez. Talvez tenha sido naquela hora. O pior de tudo era a legenda: "O melhor dia de folga que eu já tive!" e os comentários embaixo? "Oppa, quem é?", "Oppa, se divertiu?", "Oppa, é sua namorada?", "Oppa, eu te amo!". Engoli em seco. Se descobrissem que era eu, podia dizer adeus aos meus planos utópicos de casar aos 26.
A segunda mensagem, da mesma pessoa, me perguntava se eu havia me divertido na Torre de Seul e se por acaso eu tinha encontrado e a "Vagabunda" da foto. Engoli em seco. Eu já era chamada de vagabunda? Como podia isso? Ok que eu sou uma garota besta, na maioria das vezes e que todo mundo pensa errado, porque eu sou legal (é sério, principalmente os garotos, eles acham que eu estou dando mole) - mas vagabunda?
Demorei uns minutos pra responder às duas mensagens, não queria abrir a caixa de replies. Tinha medo do que poderia ler, ainda mais que umas trezentas pessoas novas agora queriam me seguir. Passei as mãos no rosto, o que eu ia fazer?

No dia seguinte, acordei mais cedo do que tinha planejado. Como o hotel era perto da casa deles, pensei em acordar seis e vinte, dava pra fazer tudo com calma. Mas seis e vinte eu já estava entediada de ficar no quarto, lendo todos aqueles replies. Eram de assustar, sério. Ok que alguns eram fofos, como "Unni, diga ao oppa que eu adoro ele!" e outros eram medonhos, como "Tu nem ouse chegar perto do MEU , senão você está MORTA!". Isso em português! Imagina os comentários em inglês, filipino (de onde brota tanta gente daquele lugar?), chinês e malaio! Sério, era de dar medo! Como queria que fossem fãs do Bieber, mas não, tinham que ser ELF's! A juventude do meu país está precisando de reformas severas...
Quando saí do restaurante do hotel, a recepcionista Lim me chamou. Era a mais adorável e simpática de todas. Me apontou para uma garota que estava sentada na poltrona do lobby e me disse que ela queria falar comigo. Me perguntei mil vezes o que tinha acontecido, mas ia descobrir de uma forma ou de outra, não? Assim que me viu andando em sua direção, ela se levantou, ajeitou a bolsa no ombro. Tinha um expressão neutra, mas eu estava com os dois pés atrás.
- Meu nome é Ann. - despejou de uma vez, ainda com o tom de neutralidade nos olhos. Cumprimentei-a com um aceno de cabeça, balbuciando que me chamava . - Olha, eu sei o que você está pensando em fazer e eu quero te dar um primeiro aviso antes que seja tarde demais.
- O que quer dizer com... - e, para a minha surpresa, ela esticou uma fotografia do me beijando. Era de lado, a foto, tinha fechado os olhos e eu ainda estava com os meus bem abertos, exatamente como aconteceu. Senti minhas bochechas queimarem quando segurei a fotografia. Pro meu espanto, ela puxou outra, do dia anterior também. estava me levando pro apartamento deles e estávamos debaixo do mesmo guarda chuva. Se não fosse eu, poderia dizer com todas as palavras que pareciam um casal de namorados, passeando na chuva.
É, acho que minha mãe pode começar a encomendar meu lugarzinho no cemitério da cidade...
- Como você pôde fazer isso? - Ann parecia enojada. - Sair com um e beijar outro! Eles são grandes amigos, você sabe o que está fazendo? - eu não conseguia falar nada. Tinha alguma coisa presa na minha garganta, que não subia nem descia, só ficava lá, paradona. - Você deveria me agradecer de que não mostrei isso pra ninguém. Era o meu dia de monitorá-los. - monitorá-los? Eles agora são ratos de laboratório? - Eu vou fingir que não tirei essas fotografias e que não vi nada se você me prometer que vai se afastar deles. Caso contrário, eu vou espalhar essas duas fotos pelo mundo afora e daí você vai ver como as coisas funcionam no mundo das ELF's.
Ann girou nos tênis, provocando um barulho no piso e saiu pela porta transparente do hotel. Minhas mãos tremiam ao segurar as duas fotos e eu já não conseguia mais respirar. Eu não estava fazendo nada! Não tinha sido culpa minha que havia... você sabe o que e tivesse me convidado pra passar o dia com ele! Olhei novamente para as duas fotos, por que não tinha sido ao contrário? me beijando e passando o dia com o ? Mas ia dar no mesmo, não?
Por um segundo pensei em rasgar as duas fotos e seguir com a vida, fingir que nada havia acontecido. Desde o início, não tinha conhecido nenhum Super Junior, não tinha passado dia com nenhum deles, nada havia acontecido! Era tão fácil...! Ou não. Ainda tinha a bolinha de totó presa na minha garganta e a faca cravada no meu peito. Lim me perguntou se tudo estava bem, eu disse que sim, dobrando as duas fotos e colocando no bolso do casaco. Passei a mão no canto do olho, minha cabeça estava doendo. Senti o ímpeto de correr pro meu quarto e continuar lá o resto dos dias de viagem mas se eu não saísse, ia ser bem pior.
Acenei, tentando sorrir, e andei rapidamente até a porta de vidro do hotel. Mas fui para o lado errado, que não abre, e dei uma cabeçada no vidro, óbvio. Quando levantei a cabeça, vi parado do outro lado, com um olhar meio perdido, meio confuso. Quando a porta se abriu, saí andando pelo dia frio, não queria olhar pra trás. Eu confesso, estava com um pouco de medo. As palavras de Ann não paravam de ecoar na minha cabeça e, juntando com a pancada, tinha me dado uma tremenda dor.
me alcançou e eu não resisti quando ele me puxou pela mão em direção ao prédio deles. Ficamos em silêncio o trajeto todo, não havia o que falar. Não sei ele, mas eu não iria perdoá-lo pelo que tinha feito na noite anterior. Eu me sentia suja. Sei que nunca, em um milhão de anos, poderia ser meu irmão ou qualquer parente meu, mas eu me sentia como se tivesse provocado um incesto. É uma sensação muito esquisita você beijar um irmão, ou melhor, deve ser. não era meu irmão, mas eu ainda me sentia muito mal. Eu não sei explicar...
Chegamos na garagem do prédio, e na minha cabeça começaram a voltar os momentos que tinha passado com . Tinham sido meio mágicos, apesar de não querer pensar nele como um "garoto em potencial pra namorar". A vida pode ser horrível. Em um momento, você deseja que um cara se interesse por você e, no outro, você quer que todo mundo a deixe em paz. sorriu ao me ver. Como posso ser ruim? Não queria ser considerada a Yoko Ono do Super Junior...
Fui apresentada a todo mundo, me curvei em todas as vezes e disse "bom dia" e "prazer em conhecê-lo". Percebi que tinha alguém me olhando sem parar e quando dei por mim, era Henry. Zhou Mi estava parado na frente dele e sorria de forma doce. já não era mais meu pôrto seguro, por isso caminhei até Zhou Mi e abracei-o sem dó nem piedade. Foi esquisito porque sempre achei que Mimi era magrecela demais e fosse só osso, mas ele estava malhando e parecia ter como apertar. Ele me abraçou de volta, falando comigo e tudo o mais, mas não respondi.

Como agora estavam todos juntos, tiveram de dividir a van. Eu já estava mais "esperta", então, quando o manager me perguntou em qual eu gostaria de ir, eu me grudei em Zhou Mi. Na mesma hora, e , que iam na outra, resolveram trocar. Tinha escolhido a de Mimi pra me ver livre deles e nem assim conseguia! De qualquer forma, me sentei entre a janela e ele, respondendo àquelas perguntas básicas que todo estrangeiro precisa responder. Foi só por isso que eu relaxei um pouco. Era bem mais fácil mirar o Henry do que , que olhava pra janela, e que olhava de um pra outro e ria.
- Você é do Brasil? - o manager perguntou. Por pouco não rolei os olhos, olhando pra minha blusa verde que dizia "Brasil" em amarelo. Ele é cego ou o que? - A comida é boa?
- É gostosa, mas dá sono. - dei de ombros. - Um dia, se puderem, comam feijoada. - e morram dormindo, muahuahua!
Confesso que a minha vontade era voar para o banco da frente e grudar em , mas eu agora me sentia muito estranha em relação a ele. Se ele não tivesse feito o que fez, não seria daquela forma, e, que saco, por que eu não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido? Toda vez que o fazia, me sentia sem graça e magoada. De qualquer forma, eu ainda gostava muito dele. Gostava.
Chegamos no English Village às nove e meia da manhã. O trânsito estava uma verdadeira droga e eu ainda tinha a voz de Ann na minha cabeça. O "como você pôde fazer isso? agora tinha vinte mil remixes, todos contendo horas. Saí da van e olhei para o lugar, grande e muito estranho. Só me passava o "Full House" pela cabeça, e todo mundo nele falava "Como você pôde?".
- Oi. - me tocou no braço e eu levei um susto sem motivo, porque ele tinha sido até delicado. - Desculpa. - sorri sem graça, ainda com as mãos nos bolsos da calça. - Não nos falamos.. você está bem? - confirmei com a cabeça. - O que aconteceu?
- Por que? - minha voz saiu fraca. Dava tão na cara assim?
- Você parece distante... fiz alguma coisa que você não gostou?
Toca o Culpa Alarme! Pobre , ele não tinha nada com o meu "drama" com o , agora ele que estava levando o pato..
- Acho que vou ficar resfriada. - ok, ok, meia verdade. tirou o próprio casaco e pôs em mim, me senti mais quentinha. Disse ele que ia ter que trocar de roupa de qualquer forma e não queria me ver doente.
Como me senti mal!
- Preciso ir...
- Ok. Vejo você depois. - fiz um "joinha". - Fighting!
- Até depois, pequena. - e bateu na ponta do meu nariz novamente, dando um sorriso tão bonito que, se eu não tivesse que me preocupar com outras coisas, poderia derreter. E pensar que sim, ele estava afim de mim!
De qualquer forma, o segui até o salão onde eles faziam a maquiagem e me sentei em um canto pra ver. Ou pelo menos ficar tonta, porque era muita gente circulando, cabelos voando, pó de maquiagem esfumaçando no ar, barulho de araras de roupa, gente se chamando, uma loucura.
- Oi. - Henry se sentou do meu lado, mas não reparei, porque estava observando todo mundo voando. - Também está zonza? - fiz que sim com a cabeça. - Depois você acostuma. No início eu tive uma dor de cabeça horrorosa, mas nada que o tempo não resolva. - Ahn? Olhei pra ele, aquela coisa apertável com bochechas sentado do meu lado. Henry era tão branquinho que, comparado a Heechul, ele era um pedaço de papel em branco. - Como você se chama?
- . - eu não ia perguntar o nome dele. Primeiro porque eu não estava muito afim de papo, só queria ficar quietinha em um canto, sem perturbar ninguém. Quanto mais me esquecessem, melhor. E segundo porque era.. meio óbvio. - Quer dizer que vou ter dores de cabeça?
- É que nem injeção, varia de pessoa pra pessoa. - Franzi a testa pra ele, voltando a olhar a correria. Mas eu sabia que ele ainda estava me olhando. - Como chegou aqui?
- Digo.. hyung e hyung parecem se preocupar muito com você. - corei. - Pode contar pra mim, eu guardo segredos.
- Por que eu contaria pra você? - ergui uma sobrancelha, sem olhá-lo. Eu não queria ser grossa, entende, mas ele parecia ávido por uma fofoca. - Bom - começei - eu não sou namorada de nenhum deles, se é o que está pensando.
- Eu não pensei em nada. - Ahan, Henry, e eu sou a Angélica, vê minha pinta na perna?
- Seu hyung me salvou de um cara muito esquisito, que me carregou prum beco. Foi comigo na delegacia, fizemos uma ocorrência e desde então ele não me deixa em paz. - rolei os olhos internamente. Até parece que eu estava odiando. Apesar de tudo... era , não era? - E seu outro hyung, ?, por tabela grudou junto. É a velha história da vaca e do boi, "onde a vaca vai, o boi vai atrás". - Henry riu de novo. - Não que eu esteja chamando de vaca e de boi, mas... ah, foi isso. - tentei me recostar e virei cambalhota, porque estava sentada em um banco que não tinha recosto. Henry só não riu mais porque me ajudou a levantar. Óbvio, morri de vergonha.
- Você está legal? - segurei sua mãozinha e levantei. Vermelha.
- Acho que sim. - sorri, ou tentei. Limpei meu braço e sentei, com o braço em questão doendo um pouco. - Mais alguma pergunta?
- Seu inglês é bom.
- Isso não foi uma pergunta.
- Foi uma pergunta interna, "de onde você é?".
- Brasil.
- Que veio fazer...
- Presente de aniversário.
- Que é...
- Treze de Junho.
- E fará...
- Vinte e um. Henry, pare de falar assim, irrita, sabia? - ele sorriu de novo. Caramba, eu estava um saco! - Desculpe. - eu estava estressada demais pra duas horas acordada e "interagindo". Primeiro a tal Ann, daí depois aparece e todo mundo e Henry... - Eu ando meio irritada.
- Sem problemas. Minha irmãzinha é pior que você. No final das contas, vocês, garotas, são bichos estranhos.
- Pelo menos eu não tenho cara de arroz. - ergui uma sobrancelha e cruzei os braços, olhando pra ele. Henry envesgou os dois olhos, me fazendo rir.
Nós não prolongamos muito o papo. Ele precisava se arrumar também. Pescando uma coisinha ali e acolá, descobri que fazia parte de gravações pro próximo Super Show. Tudo era pro Sushow, era estranho pensar naquilo. Eu sempre quis ir em um, mas eu morava literalmente do outro lado do mundo e isso era triste. Lia relatos das minhas coleguinhas da Indonésia, Filipinas, Malásia, etc etc, praticamente todo mundo já tinha ido. Eu ainda tinha aquela pontinha de esperança de estar no aeroporto e por acaso sair um Super Junior do portão de desembarque internacional, ia ser bonitinho.
Uma mão segurou a minha e eu me vi em pé. Minha cabeça estava rodando um pouquinho, porque... né!? Segui dos dedos, pela manga jeans escura até a gola, subindo do pescoço para o rosto, vendo maquiado. Ele era bonito sem maquiagem, parecia mesmo um cara comum; com maquiagem, ficava com cara de idol. Agora que conhecia os dois 's, com e sem maquiagem, ficava dividida se gostava mais do "garoto comum" ou do "garoto idol". Todos dois eram um amor. Ele sorriu ao ver minha cara confusa e pôs minha mão em seu braço.
- Pronta pra ver uma filmagem, srta. ?
- Eu não sou .
- Se você é irmã do , é uma . - obrigada por me fazer voltar ao estado catatônico do dia anterior, ! - Que foi?
Prendi a respiração. Além de me lembrar da noite anterior, vi Ann ao longe com uma outra garota. Ela pelo menos tinha um crachá e nunca agradeci tanto aos céus na minha vida por aquela gravação ser fechada. Ninguém saía, ninguém entrava, só quem tinha crachá. Ann lançou um olhar congelante pra mim, pelos ombros da outra garota, me senti amaldiçoada para as próxima vinte encarnações. Eu não estava fazendo nada de errado. foi quem fez o que fez e, agora, estava em dúvida, eles tinham invertido os papéis? estava extremamente doce comigo, dava pra desconfiar. Pensando no que havia acontecido nos primeiros dias e comparando com agora, é, eles haviam mudado muito. estava distante (aí eu já posso dizer que a culpa era minha, porque queria ficar longe.. mas por que?) e fazia questão de ficar ao meu lado. Mesmo sendo maquiado, ele me olhava pelo espelho que tinham instalado na parede, e, enquanto eu conversava com Henry, observei seus olhares pra mim. Via espelho. Quando me levantei da cambalhota, o vi controlando muito uma risada. Pode rir. Eu sou mesmo uma peça de teatro hilariante. Hollywood já me ligou e quer me contratar pra ser a dublê de uma famosa atriz. Pelo menos nos tombos. Viu?, sou famosa!
- Nada. - respondi fracamente, tentando desviar meus olhos dos olhos de Ann. Era impossível.
- Está com fome? - fiz que não com a cabeça. - Vou te contar a cena, então. Eu saio correndo dali de dentro - ele apontou para uma loja escrita "sorveteria", olho para os lados, vejo o , abraço ele e saímos andando pra lá. - nossa, que amor! - Que você achou?
- Fofo. - tentei sorrir. se agachou na minha frente e pôs as mãos nos meus joelhos. Olhei pra ele, tentando fingir que tudo estava bem.
- Não quer mesmo me contar o que aconteceu, não é? - não respondi. Abaixei a cabeça, novamente me sentindo culpada. Poderia contar.. e assim acabar com a amizade dos dois. Acabar com a amizade deles? Mas eles não eram nada meus! - Vou chamar o pra descobrir.
- Não! - segurei seu pulso, porque ele já estava se levantando. - Eu te conto depois.
- Tem a ver com o ? Por isso não quer que eu chame ele? - mordi os lábios e inspirei bastante. Nessa altura do campeonato, posso dizer como eu me sentia quando estava perto, não posso? Eu me sentia muito sem ar, e tinha que ficar inspirando forte e expirando devagar pra não ter um troço. Algumas vezes eu ficava com a mão suando e as bochechas vermelhas, mas queria acreditar que era coisa do frio.
- Vamos fazer assim. Vai gravar e depois te conto.
- Conte agora!
- Não!
- Conta!
- Não! - fez bico e estreitou os olhos para mim, quase encostando no meu rosto.
- Você é muito má! Vai me deixar mesmo curioso? - olhei dentro de seus dois olhinhos castanhos, vermelha de novo. Odiava essa sensação de "estar tão perto", mas eu tinha os olhos de Ann fixos na minha nuca e é, isso intimida demais.
- Trato é trato, . Oppa.
- Ok. - ele fez que ia se levantar mas não levantou. - Esperarei. - e fez uma cara tão bonitinha, parecia um bichinho - e saiu de perto de mim.
Dessa vez, olhei pra ver se tinha recosto e tinha, então me joguei um pouco pra trás, cruzei as pernas e os braços e fiquei assistindo. Ao longe, recebia instruções; do outro, era . Mais pra minha esquerda, tinha o tal lugar das maquiagens e roupas, leia-se, a loucura. Suspirei, ouvindo o diretor gritando "Ação!" para os dois.
- Ei. - com o canto do olho, vi sentado do meu lado, eu não ia falar com ele, por isso voltei minha atenção (que atenção?) para . - Não vai falar comigo?
- Temos alguma coisa pra ser dito? - poderia ter sido menos grossa, vai.
- Olha, sobre ontem, eu posso explicar. - virei pra ele.
- Então pode começar. - olhei bem fundo nos seus olhos. - ... por que você fez aquilo?
- Na realidade, eu não sei muito bem. - ele ergueu a mão pra passá-la no cabelo, mas deve ter lembrado que, se mexesse, capaz de alguém chamado cabelereiro matá-lo. Então a abaixou.
- Ninguém faz as coisas sem saber. - virei o rosto. Se eu continuasse a olhar para ele, capaz de começar a chorar. Eu não queria ficar "de mal", entende, mas queria que ele entendesse que tinha me machucado com aquela atitude impensada. - Saiba que eu fiquei chateada, porque você é como um irmão mais velho pra mim. - sei que você já deve estar cansada de ouvir isso de mim, mas gosto de enfatizar muito bem. continuou me olhando, aparentemente perdido. - Me sinto como se tivesse cometido incesto! - continuou quieto. Eu também calei a boca, mexendo as pernas um pouquinho descontrolada. - Mesmo que se desculpe, eu vou demorar pra-
- Eu não me arrependo! - virei o rosto de novo pra ele, surpresa. Ele parecia com alguém que estivesse desesperado pra falar alguma coisa, mas abriu os olhos depois de respirar fundo e segurar a minha mão. - Eu estou apaixonado por você.
Uau. Isso sim era uma surpresa!
Minha cabeça começou a rodar, parecia uma roda gigante na maior velocidade. Meu coração começou a bater tão mais rápido que eu achei que fosse cair dura a qualquer momento com a quantidade de sangue bombeado pelas minhas veias. Eu começei a sentir alguma coisa me apertando os pulmões e não conseguia mais respirar direito e, misturando isso com o sangue correndo a toda... bem, era uma sensação bem estranha.
Espera um pouco, só um pouquinho, meu bem. 'Pera lá. Eu tinha escutado direito? , o cara que eu considerava mais irmão que os meus próprios irmãos, a quem eu amava com a intensidade de mil sóis no seu núcleo - estava se dizendo apaixonado por mim? Era isso?
Quando foi que meu paraíso virou meu inferno astral?
- Desculpe. - ouvi a voz de ao longe, e então voltei a realidade. - Eu... eu não devia ter dito isso, não é?
Soltei minha mão do meio das mãos dele, me levantei e começei a andar sem rumo até a saída. Eu não tinha a menor idéia do que estava fazendo ou pra onde estava indo. Ainda ouvi me chamando, mas, assim que me vi fora dos locais de filmagem, começei a correr feito uma maluca. Não pergunte por quê fiz isso, eu também não sei. Só queria sumir, será que dava pra ir pra minha casa correndo daquela forma?
Ainda ouvi um barulho de freio muito perto do meu ouvido e lembro de ter caído no chão. Apesar de tudo, eu estava consciente de que sim, tinha sido atropelada, mas não sentia dor maior do que a que estava no coração. Nossa, que piegas. Nossa, que drama. Nossa, que inferno! Espero tanto por alguém que diga o que me disse e, quando acontece, eu saio correndo.
- Ei, garota! Preste atenção no sinal! - me levantei do asfalto gelado cambaleante. Meu corpo todo estava dolorido, mas eu não ligava. - Ei, você está bem? - estava pronta pra sair correndo de novo, mas estava com dor demais pra isso. Pus a mão na cintura, onde estava doendo mais, mas estiquei a mão e peguei um taxi. Não devia estar tão longe do hotel, bom, limites geográficos sul-coreanos e eu não somos melhores amigos ainda.

Assim que cheguei no hotel, demorei pra sair de dentro do táxi. Você sabe, eu estava com dor e mal conseguia me mexer direito. Apesar de tudo, eu não ia chorar, não mesmo. Se eu começasse, não ia parar. O taxista deve ter ficado com dó de mim, porque saiu do carro, deu a volta e me ajudou a sair. Nesse momento apareceu o Kim, o porteiro, que me ajudou a entrar no hotel. Agradeci aos dois, Kim me perguntou o que tinha acontecido e eu disse que tinha caído. Lim deu a volta no balcão e me perguntou o que tinha acontecido. Repeti que tinha caído, mas ela me olhou de uma forma que não deu mais pra mentir. Ela devia ter uns trinta anos no máximo, tinha cabelos castanhos que estavam presos, e seu uniforme era o mais impecável. Parecia sempre que tinha acabado de tirar de dentro do armário. Confessei que havia sido atropelada e ela só faltou me bater pelo descuido de sair andando. Rebati, dizendo que, se tinha conseguido levantar, pegar um táxi, aguentar meia hora de dor, tirando os dez minutos que tinha demorado pra sair de dentro do carro, acrescentando mais cinco com aquele papo, eu aguentava até dor de parto. As pessoas acham que eu não aguento muita dor, mas, dependendo da dor, aguento e muito. Não aguentei muito a dor de ter um apêndice arrancado, quando tinha 17 anos, aquilo era maldade. Mas aguentei torcer o joelho e subir quase dez lances de escada, ficar cinco horas em casa, até meu pai aparecer e me levar pro hospital. Era tudo questão da dor sentida.
Mas meus olhos estavam marejados fazia tempo e, confesso, estava com tanta dor, que poderia morder um pedaço de ferro pra aguentar. Lim chegou a pegar o telefone, mas eu disse que estava me sentindo bem, só com um pouco de dor, e que passava. Ela me olhou de uma forma tão minha mãe com o famoso "Não tente me dizer não!" que abaixei a cabeça e deixei que me levassem pro hospital. Como estavam trocando de turno, ela foi comigo, achei isso muito fofo da parte dela. No caminho, me disse que tinha uma filha de sete anos que também era "dura na queda" e que sempre lembrava dela quando me via. No hospital, me disseram que não tinha quebrado nada nem torcido, e que era perigoso levantar depois de ser atropelada e bla bla e mais bla. No final de tudo, o médico me receitou um genérico de Gelol (alguém lembra da propaganda do Gelol, que passava no programa do Faustão?) e me mandou ficar quietinha, aí a dor ia passar. Lim de levou de volta pro hotel e falou com a Soo Yeon, uma outra recepcionista foférrima. Pelo menos tinha essa sorte de parar em um hotel onde todo mundo me tratava bem. Já ouvi cada relato de turista insatisfeito, na internet, que confesso que era meu maior medo. Coreano tem fama de ser meio "sério caladão", então já viu. Lim subiu comigo e disse que, se precisasse de qualquer coisa, era só chamar pela Soo Yeon que ela resolveria. E saiu do quarto me chamando de "filhinha". Certo, agora tenho uma segunda mãe emprestada, na Coréia do Sul?
Obviamente que a "espoletinha" aqui não conseguiria nunca ficar quieta, assistindo televisão. Me sentei na cama e, morrendo de dor, estiquei o braço e peguei meu laptop. Já devia ser quase madrugada no Brasil e eu sentia falta do pessoal. Meu msn não ficava um minuto numa boa, que dirá o skype! Todo mundo estava no ocupado e sabe, eu respeito isso. Minha mãe me viu online, pronto, estou ferrada, pensei. Vai querer que eu volte imediatamente pra casa...
- Oi! - acenei de volta, usando todo o meu lado atriz, porque na minha família, quase todo mundo é artista de teatro ou tem algum talento. Como eu não herdei muitas coisas do lado artístico, como saber desenhar, saber escrever, saber compor, e meu "saber atuar" era o melhorzinho, vamos brincar de ser atriz. Graças a Deus que ninguém reparou o quanto eu sentia dor. Quando lacrimejei de dor, disse que era saudades de casa. Quando perguntaram porque eu fazia algumas caretas, dizia que tinha andado muito e estava cansada. E o melhor é que todo mundo engoliu. De vez em quando aparecia um na câmera e dava um tchauzinho. Logo depois eu soube que estavam fazendo um churrasco e que sentiam falta da "fotógrafa". Suspirei. Só pra isso que sirvo também, tirar foto de todo mundo.
Não conversei muito, até porque falar fazia tudo doer, também. Desliguei o skype e abri meu Twitter. Era uma graça todas aquelas pessoas que eu nem sabia de onde era, me adicionando. Tinha umas quatro páginas só de pedidos; meus replies estavam.. não quero nem lembrar. E eu tinha umas duzentas DM's. Certo, era hora de acabar com aquilo de uma vez.

Não sou eu na foto com o . Seria incrível conhecê-lo, mas nem sei por onde ele anda!


No mesmo minuto que postei, recebi vários "!" e "Você está online!", mas eu não queria falar com ninguém. Aqueles replies eram muito medonhos mesmo, queria distância de tudo e todos, apesar de morrer de saudades do meu twitter querido. Meu email tinha quatro mensagens de ", é você naquela foto com o ? Por favor, responda logo!" e eu respondi às quatro que não, não era eu. Se encontrasse por aí com a tal garota, tiraria a foto da "vagabunda" e mandaria. Passei as mãos no rosto, sem querer apertando um ponto roxo da testa. Que-saco, tudo doía!
Eu devia estar feliz. Estava perto do Super Junior, meu grupo asiático predileto, não é? Estava perto dos dois que eu super adorava, não é? Me sentia uma formiga perto daqueles seres com pernas longas, não é? Me sentia emocionada e feliz, apesar de tudo, não é? Então por que eu não estava?
Sabe, não é tão legal assim estar perto tão perto do seu ídolo. Estava constatando isso. Legal era, mas ou eles não prestam atenção na sua presença ou ficam em demasiado em "cima de você". Perguntando se está com fome, frio... estava muito sendo o segundo, os outros meninos eram o primeiro. Eu queria voltar pra casa. Lá, o equilíbrio entre prestar atenção e não prestar atenção pelo menos acontecia um pouco.
Desliguei o laptop e tentei deitar um pouco, tudo doía loucamente. Queria qualquer coisa que me aliviasse a dor, então tentei dormir. Quando estava quase lá, bateram na porta. Era a camareira, preocupada. Ok que preocupação era legal, mas eu queria dormir, por favor?
Disse que não queria nada e que tentaria dormir um pouco. Qualquer coisa eu chamava, etc etc. Aquilo era um hotel ou um hospital?
Quando me virei, bateram na porta de novo e eu já estava ficando irritada e ia falar algo atravessado em português mesmo quando reparei que a porta que abria tinha uma mão que não era de mulher.
- Posso entrar?
- Já não entrou? - apesar de tudo, não me mexi. Doía. aproximou-se de mim e eu nem poderia bater o tanto que gostaria. Ele ainda tinha coragem de vir me ver, que idiota. - O que quer?
- Saber se você está bem.
- Estou ótima. - dei um pulo da cama, me arrependi horrores mas não queria demonstrar vulnerabilidade. Cabeça dura, este é meu sobrenome. - Vê? Quer que eu dance Bonamana?
- Não precisa. - ele ergueu a mão. Estiquei o braço e encostei na parede, tentando aparentar minha perfeita condição muscular, quando na verdade, piscar fazia o corpo todo doer. - É que... eu fiquei preocupado com a sua reação lá no-
- Sabe, - interrompi. - tudo que uma garota mais deseja é que um cara que ela goste muito diga que está apaixonado por ela. Não é que eu não goste de você, , acredite, gosto muito, mas... não dessa mesma forma que você. - ele pareceu desconcertado. Me doía fazer aquilo com ele, mas antes isso do que continuar daquela forma. - Você é um irmão que eu nunca tive, mesmo sendo de tão longe e não sabendo falar português nem eu, coreano. Eu te adoro. Mas como irmão. - suspirei. - O que eu quero dizer é que... , você é um amor. Mas... - estava difícil. Vamos, , você consegue! - não vejo como pode dar certo. - fui firme, apesar de tudo.
Ele me olhou por alguns segundos que pareceram eternidade. Eu não acreditava que estava dando um pé no , um dos membros mais queridos da nação ELF! Se alguma ELF descobre isso, me mandam pra fogueira, sério. Doía muito fazer isso, mas ou era isso ou era isso.
sorriu pra mim, aquele sorriso apenas simpático. Veio até mim, beijou minha bochecha, desejou-me melhoras. Cara, o que eu estava fazendo?
- - ele virou. - não me entenda mal, ok? Eu te amo. Mas como um irmão.
- 'Tá ok. - e abriu a porta. - Qualquer coisa, me ligue. - dessa vez o sorriso parecia menos ruim... Fiz que sim com a cabeça.
- Eu te amo. - tentei dizer, sem falar de forma que ele pudesse ouvir. E em português.
Lágrimas vieram aos meus olhos quando ele saiu do quarto, como eu poderia ser tão insensível? , , onde você aprendeu a ser dessa forma? Um cara super legal se dizendo apaixonado por você e tu me faz uma coisa dessas!
Desculpa, mente, não posso fazer nada. Ele é meu irmão e-
Bla bla bla! Aff, quantas vezes você vai ficar falando isso? Quem, ao sul do pólo norte, já não sabe dessa condição? HELLO, ele não é seu irmão, e seria um namorado perfeito, você não percebe!?
- CALA A BOCA! - e dessa vez, eu gritei mesmo.
- Mas eu não falei nada... - olhei pra trás e vi na porta, todo assustado. Começei a corar desesperadamente. Engoli em seco, sentei na cama e começei a chorar. Ele veio até mim, se agachou na minha frente e tirou a minha mão do rosto. - Que houve? Por que está chorando?
- PORQUE MEU CORPO INTEIRO ESTÁ DOENDO, DROGA!

ficou comigo por uns dez minutos. Me ajudou a deitar na cama e por incrível que possa parecer, me acalmou cantando músicas de ninar. Eu estava morrendo de dor, sério, e ele ficava passando a mão na minha cabeça e dizendo que tudo ia ficar bem. E estava mesmo.
Como eu não tinha muitas forças pra responder, ele simplismente puxou a poltrona que ficava no cantinho e ficou me cuidando. Era fofinho. não saiu de perto de mim nem por um instante; até atendeu o toque do manager do meu lado, dizendo que tinha algo mais importante pra fazer, mas que iria dar um jeito.
- Pode ir. - respondi. - Estou bem. - me olhou por alguns segundos até desligar o telefone. - É sério, vai embora!
- Tem certeza de que quer que eu vá embora?
- Não. - engoli em seco. Ele sorriu. - Você tem coisas pra fazer, não quero te atrapalhar. Não se prenda por mim.
- Eu até prefiro. Ando muito ocupado e cansado, quero descansar.
- Comigo perto, você não vai descansar. - corei com a minha sentença. riu.- Eu vou ficar bem.
- Eu volto de noite.
- Não precisa.
- Vou vir sim e você não vai me proibir! - quem disse que eu queria proibí-lo de me ver?
me fez deitar na cama, apesar de toda a minha dor, e me cobriu até o queixo com o cobertor quente. Se aproximou e beijou-me na testa, que formigou por um bom tempo. Não posso dizer que é a mesma sensação de um tremendo beijo, mas foi... mais ou menos parecido. Você sabe, quando a boca fica vermelha e queimando. Foi a minha testa. A melhor ou pior parte foi que ele ficou um bom tempo lá, beijando a minha testa. Era uma tremenda viagem astral, sabe. Eu não precisava de alcool ou drogas pesadas pra entrar na onda e chegar ao Nirvana. Era só beijar minha testa.
Para a minha enorme surpresa, ele se agachou de novo, fazendo carinho nos meus cabelos. Eu só conseguia piscar, olhando pra ele. Me sentia um tremendo bebê doente, com a mãe cuidando. Papai? Onde estava? Não sabia quem era, nessa situação..
- Como faço pra deixar você?
- Saia pela porta.
Ele sorriu.
- Não consigo.
- Você consegue.
- Não é tão fácil quanto parece.
Eu sorri.
- Se você não for, me sentirei culpada.
- Me liga se sentir qualquer coisa?
Sorri internamente.
- Ligo.
- Vou deixar seu celular perto. O meu número é o primeiro da lista.
- Sai daqui, .
Ele sorriu novamente antes de se abaixar e me beijar na bochecha. Senti uma vontade incrível de virar o rosto, e cheguei a prender a respiração quando os olhos de de repente encontraram com os meus. Eu estava vulnerável, ele podia me beijar, sério. E ia fazer exatamente isso. Eu já estava ficando mais calma e preparada. Se tivesse que ser, que fosse. A única coisa que atrapalhou foi o telefone dele tocando. Manager chato!
- Quando o destino insiste em interferir, ele chega a ser chato. - rimos os dois. - Depois eu volto.
E me deu um breve selinho. E depois voltou. E me beijou decentemente.
Eu não posso descrever como eu me senti, exatamente. Foi um misto de emoções que só quem já viveu uma situação assim, pode descrever. Era mais ou menos... como o primeiro beijo. Tem toda aquela coisa de não saber o que fazer com os lábios, com a língua, com os dentes, com a saliva, e todas aquelas coisas. Mas com a grande diferença de que sim, agora você sabe beijar! Estiquei meus braços e agarrei seu pescoço, eu não estava mais sentindo dores pelo corpo. Só meu coração que ainda parecia formigar, assim como todos os pêlos do meu corpo estavam arrepiados.
- Melhor eu sair logo daqui antes que eu não vá nunca. - rimos os dois. Soltei meus braços de seu pescoço, todos os órgãos do meu corpo em polvorosa. - Nos vemos de noite?
- Agora eu vou ficar ansiosa até de noite!
Idiotice Infantil 1, 0.
- Eu também. - ele disse, quase em um sussurro. O telefone tocou de novo e me deu um último beijo na bochecha antes de partir.
Me virei para a porta e acenei apenas com os dedos, para . Ele fez o mesmo, mostrando o próprio celular, e eu decodifiquei como "Qualquer coisa, me ligue!". Mostrei o meu celular.
Depois que ele saiu, enfiei a cabeça debaixo do cobertor e gritei. Que idiota que eu sou!

Tinha sido lindo, confesso. Apesar do que tinha acontecido, e o acidente, tudo aconteceu por algum motivo. Veja a consequência! finalmente havia me beijado e tinha sido muito meigo. Eu me sentia especial, e o beijo dele era tão apaixonante! É daqueles que você não quer nunca que termine, de tão bom que é. Tão bom que parece que ele nasceu sabendo, e não que já havia praticado com várias outras garotas. Era arrepiante relembrar o que tinha acabado de acontecer, era... incrível.
De repente, o que acontecera mais cedo veio na minha cabeça. Engoli em seco. Será que Ann havia registrado isso? Mas... e ? Eu estava maltratando o coraçãozinho dele! Eu não podia, ele era muito especial pra mim, como...
Virei para o lado e dormi.


C A P I T U L O • 6


Lei do universo: A suspeita sempre persegue a consciêcia culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial.

Apesar de ter tirado um sono muito gostoso, no meu sonho surgiam coisas e pessoas que me davam medo. Ann havia contactado várias pessoas e agora eu me sentia como uma ladra perseguida pelo FBI. Com direito a helicópteros e camburões. Sono gostoso foi para o meu corpo, que precisava ficar parado por conta dos machucados; sono demoníaco na minha cabeça, com todas aquelas pessoas apontando e me procurando.
Quando acordei, era mais ou menos sete horas, um tremendo erro. Meu pior momento é quando durmo durante o dia, mal prego o olho de noite. Já tinha me acostumado com o fuso, agora, iria ficar toda errada novamente.
Me recostei na cama, ainda estava meio dolorida, principalmente meu braço esquerdo, que fora o que havia sofrido com todo o peso quando caí no chão. Fiz uma careta quando pus as pernas para fora da cama e levantei, afastando a cortina da janela e vendo a cidade e suas luzes a sorrir para mim.
- Quem te deu autorização para sair da cama? - ouvi, e, quando me virei, vi Lim parada na porta. Sorri. Ela se aproximou. - Como você se sente?
- Bem melhor, obrigada. - respondi. - Uhn... sra, Lim, posso perguntar uma coisa?
- Até duas.
- Vocês todos são muito legais comigo. As recepcionistas, o capitão porteiro... por que?
- É o nosso trabalho. - ela sorriu. - E porque recebemos uma solicitação especial para vigiarmos e cuidarmos de você sempre. Só que não precisamos tanto, você é uma boa menina. - ela fez uma careta. - Menos quando você tropeça no elevador, dá de testa no vidro e derruba todo o chocolate quente no colo.
- Isso é normal para os padrões "" - dei língua. - Se eu não me machucasse toda hora, ia ser bem pior.
- Bom, se está tudo certo, voltarei ao trabalho. - ela virou para a porta, mas eu precisava saber quem havia "pedido" que tomassem conta de mim. - Ah, não se preocupe, é uma pessoa legal. - e ela saiu do quarto. Desde quando ela lia mentes?
Voltei para a cama, puxando do bolso da jaqueta minha câmera fotográfica. Fui passando as fotos, desde minha mãe entrando em colapso e querendo me algemar na cabeceira da cama, até o dia anterior, quando me levou para a Torre de Seul e para passar o dia com ele. Eu tinha um amigo. Eu tinha coisas para contar quando voltasse de viagem. Geralmente as pessoas me perguntam, "O que você fez de bom? e eu nunca fiz nada. Vou pra casa do meu tio, volto um quilo (ou mais) gorda de tanta coisa que me dão para comer; vou para a casa da minha prima, volto gorda de tanta coisa que me fazem comer. Não vou mentir, eu AMO comer, principalmente coisas gostosas, e se oferecem, quem sou eu pra recusar. Mas dessa vez, eu tinha alguma coisa legal pra dizer, eu tinha me divertido, e eu tinha fotos pra comprovar...!
Só que a minha diversão também seria compreendida como "você está morta", então não podia sequer ir no meu blog contar. Qual é a graça de você ter fotos com o seu artista predileto e não poder postar porque todo mundo vai começar a fazer vodu pra cima de você?
Foi nessa hora que meu telefone tocou e eu atendi, sem pensar muito. Quando ouvi o "olá!" do outro lado da linha, me deu um alívio...! E sabe, eu nem entendo o por quê disso, mas posso dizer que foi bem assim o que eu senti.
- Como se sente?
- Bem melhor, obrigada.
- Você gostaria de jantar comigo, hoje? - quase caí de novo, mas acho que ele não deve ter notado quando tudo da mesinha de cabeceira caiu no chão.
- Não vai te causar problemas?
- Acho que não. Além do mais, não é um convite meu.
- Ah, é? E de quem é?
- Do . Ele disse que entende seu... espera, ele quer falar com você. - então ouvi uns ruídos e um monte de coisas em coreano que eu não entendi. Enquanto eles discutiam, tentei entender. não estava chateado comigo? Eu achando que ele estava mega magoado e tal, e era ele quem estava me convidando para jantar... homens! Vai entender!
- Irmãzinha linda do meu coração - Ai que fofo, ele me chamou de irmãzinha! Mas... uhn. Aí tem. - Está melhor?
- Sim.
- Escuta, venha jantar conosco, hoje! Eu preciso me redimir de alguma forma, eu acho que.. entendi o que você quis dizer. E preciso me desculpar por ter sido tão idiota.
Alguém pare o globo, eu ouvi direito?
- Você vem, não vem?
- Vou, digo.. é, claro. - ele fez um barulho esquisito e combinamos de que iríamos nos encontrar dali a quarenta minutos em um restaurante que não era muito longe.
Tomei um outro banho e coloquei uma roupa bem quente. E a jaqueta de ficou nas minhas mãos, eu precisava devolvê-la de qualquer forma, poderia estar fazendo falta. Como diz minha mãe, joguei uma "sujeirinha" na cara e desci, completamente perdida nas minhocas da minha cabeça. Elas diziam que eu precisava comer alguma coisa. Elas eram legais, só precisavam parar com essa mania de que querer comer e comer.
Quando saí do hotel, olhei para os dois lados. Mesmo com o sr. Kang parado ali, eu tinha que ter certeza de que não tinha ninguém me seguindo, se é que você entende; quando percebi o caminho livre, saí. E não demorei muito para chegar no restaurante. Eu me senti até bem, porque assim que me viu, deu uma voadora. Não sei de onde aquele cara me viu, mas ele veio falar comigo todo solícito. Quando entrei, tirou o meu casaco e me guiou até a mesa, onde estavam todos - digo, todo mundo!. Ergui a mão e acenei um "oi" e todo mundo fez o mesmo, me dizendo pra sentar e comer. puxou uma cadeira e eu me sentei ao seu lado.
- Então você é a famosa - lá vamos com o 'famosa' de novo. - ouvi falar muito de você!
- Espero que tenha sido bem. - ergui uma sobrancelha, rindo.
- Na verdade, só elogios. - o manager abaixou o tom de voz. - De todo mundo.
- Se eles tiverem sido bons meninos, pode dar folga extra para todos. Se não... coloque eles para trabalhar! - rimos todos e me esticou um copinho pequeno. Eu sabia o que significava mas não queria que fosse.
- Bem vinda ao mundo do Super Junior. Pegue seu copo e junte-se aos bons. - no mesmo momento, vi meu copinho sendo preenchido de um líquido meio... transparente?
- Errr... sabe o que é, não ando muito afim de beber hoje - tentei, eu juro que tentei, mas de repente todo mundo parou de conversar pra olhar pra mim. Não que beber não seja bom, porque é, mas é que minha última experiência com soju não foi das melhores. A última coisa que eu lembro foi de gritar "isso aí!" e virar um copo de suco. Dizem minhas colegas que eu bebi nove garrafas, o que eu não acredito porque elas são extremamente mentirosas, mas a menos ruim disse que foram quatro.
De qualquer forma, quatro, nove, vinte, nada vai tirar aquela sensação horrorosa do dia seguinte, vomitando em todos os lugares, branca feito uma folha de papel, minha mãe só não ficou falando no meu ouvido porque dormi na casa do meu primo, e é, ele estava junto. Acho que a culpa foi dele, porque quando abrimos a segunda garrafa ele chegou com uma de tequila e daí demos aquela misturadinha. Conselho, não faça o que eu faço.
- Você bebe, certo?
- Bebo. - eu e a minha boca grande! Encheram meu copinho até a borda e eu a ergui, observando o líquido dar aquela tremida, porque, é claro, eu não estava acreditando que ia beber soju de novo depois do fatídico 25 de Abril, é, faz pouco tempo. Respirei fundo e bebi. Cara, ardeu a garganta toda, pela santa madrugada!
- Mais um copinho? - tapei a boca do copo com a mão e tentei sorrir simpática, apesar de estar meio tonta, porque estava de estômago vazio.
- Não, obrigada. - piscou. - Errr... ta-talvez depois. - repousaram a garrafa na mesa e eu dei aleluias internos, observando aquele churrasco que tinha cheiro bom.
esticou para mim um belo pedaço bem passado, e me deu na boca. Ele sorriu quando eu quase deixei cair e eu ri junto, né. Sei lá, achei fofinho da parte dele. esticou a mão e pediu um refrigerante pra mim, fiquei tão feliz que ele adivinhou que eu não estava num dia legal pra beber! Mas então vi que estava do lado dele, cochichando um monte de coisas e parecia que fazia tudo que ele cochichava.
Meu refrigerante chegou e me serviram, esticando o copo logo em seguida. Fizemos um brinde, eu não entendi mais nada, mas fui na onda. Deve ter sido coisa de momento, você sabe, gente meio bêbada.
- hyung disse que você se machucou - Henry me cutucou. - se sente bem?
- Ah, sim - lancei um breve olhar para , abaixou o dele para pôr mais soju no copo. - estou bem melhor, obrigada.
- Ei, eu te tenho no Twitter? - gritaram, e de repente a maioria pegou os iphones.
- Pode adicionar, é . - gritei de volta, porque estava muito barulhento. tirou o próprio iphone e começou a mexer nele, enquanto terminava de mastigar.
- É, estive olhando seu twitter hoje. - ergui uma sobrancelha. - Não me pergunte como, mas li a maior parte dos seus Tweets e vi seu álbum do Twitpics.
- Como fez isso? - ele deu de ombros enquanto dizia que não era para perguntar. Resolvi deixar do jeito que estava, era até melhor.
- Um brinde ao Super Junior, mais unido do que nunca! - ouvi de algum lugar da outra extremidade da mesa. Todo mundo ergueu os copinhos e gritou "viva!". Seja lá a comemoração, se o grupo estava mais unido do que nunca (e eu estava vendo isso porque estava todo mundo, se é que me entende, na mesma mesa e pareciam bem felizes) eu acho que só posso ficar feliz.
O novo assunto agora era o Super Show. Fiquei bem quieta, só absorvendo as coisas. É claro, se não me chamassem mais de vagabunda, eu podia falar algumas informações, em troca de alguma coisa. Mas espera, eu não era tão chantagista assim.
Levantei para ir no banheiro umas duas horas depois, quando a conta foi fechada e todo mundo se preparava para ir embora; e se levantou também. Perguntei se tinha acontecido alguma coisa mas quando ele perguntou se tinha acontecido alguma coisa comigo, achei que ele tinha um parafuso solto. Na realidade, todos, mas não vamos nos prender nesse pequeno fato.
Depois de fazer o que eu deveria, estava lavando as mãos quando a porta bateu e eu me assustei. Quando olhei para lá, adivinha quem estava me olhando com uma cara feia, mas tão feia que parecia um Frankenstein com diarréia? É, a Ann. Engoli em seco, mas voltei a lavar minhas mãos, arrumar meu cabelo, essas coisas de menininha que se faz em banheiro. Eu não sou de ficar fazendo essas coisas femininas com tanta frequência, mas um, eu estava na mesma mesa que o Super Junior; dois, meu favorito parecia ter uma queda por mim; e três, alguém me tira dali!
- Eu mandei você ficar longe deles, não mandei? - ela veio toda agressiva pra cima de mim. Sorri.
- Disse? Poxa, que coisa, eu não lembro. - e dei a volta. Só não esperava que ela viesse atrás de mim e me empurrasse na parede. A bichinha era magricela, mas tinha uma força de uma alemã que levanta peso, nossa! - Ai. - deixei escapar, porque minha cabeça bateu no secador de mãos.
- É melhor você tomar conhecimento do que acontece por aqui. Quando eu digo uma coisa, é para ser levada a sério, entendeu?
- E por acaso você é minha mãe pra me dizer o que eu devo ou não fazer?
Me arrependi do que disse quando ela tirou um sapato de dentro do casaco, agora se faziam casacos com compartimento para sapatos altos, é? Vou querer um desses!
- Você não me conhece. - ela sorriu e eu só tinha olhos para aquele salto fino na frente do meu olho e é, podemos dizer que eu estava um pouco com medo. - Quando eu quero uma coisa, ou eu consigo por bem ou por mal. Eu te disse pra ficar longe deles, certo? E o que faz aqui? Se eu fosse você, tomaria mais cuidado quando fosse tomar um simples copo de água!
- Se você fosse tão metida a sabichona do mundo químico como está dizendo, já teria matado pelo menos o So Nyuh Shi Dae, o Wonder Girls e a HyunAh há muito tempo.
- Eu tentei, mas aquelas magricelas possuem um organismo de dar inveja, nem um veneno faz efeito. Talvez se atirássemos, iria ser mais rápido!
- Você é louca! - ergui minha mão e afastei aquele salto fino e pontudo na minha frente, a empurrando junto. Mas a bicha me puxou pelo cabelo.
Ah, não, meu cabelo não!
Particularmente, eu não sou do tipo de pessoa que briga por motivos toscos. Só fui parar na diretoria uma única vez na minha vida, e foi por defesa própria. Ninguém abre a porta da sala onde você e suas amigas costumam fofocar na hora do intervalo, empunhando o dedo e dizendo que vai "te meter a porrada" sem motivo algum. Na verdade, fui mais para apartar, mas depois da unhada no rosto, me descontrolei.
Essa garota simplismente veio pra cima de mim por nada. Qual é, eles vão ficar imaculados pro resto da vida? Pobre garotinha! Se soubesse pelo menos metade do que ouvi naquela mesa, já teria se matado há tempos! Algumas coisas eles não davam detalhes porque né, eu sou uma menina e elas devem ser respeitadas. Mas depois do episódio do soju, o que eu ouvi dava pra fazer uma biografia intitulada "Super Junior - O Outro Lado da Moeda". Eu sabia quem tinha e quem não tinha namorada, inclusive coisas como "Foi por isso que você chegou tarde, ontem?", "A fulaninha estava com saudades", o que eu pensava, é, filhota, ele não vai perder a virgindade dele com você!
Quando consegui me livrar de Ann e sua fúria sabe-se lá vinda de onde, passei a mão no cabelo e tentei voltar a ter compostura, eu estava toda torta. Quando ela me puxou pelo cabelo de novo, simplismente virei e dei-lhe um tapa. Eu sou uma pessoa bem pacífica, mas se bateu, vai apanhar também. É meu lema. Naquele momento, eu ouvi a porta do banheiro se abrindo e umas três pessoas confusas na porta, tipo, hello, será que alguém pode me ajudar? Tem uma maluca drogada e ensandecida me batendo simplismente porque estou bebendo com amigos? E pior, eu não estava gritando feito uma taquara rachada, mas ela parecia gritar por nós duas, algumas coisas como piranha e vagabunda, e acho engraçado que ela falava em um bom inglês. É claro, eu podia usar meu artifício de saber Português e chamá-la de filha da p*, adoro saber uma língua complicada!
Um cara entrou e a segurou, e eu pude me levantar do chão. De tanto que ela me bateu contra aquele secador de mãos, eu já estava vendo tantas estrelinhas que dava pra formar umas duas constelações, e quando pus a mão na nuca, senti que tinha um pouco de sangue. Uma mão tocou no meu ombro e me perguntou se eu estava bem, era . Eu não sabia se estava ou não bem, só que estava tonta e minha cabeça estava doendo muito.
- Meu Deus do céu, é você de novo? - ouvi a voz do Henry e ele parecia meio confuso.
- Oppa... oppa! - Ann recuperou a boa educação, depois de me pedir desculpas meio atravessada. - Essa garota é uma pistoleira! - oh, meu Deus, eu sou uma pistoleira, vim do Velho Oeste, uhul, Tex, vamos bebericar no saloon!!
- Você está doida? - o cara que a estava segurando perguntou confuso. Foi quando olhei para o banheiro; além de nós duas, , Henry, dois rapazes e estavam presentes. Acho que ele tinha acabado de chegar, porque não o tinha visto antes. Ou ele estava lá antes? - Menina, menina, vê se realiza! Já é a segunda vez que você provoca uma confusão aqui!
- Você esta sangrando! - segurou a minha mão e puxou a minha cabeça. Soltei um "ai". Coisa boa, não é, ser atropelada e agredida no mesmo dia! Acho que nem Onew consegue ter tanta sorte assim! - Eu levo você para o hospital.
- Eu estou ótima! - soltei minha mão da dele, estava ficando com mal humor. Quando isso acontece, é porque estou com uma tremenda dor de cabeça, pode anotar.
Saí do banheiro com a mão na cabeça e ele veio atrás de mim. De repente outra figura alta apareceu na minha frente, perguntando se eu estava bem. e o manager, logo atrás. Contornei todo mundo e fui em direção à porta, sem ter a mínima idéia de onde ir. Meus roxos da porrada da manhã estavam doendo de novo, com toda aquela confusão, e agora minha cabeça estava doendo junto.
- Qual é a sua relação com essa garota? - ouvi atrás de mim. Era Ann, confusa e chateada. Rolei os olhos. Provavelmente a sentaram em uma cadeira, deram água com açúcar e a culpa era da estrangeira vagabunda que causava problemas, era sempre assim, não era? Então era melhor eu ir embora, ligar para a companhia aérea, juntar minhas coisas na mala e voltar pra casa. Tudo estava dando errado; era melhor voltar pro meu país e continuar a ser agredida verbalmente do que fisicamente.
Uma mão segurou a minha quando anunciou, em alto e bom som: - Ela é minha namorada!
E me puxaram, sem nem perguntar se eu concordava ou não, se eu queria ou não ir para um hospital - e Deus sabe muito bem que eu queria. Minha cabeça estava a ponto de explodir.
E alguém me beijou, mas eu não prestei atenção, porque ainda via estrelinhas na minha frente. Mas pelo tom de voz, só poderia ser quem eu estava imaginando que fosse.

Acordei horas depois, minha cabeça ainda estava doendo. Quando me recostei, percebi que não estava no hotel e sim em algum lugar com paredes em um tom de azul claro e tinha um pouco de branco também. Nessa hora, lembrei da Phoebe dizendo "Convido a todos a contarem quantas cores há no seu quarto!" e, quando pus a mão na testa, notei que tinha um curativo na mão.
- Você deveria dormir mais. - apareceu no quarto, com uma bandeja de bolachas e um copo de algo que parecia suco. Pisquei. - Como se sente?
- O que eu estou fazendo aqui? - eu e a minha mania de perguntar tudo! Eu já sabia onde estava, a bagunça debaixo de um monte de cobertores já dizia tudo.
- O hospital é mais perto do que do hotel. - fiz que ia levantar, ele pôs a bandeja na cama do lado e me proibiu. - Ei, onde pensa que vai?
- Pro hotel, óbvio! - fiz cara feia. - Ainda não descobri um meio mais rápido de voltar pra minha cidade fim de mundo.
- Você vai dormir aqui, não vai sair assim nem que a vaca tussa!
Tossi e sorri. - Pronto. Ela já tossiu, agora eu vou. - e levantei, me arrependendo logo depois, quando as estrelinhas voltaram. Pus a mão na cabeça.
- Falei pra você não levantar!
- O que aconteceu?
- Digamos que você fingiu ser uma Power Ranger há algum tempo, mas de manhã bancou a National Kid, e no final de tudo, está como o Cebolinha.
QUE? Primeiro que não tinha entendido lhufas, segundo, desde quando ele conhecia o Cebolinha?
- Li algumas tiras em inglês em um site que um dia você postou no Twitter.
- Você me segue?
- Não, mas vi toda a sua vida no último mês, usando o translator.
- Quanto tempo livre você tem?
- E você? - suspirei, tentando me levantar com mais calma, subitamente me lembrando do que tinha acontecido.
- .. quem disse aquilo?
- Aquilo o que?
- De que eu sou namo - e de repente entraram no quarto. Pisquei algumas vezes, dando graças de que estava vestida decentemente.
- sshi, você precisa ver isso. - arregalou os olhos e o acompanhou e claro, eu fui atrás. Quando chegamos na sala e olhamos pela janela, surpresa: tinha um grupo de fãs lá embaixo, tipo umas trinta, e não pareciam nada contentes. Pra ficar "melhor", o manager suspirava, com um notebook no colo e, quando li por cima, li coisas como "Mais um membro do Super Junior assume relacionamento!" e que raios, eu não sabia de quem eu era namorada, afinal!
Mas do que importava, se eu estava presa naquele apartamento? Só de chegar perto da janela dava medo, imagina descer!
Espero que meus pais não sintam minha falta, lá em casa. Não faço nada que preste, mesmo...
- Uhn... - começei - só por perguntar. O que aconteceu para elas estarem aqui às - olhei o relógio - duas horas da manhã?
- Aquela menina deve ter mandado a novidade. - Zhou Mi debatia com o manager, pisquei. - Agora, ele tem uma namorada e ELF's surtaram.
- Isso é um absurdo! - retruquei, cheia de razão. - Vocês, por algum acaso, precisam ficar virgens pra sempre só pra satisfazer a vontade delas? - silêncio. - Ok que elas que bancam vocês, mas pelo amor de Deus, coloquemos a cabeça no lugar! Quando vocês vão parar de ser essas moscas mortas e assumir o relacionamento, pra quem tem namorada? - olhei os ditos cujos. - E por favor, dá pra alguém me dizer quem é meu namorado? Eu estou confusa pra caramba! - uma mão se levantou e eu engoli toda a minha vergonha.
- Sou eu.
- Ah, legal saber que agora temos um relacionamento sério. - cruzei os braços e riu. - Que?
- Só arranjo namorada geniosa!
Fiz careta, mas lá no fundo estava dando pulinhos e gritinhos. Oi, eu sou a namorada do e você? Uhul!
Mas também estava cagando de medo de sair e encontrar aquelas malucas psicopatas seriais killers, não queria ser torturada até a morte. Por que eu não tinha feito aulas de karatê e judô quando me ofereceram? Agora não seria capaz de passar do terceiro andar!
Olhei novamente pela janela, preocupada, e respirei bem fundo. Onde tinha me metido? Já não bastava a Ann, agora tinha um batalhão de ELF's me amaldiçoando até minha última encarnação. Ah, meu Deus, agora veio na cabeça as ELF's brasileiras, aquele povo todo que eu disse que "não"! Minhas colegas devem estar em polvorosa, algumas provavelmente chateadas, mas é, todo mundo me odiando!
Senti uma mão segurar a minha e a apertar; quando olhei, vi e ele sorriu em solidariedade. Fiz o mesmo.
- Eu não tinha pensado em colocar isso em fanfic. - falei baixo, olhando minha outra mão enfaixada. - Atropelamento, uma stalker que me enche de hematoma, e agora, uma montanha de ELF serial killer querendo me matar.
- Precisamos saber como vamos fazer. - o manager coçou a cabeça, confuso. Ele até que era legal. - Vocês são mesmo namorados?
- Na realidade, não somos, provavelmente ele disse isso só pra me proteger. - ri sem graça. me olhou feio.
- Não falaria isso se não fosse verdade. - como é que é? - Vai dizer que não?
- Não!
- Você gosta de mim? - perguntinha mais sacana e em um momento não muito feliz. Confirmei com a cabeça. - E eu gosto de você. E a gente já se beijou.
- E quer dizer que um beijo agora significa um relacionamento? - pus a outra mão na cintura e mesmo que tenha doído, eu não deixei transparecer. Mas era verdade, um beijo era um pedido de namoro? Nem comento mais nada... - De qualquer forma, foi muito bom, muito legal e eu preciso sair daqui. - soltei a mão do meu "namorado" e fui até a entrada, calcei os tênis, enquanto as pessoas ou ficavam me olhando ou ficavam perguntando o que eu ia fazer. - O que eu vou fazer? Ir pra casa! De onde não deveria ter saído e onde ninguém quer me matar!
- Mas como você vai passar por ali? - apontou para a janela. - Sabe, você pode nem chegar no hotel viva! - respirei fundo, mas não me virei.
- Passei pela loira oxigenada, não passei? Eu aguento!
Aguentava porcaria nenhuma, você acha mesmo que eu estou com essa bola toda? Tipo assim, eu estava quase que mijando nas calças e falo isso no sentido literal! Não sabia como iria chegar no hotel, mas de uma coisa eu tinha certeza: de que os santos precisavam me deixar entrar no céu, sempre fui uma boa menina!
- Você não vai a lugar nenhum! Vai ficar aqui, nem que a gente te amarre no pé da cama! - e então alguém me abraçou. Mas sabe, estava de saco cheio. Eu queria que fosse fanfic, daí dava um final jogado como "daí ela matou as ELFs e eles foram felizes para sempre", mas não era. Eu só queria ir pra casa, deitar no colo da minha mãe ou da minha prima, sei lá - e quando acordar, nada teria acontecido. Mas não era assim tão fácil.
E agora eu tinha um Super Junior me abraçando.
- Você é a minha irmã e se elas te maltratarem, eu morrerei. - ergui as duas sobrancelhas e virei. parecia tão... estranho.
- Você bebeu?
- Só um pouco, mas não vem ao caso.
- Ele tem razão. Até termos um plano, ninguém sai daqui. - o manager pôs a mão no queixo. - Pra piorar, você está aqui, nenhuma outra namorada esteve aqui, antes.
- Ah, quer dizer que já teve outra namorada querendo vir pra cá? - fiz minha cara de má para . Era só uma piada mas ele levou a sério. Todo mundo riu. - Olha, gente, vocês são muito legais e tudo o mais, mas eu preciso voltar para o hotel, e uma hora ou outra vou ter que dar de cara com elas, não é? Então é melhor acabar com isso.
Me soltei do e abri a porta. Eu não estava acreditando que ia fazer aquilo mesmo, mas é melhor entrar de uma vez numa piscina de água gelada do que entrar aos poucos, não acha? Apertei o botão do elevador e esperei.
- Eu vou com você. - ergui uma sobrancelha e isso doeu. - Se tiver que encarar isso, encaremos juntos.
Ah, não, que coisa de novela mexicana! Ei, "A Usurpadora" não reprisou em 2009, não!
Entramos no elevador em silêncio. Apertei o botão do primeiro andar e a porta se fechou. Mais silencio.
- Desculpa te meter nessa.
- Estou acostumada a entrar em confusões, não ligue.
- Ainda assim, sinto que preciso me redimir. - olhei pra ele.
- Não precisa.
- Sim, eu preciso. - e então ele pôs a mão no meu rosto. Pronto, coisinhas estavam acontecendo.
- Precisa? Tipo o que?
Idiotice 1, 0. Quando é que eu ia cair na real e aprender a não responder perguntas retóricas?
- Tipo isso. - e então ele se aproximou, me beijou e foi muito lindo. segurou meus pulsos e fez com que eu prendesse minhas mãos no seu pescoço e, quando o beijo ficou mais profundo, o elevador apitou.
E a porta se abriu.
Ouvi um pigarro.
Quando olhei para fora, duas ELF's com uma cara muito infeliz nos observavam. Uma delas usava uma blusa escrita " is MINE!" e acho que não posso dizer que ela estava feliz por mim.
- Desgruda. Agora! - 'desgrudei' dele. A porta ia fechar, mas a outra menina pôs a mão na frente. - Oppa, não acredito que está namorando com essa garota!
- Estou e sou muito feliz com ela. - ele segurou meu braço. - Sei que vocês gostam muito de mim, mas precisam entender que...
A garota do elevador esticou um envelope, engoli a seco.
- Não abre. - falei baixo, mas ele já estava rasgando o canto. - Por favor.
- Por que tanto medo, senhorita... ?
- Pra você é !- respondi, meio grossa, mas ainda estava preocupada.
Mas não adiantou, porque já estava puxando a foto de dentro do envelope. Meus olhos começaram a encharcar com o que eu estava vendo e ficou pior quando me olhou. Havia decepção naquelas duas bolinhas castanhos escuros reluzentes no rosto dele. Cara, acho que nunca me senti tão mal em toda a minha vida!
esticou a fotografia do me beijando e saiu de dentro do elevador, meio confuso. Eu fui atrás.
- Eu posso te explicar.
- Eu não quero que você me explique! - ele aumentou o tom de voz. Mas só um pouco. Atrás dele, vi várias ELF's paradas, observando. Engoli algumas lágrimas. - Na verdade... tem alguma coisa para ser explicada?
- Tem! - quase gritei. - Por isso te peço pra me ouvir!
Ele fez que ia parar, mas atravessou o monte de ELF's, me deixando sozinha no meio delas. Percebi os olhares hostis pra cima de mim, mas simplismente virei para a esquerda, direção contrária à de .
E voltei para o hotel.
Por que eu sempre melo com tudo!? Que porre!


C A P I T U L O • 7


Lei do universo: É pelas próprias virtudes que se é bem mais castigado.

Quando cheguei no meu quarto, me joguei de rosto virado para o colchão. Eu sempre preciso destruir algo legal, é impressionante!
Meu telefone tocou, olhei o visor, minha mãe. Ah, não, minha mãe, não! Ela iria falar tanto no meu ouvido que eu iria ficar surda. Não pelo fato de eu ter um namorado famoso e ter mil garotas querendo a minha morte, se você quer entender assim, mas pelo fato de eu não ter dito que tinha um namorado. Esse é o ruim de ser eu, me confundo e confundo os outros. Vamos rever os fatos: eu sou uma garota que está prestes a completar 21 anos. Não tenho namorado, sou uma pessoa encalhada, que não vê grandes coisas em ter ou não um namorado. E quando o consigo, ganho mais de cinco mil garotas me odiando. Em outros tempos, eu jogaria meu cabelo para o lado, arrumaria meus óculos escuros e diria "Honey, sinto muito, eu sou famous, você não é!", no estilo Paris Hilton de ser, mas não eram outros tempos.
De qualquer forma, quando Lim entrou no quarto, eu estava arrumando minha mala; assim que a terminasse, iria embora. Nem era pelas ELF's em si; eu havia machucado uma pessoa que eu gostava muito, e estava me sentindo um verdadeiro horror. Por que eu precisava estragar tudo, repito?
Ela não dissse nada; só que estava do lado de fora e precisava falar comigo. Eu não sabia se deveria, mas o deixei entrar, até porque ele já estava mesmo do lado de dentro.
- Onde você vai?
- Pra casa. - pus outra muda de roupa na mala, desocupando a cadeira do quarto. Ele me observou fazendo isso umas duas vezes mais até fazer a próxima pergunta. - Porque só estraguei tudo. ELF's me odeiam. Você me odeia. me odeia.
- Eu não te odeio, por que haveria de te odiar? - joguei a foto para ele e voltei a arrumar minha mala. pegou a foto e a encarou por um bom tempo. - Ah, isso.
- Adivinha só? viu. E me odeia. - sorri, sarcástica, jogando outra blusa de qualquer jeito na mala. - Não somos mais namorados, parabéns pra mim.
- O que uma foto significa? - ele parecia inalterado, o que me dava ainda mais raiva de mim. - Será que ele nunca ouviu falar de photoshop?
Pulei em cima da cama e começei a pular com o bumbum em cima da mala que não fechava. Fiz isso umas dez vezes, até minha última contagem, até me arrancar de lá de cima e fechar a bichinha. Viu, por que não nasci com mais força? Ah, é, eu não sou nenhuma Super Girl e pior, tinha hematomas pelo corpo inteiro.
- Você não vai embora.
- E você vai me impedir?
- Se for preciso... - continuei com meu ar infeliz e enfurecido, puxei a mala pra fora da cama e fui em direção a porta. - Sai da frente senão terei que te bater.
- Então, fique a vontade. - ele abriu os braços. - Desconte sua frustração em mim. Você ainda tem mais cinco dias na Coréia do Sul e eu não vou te deixar ir embora assim.
Soltei minha mala e empurrei com toda a força do mundo. Ele capotou até em cima da mesinha e eu abri a porta, apertei o botão do elevador. Devia ser mais ou menos cinco horas da manhã, eu não queria nem saber. Eu tinha um cartão de crédito e de qualquer forma, uma vez no aeroporto, era só me enfiar em qualquer vôo e pronto. Dava certo nos filmes...
tentou me alcançar, mas a porta do elevador já tinha fechado. Não adiantou, porque quando cheguei no térreo, em menos de um minuto ele brotou pela porta das escadas e novamente puxou minha mala, dizendo que eu não iria embora. Perguntei se ele queria apanhar; ele disse que sim. Então dei-lhe um tapão no meio da cara, Deus que me perdoe, mas ele concordou, então o fiz. Quando olhei para frente, sim, eu as vi, ELF's malucas e psicóticas, todas me olhando com cara de doença mental, simplismente porque havia batido no . O fofo , o talentoso . O safado . O mala sem alça . Recomendo a todas que passem dois dias com o Super Junior, pra ver se a sua visão de "ai, lindo, fofo, eu te amo, amor da minha vida" não muda. é um cachaceiro, bebe tanto que ninguém imagina o quanto; é meio mal educado, você está falando e ele fica "é, aham, ok, é, claro, sim, aham", e eu odeio gente que não presta atenção em mim quando estou falando alguma coisa. é um tremendo safado, o que eu ouvi de ", conseguiu marcar um encontro com fulana? / Ele levou um tapa dela, vamos ticar o Miss A da listagem!" não está no gibi. é um tremendo preguiçoso vagabundo, espera que tudo caia do céu. E não queira saber o que eu ouvi dos outros, acredite, não quero te deixar com depressão.
Não liguei para as ELF's e puxei minha mala até Lim que, perdida, perguntou por quê eu estava indo embora se minha reserva tinha mais dias. Expliquei que acontecera um problema pessoal e eu precisava voltar para casa. me alcançou e anunciou em alto e bom som que não tinha nenhum problema familiar e que poderia dizer isso porque havíamos nos descoberto irmãos de sangue. Eu contestei, é óbvio, brincadeira tem hora e eu sei dos limites da mesma. Sou a que mais fala que ele é meu irmão, mas lá no fundo, todo o sul do Pólo Norte sabe que é mentira, que é impossível. Mas então ele pediu minha ficha para Lim e comparou com a identidade dele. Temos o mesmo tipo sanguíneo, logo somos irmãos. O que é um tremendo absurdo, porque, se todo mundo tivesse o mesmo tipo sanguíneo, onde o mundo iria parar? E se você descobrisse que casou com o teu irmão? É, é meio estranho.
Começamos a discutir, e eu. Lim, coitada, não sabia mais o que fazer, até que deu um gritinho e disse para nós dois acalmarmos. Tirou a franja da testa e respirou fundo ao me perguntar se não era alguma atitude impensada, visto que tinha umas quarenta ELF's medonhas lá fora e tinha subido para o meu quarto. Eu disse que não e implorei para fechar minha conta. Com a testa franzida, ela digitou umas coisas e disse que fechou, o que eu tenho certeza que não o fez. De qualquer forma, puxei minha mala até a porta, com no meu encalço. Quando ela se abriu, umas três ELF's vieram pra cima de mim e isso sim deu muito mais medo que Ann, a garota do salto alto da jaqueta.
- Se alguém tocar nela, eu vou me meter na frente!
- Sai daí, , você é outro filho da mãe que..
E começou o bla bla bla. Para fechar a cena com chave de ouro, vários flashes. Eu já não tenho visão boa, aquele monte de flashes espocando no meio da minha cara, gritando de um lado, ELF's berrando coisas incoerentes do outro, e eu ouvia alguém falando em inglês...
A última coisa que eu vi foi um pedaço de pau sendo erguido na minha frente, por alguém com blusa branca. Depois disso, escuridão.

.x.

Recobrei a consciência quando ouvi alguém disse a palavra "acordando". Abri os olhos devagar, minha cabeça estava doendo pra caramba e eu via uma moça parada na minha frente, aparentemente preocupada. Tentei levantar, mas ela não deixou e, quando perguntei o que havia acontecido, ela franziu a testa, perguntando se eu não lembrava. Se eu estava perguntando, né, DUH! Ela me ajudou a sentar e disse que eu estava no hospital, que tinha levado uma pancada tão forte que tinha perdido a consciência. Entrei em pânico. Não tinha minha mãe, meu pai, meus irmãos idiotas, nem...
- !? - chamei alarmada. Tinha medo que ele tivesse sucumbido no meio daquelas malucas, nunca se sabe!
- Quem?
- , cadê o ?
Eu olhava para os lados procurando e não via mais ninguém além dela e de uma moça que cuidava de um garotinho, que estava dormindo. Ambas me olharam meio perdidas, e a moça que estava comigo chamou uma enfermeira, achando que eu estava delirando. Cara, eu não estava delirando!
- Como se chama?
- . .
- Data de nascimento?
- Treze de Junho de 1989. Eu não estou delirando! - apressei em dizer. A enfermeira mediu minha pressão.
- Qual é sua última lembrança?
- Saindo do hotel, fãs malucas do Super Junior querendo me matar, me odiando e o me proibindo de voltar pra casa.
- A senhorita está no hospital há dois dias. - a moça que estava comigo comentou. Ahn? - Meu nome é Kim Hye Bo, eu sou do hotel. Você voltou por volta das duas da manhã, chorando muito, anteontem, e quando perguntamos o que havia acontecido, você disse que um cara havia te abordado e te puxado para um beco, mas que conseguira sair correndo. Quando nos relatou isso e dissemos que iríamos ligar para a polícia, você desmaiou. Não achamos que fosse durar tanto, mas durou... até agora.
- É, e daí teve as flores, o sorvete, o frango frito... - comecei, mas ela não confirmou mais nada. A enfermeira pôs a mão na minha testa.
- Pode ter sido efeito do remédio. Por várias vezes você ficava sonâmbula e falava coisas muito incoerentes, minha sorte é que falo português! - Hye Bo sorriu e eu pisquei, totalmente confusa. - E teve febre também.
- Minha pancada foi assim tão forte?
Hye Bo explicou que eu entrei em tanto pânico que quis sair correndo para o quarto, para pegar meu passaporte, mas que não lera o aviso de piso molhado e escorregara. Pelo menos uma vez na vida, antes de desmaiar, eu tivera um momento de ligeira sobriedade e tinha abstraído um aviso de piso molhado. Parabéns para mim!
Então tinha tudo sido... dá até raiva pensar que foi isso, enfim. Foi tudo um sonho.
Posso gritar agora? Obrigada.

MALDITA MÚSICA TEMA DE "A USURPADORA", SONHO LINDO QUE SE FOI É O @w#$%¨&*(*&¨%$# DA TUA MÃE!

Cacetada, que ódio, é possível sentir tanto ódio assim?
Eu juro que não acreditei e continuei não acreditando nos dias que se passaram. Não tinha nenhuma flor para mim na recepção, nenhum indício de que eu havia conhecido , e o Super Junior em peso e posso te dizer que era extremamente decepcionante.
Muitas vezes passei pelo Palácio, observando tudo com cuidado, pra ver se eu tinha alguma coisa perdida por lá, mas em vão. Fui na sorveteria, no lugar do frango frito... nada. É tão esquisito pensar que tudo era um sonho! Você não sabe se fica com raiva de você ou deles, que não estavam percebendo que estavam em um sonho, sei lá.
Em outras palavras: Droga, como dói!

Nos meus últimos momentos em Seul, pedi para que Lim me ajudasse a fechar a mala. Tinha comprado tanta coisinha pra família (apesar de tudo, eu sou uma filha da mãe; posso estar enfurecida, mas se saio, na volta trago algo para eles.) que agora ficava até difícil de fechar a mala. E, diferente da vez do... sonho, ai, não gosto de falar que foi sonho! - eu dobrei todas as roupas e separei por cor, pra você ver a gravidade da situação (preguiçosa mor!). Desci em silêncio, enquanto Lim (que eu sabia que existia porque foi a primeira e me abordar quando me viu entrando no hotel, e que não poderia ficar comigo porque calhou da filha ficar doente) me contava que iria sentir minha falta. A única coisa de fato que não aconteceu foi a parte Super Junior. De resto, tudo e todos continuavam lá. Agradeci todo mundo com um bombom de licor (viram como sou legal) e fui para o aeroporto.
No aeroporto, despachei a mala e fiquei fazendo hora. Não conseguia comer antes de voar, então fui em uma loja de revistas e comprei algumas várias, incluindo palavras cruzadas, e saí, colocando o que comprei na mochila, jogando-a para trás. Andava lendo uma revista sobre o Dong Bang Shin Ki, meu coração apertado, arrasado e dolorido quando ouvi uns barulhos por perto do meu portão de embarque. Nem estava curiosa, então, do meu lugar, tentei dar uma olhada, me aproximando devagar. Pelo que tinha me parecido, alguém famoso estava chegando de viagem e vinha pela parte de embarque do aeroporto. Eu não entendi como eles conseguiram isso, mas conseguiram, e agora, outra menina passava por mim, quase me derrubando. Quando vi um boné, pensei em pegar a máquina; vai que fosse, sei lá, o Shinee! Pior, imagina o 2PM brotando na minha frente! Ia ser um máximo! Eu não ia fazer nada de mais, só uma fotoca inocente!
Assim que ergui a máquina, meu sorriso de canto de boca sumiu. Era o Super Junior, voltando sabe-se Deus de onde. As meninas começaram a gritar, e os flashes, a espocar. Saíram managers, staff, etc, e no meio, eles. Eu não tinha forças pra erguer a máquina, muito menos pra pensar; meu cérebro simplismente parou. Eu não sei explicar por quê isso aconteceu, e não sei explicar a sensação. Não tem motivo pra isso mas posso dizer que foi meio... chocante.
Eu queria sair correndo e abraçar o , mas eu só conseguia me arrastar. Meu cérebro era, literalmente, uma lesmauga, cruzamento de lesma com tartaruga, e coloca tartaruga manca nisso! Mas quando consegui andar um pouco mais, apareceu na porta, óculos escuros e uma mochila azul. Logo do lado dele vinha , também de óculos escuros, mas uma mochila preta, e estavam conversando. Foi muito cena de filme o que aconteceu a seguir: olhou na minha direção e chegou a parar; no segundo depois, olhou dele para mim e também parou. Ficamos uns dez segundos nos olhando, foi muito estranho, até que o manager cutucou e eles saíram andando, ainda me dando umas olhadelas. Meus olhos estavam doloridos e foi quando reparei que estavam cheios de lágrimas. Se nada havia acontecido, por que eles olharam diretamente para mim? Foi tão...
A operadora anunciou meu vôo. Arrumei minha mochila mas costas e entreguei minha passagem minutos depois, saindo daquele país onde muitas coisas haviam acontecido, consciente e inconscientemente.

.x.

Dias haviam se passado e era sábado, dia que eu iria comemorar meu aniversário com meus colegas. Tenho poucos, mas gosto deles e, para completar a maioridade certa, iríamos todos sair para beber. Ninguém estava de carro, então ninguém iria pegar um carro bêbado.
Sabe, lá no fundo, tudo ainda estava doendo. Saber que tudo aquilo havia sido um sonho era tão desapontador (ou bem mais) do que você fazer uma prova, achando que tinha gabaritado, e quando recebe a nota, errou 99,9% da mesma. Adicione o vestibular, que o buraco é mais embaixo.
Meus pais haviam saído e eu me encontraria todo mundo no bar, por isso peguei um taxi para ir mais rápido. Precisava desabafar com alguém antes que acabasse explodindo. Respirei fundo: meu aniversário, dia de sorrir, não de chorar!
Cheguei no bar e não vi ninguém, por isso perguntei se alguém tinha feito uma reserva no meu nome (porque né, todo mundo coloca meu nome em tudo!) e então um dos seguranças me guiou até uma escada. O bar tinha um salão no segundo andar, e era novo, então acreditava que era continuação do bar, com mesinhas e tudo o mais. Por isso me espantei quando tateei a porta e ouvi aquele "Surpresa!". Basicamente todo mundo estava lá e quando falo todo mundo, falo todo mundo. Meus amigos de outros Estados, a parentada do país inteiro, enfim, onde esse povo ia ficar? Minha casinha é pequena, mas acho que se meus colegas puderem dormir agarrados, eu não me importo, he he.
Todo mundo estava fantasiado, então me jogaram no banheiro antes mesmo de cumprimentar todo mundo. Quando abri o pacote, pasme.
EU NÃO VOU ME VESTIR COMO UMA SO NYUH SHI DAE INDO PRO BAILE FUNK!

Só pra constar.

Então fui me apresentando aos penetras e cumprimentando a família e as amizades. Foi nesse momento que encontrei a , minha grande e querida amiga de outro Estado, e ficamos gritando feito duas retardadas, enquanto meu pai desatava a rir. Pelo visto, meus pais fizeram uma limpa nos meus cds e devem ter batido papo com meus amigos fãs de música asiática, porque estava tocando até Namie Amuro!
Comi, babi, aquela coisa toda, até que ouvimos a intro de "Bonamana" e corremos pra pista de dança. Minhas primas dançavam com os dedinhos levantados, mas nem culpo as bichinhas, dez e onze anos. Pior eram meus primos de dezesseis, dando em cima das minhas colegas de vinte e três, e por aí vai, achando que a fantasia de Batman e Super Homem ia dar em alguma coisa. Mas meu sobrinho estava uma graça, vestido como aquele boneco rosa e aviadado do Backyardigans.
Anyway, foi tão sincronizado que se tivesse combinado, não sairia tão perfeito. Do nada, todos os kpoppers foram pra perto da gente e é, começamos a dançar alucinadamente. Mais ríamos que dançávamos, por isso não reparei quando mais gente entrou na roda. Aos poucos, o pessoal ia cansando, até que ficou eu, minha amiga (vestida de Chapeuzinho Vermelho, olha que catita!), um Pânico e um Zorro. Na metade da música, mudaram pra "Sorry Sorry", mas eu não me senti cansada. Só me sentia estranha, porque as pessoas estavam nos olhando com uma cara muito estranha, e tinha gente apontando. Quando vi a menina vestida de gatinha apontando e dizendo "Meu Deus!", entrei em pânico e olhei pro lado. A continuava a dançar loucamente, ela é tão empolgada que dá pra sentir vergonha alheia, plus, a pilha dela não descarrega, impressionante. Só fui entender aquele murmurinho todo quando o Zorro aproveitou uma música mais "normal", da Lady Gaga, e me puxou para longe.
E eu fui, né, toda lerda, com uma puta sede... Até que ele me deu um agarrão e me beijou. Foi tão rápido que nem tive tempo de pensar que tinha gente me olhando e que eu estava sedenta, por isso o empurrei até ele se desgrudar de mim. Quando o fiz, ele foi em direção ao bar, e eu fui atrás. Como me beija e sai correndo? Eu hein!
- Pablo? - tentei. Ele fez que não. O garçom passou e peguei um copo de refrigerante, já que não ia ter cachaça, né... - Fernando? - ele fez que não. - Alejandro? - fiz a dancinha, nada.
Ele puxou a máscara e eu achei que tinham colocado bebida alcoólica na minha Coca. E cuspi todo o conteúdo da minha boca na cara dele.
- Não era bem assim que eu imaginava, mas oi. - passou a mão no rosto, enquanto eu ainda estava com aquela cara de burro quando foge. Pera, pera, espera um tiquinho!
- Aaai! - me belisquei.
- Que foi, machuquei você? - ele pôs as mãos nos meus braços. Pôs as mãos nos meus BRAÇOS! Se mata, ! Fiz que não com a cabeça. - Ah, que ótimo. - ele sorriu. - Oi.
- O-oi, o que você está fazendo aqui? - desculpa, não aguentei.
- Por que você está vestida como uma Soshi?
- Perguntei primeiro!
- Ah... - ele parecia arrasado. E eu! - Aquele dia, no aeroporto... - prendi a respiração. - Olha, você vai me achar muito maluco mas nos últimos tempos eu tenho tido sonhos estranhos... Com uma garota igual a você.
- Sonho?
- É, e eu comentei com o , porque ele também têm tido esses sonhos... mas só nós dois estamos, é muito estranho.
Ri. Ah, se ele soubesse!
- É besteira, não?
- Não, não é isso, é que aconteceu uma coisa... ah, deixa pra lá. - apertei meu rabo de cavalo. - Escuta, como você me achou aqui?
Nesse momento, o "Pânico " se aproximou, tirou a máscara e me olhou com uma cara feliz. Ergui as duas sobrancelhas.
- Oie! - fiz careta. - Oi, eu sou o !
- Oi, eu sou a Dori! - fiz e os dois riram.
- ... - fez uma cara estranha e pôs a mão no bolso, puxando uma mini agenda cor de rosa. - Você derrubou isso aqui no aeroporto, o manager pegou e fomos no hotel.
- É, a gente conhece a Lim, ela é legal pra caramba! - alguém pôs bebida pro ? Porque ele estava agindo como um otário, rindo abobado e parecia muito loopado...
- Daí ela nos contou o que aconteceu.
- Então vocês já sabem do que...
- Ah, sim, não liga, eu me senti até bem. - riu. - Eu sabia que já tinha te visto em algum lugar, mas não sabia onde.
- O que você sonhou?
- Ahn.. tinha frango frito, ELF's, a Torre de Seul, soju... Mas não lembro da ordem.
Nessa hora, dei graças de que a tenha sentido falta de líquido e tenha me procurado pra saber onde era a cozinha (não pergunte por quê, ela é meio tresloucada mesmo). A bichinha veio até mim rindo feito uma bêbada e foi quando percebi que devia empurrar o para ela. Dois bêbados de Coca Cola se mereciam. E foi o que eu fiz. Um ficou olhando pro outro antes de dizer "oi", ela gritou que era a Lilo, ele gritou que era o Stitch e saíram de braços dados pra dançar "Bad Romance"! Eu sabia que, lá no fundo, tinha uns parafusos soltos e que eles formavam um casal bem interessante. Ela gostava dele mas não "conhecia" ele, se é que você me entende. Enfim, eles foram dançar enquanto meus outros colegas K-Poppers tentavam voltar à realidade. Não é todo dia que um membro do Super Junior aparece numa festa de aniversário surpresa que você ajudou a tramar.
Mesmo que estivesse na minha frente, eu não conseguia fazer nada, só olhar para minhas unhas, procurando cutícula, e, com o cotoco da unha da outra mão, empurrá-la. Eu não tinha muita coragem de olhar pra frente, aliás, nem queria, porque né, tenta compreender minha situação!
- Desculpa... você sabe.
- Tudo bem. - tentei responder. - Ainda estou me acostumando com o fato de que você cruzou metade do mundo e está no meu aniversário.
sorriu de forma idiota. Rolei os olhos.
- E aí? Quantos shows vão ser?
- Shows?
- É, vocês não vieram fazer um show no Brasil? Tinha até votação na internet sobre quem viria e quase todo mundo votou em vocês...
- Ah... - ele coçou a cabeça. - na realidade, é só um, porque temos que voltar pra Seul até segunda.
- Cadê os outros meninos? - procurei. - Queria muito vê-los, principalmente o Zhou Mi, ele é tão le-
- Ficaram na Coréia. - cruzou os braços. - Olha, na realidade... eu vou te contar a verdade.
- Prossiga.
- Eu e viemos pra cá pra falar com os responsáveis, olha, o manager está ali! - o manager acenou pra mim, e ele parecia... estava vestido... aquilo era o Pocoyo? - É, eu sei, não é uma visão muito boa. - adicionou rindo, provavelmente ao ver a minha cara de nojo. - Como fomos o grupo mais votado, nos mandaram até aqui. 'Tá, eu me candidatei antes de todo mundo, e o disse que precisava vir junto também porque ele queria te conhecer. - olhei para a pista de dança e lá estava e . Pisquei.
- Bom, ele está conhecendo bastante o céu da boca dela. - riu. - Então vocês vão embora hoje?
- É, só que tem uma coisa... eu queria muito que você viesse com a gente.
QUE?
- Desculpa, - dei um sorrisinho. - por um momento achei que você tinha dito que eu fosse com vocês-
- Não, é sério. Tem como você vir conosco para Seul amanhã de manhã? - pisquei. - Ok, vamos esclarecer. Eu dei o seu nome no consulado e você está como "Relações" do nosso show. - começei a balbuciar. Como é que eles me colocam pra fazer esse troço? Eu não entendo direito dessas coisas todas, e mais, como o povo pode confiar em mim se eles nem me conhecem? - Por favor?
Ergui as duas sobrancelhas, passei a mão no rosto, observando a cara de cachorro perdido que estava me maltratando. Nesse momento, alguém me abraçou por trás e me beijou a bochecha. Era , e, apertando seu rosto contra o meu, perguntou se eu iria para a Coréia com eles.

Olha, eu posso cogitar essa idéia. Vamos partir do princípio que:
1 - Se eu tinha mesmo entrado para esse troço de show, bom, eu iria ter que entender como "funfa" essa coisa toda;
2 - Era me pedindo e me pedindo ainda mais. E todo mundo ao sul do Pólo Norte sabe que eu levo um tiro por ele. É sério;
3 - Eu iria fazer outra faculdade, com toda certeza, mas precisava escolher um curso sem meus pais ficarem me xingando ou brigando comigo 24/7;
Agora pensemos nos lados negativos:
1 - Eles são pessoas estranhas a mim, porque né, gosto, admiro, mas não conheço por completo;
2 - São vinte e duas horas dentro de um avião! Você acha que eu vou gostar de brincar de "De Volta Para o Futuro"? Sabe como isso afeta o seu metabolismo?
3 - Meus pais são chatos a beça, vão dizer que eu deveria estar preocupada em terminar meu relatório de estágio, abandonado há um ano.

Mas quando expus essas condições aos dois, parou de me abraçar e caprichou na carinha de Gato de Botas, era meio difícil dizer "não"; e de qualquer forma, ele apelou para o meu lado mais fraco: segurou minha mão, olhou nos meus olhos e disse "Por favor...". Bati no braço dele.
- Pare com isso! - fechei a cara. - Não é assim tão fácil, já falei!
- Mas o manager já está falando com os seus pais! - apontou e olhei para eles, meus pais tinham os braços cruzados, sinal certeiro de que estavam cogitando.
- Mas como eles estão conversando? Meus pais não entendem inglês muito bem.
- Ah! O manager hyung fala Português. - pisquei. - Português, Inglês, Alemão, Tailandês, Espanhol e Cantonês!
- Ele fala alguma língua animal também!? - perguntei. me virou para ele.
- Vem com a gente, por favor...
- Posso pensar?
- Você tem até cinco da manhã para pensar. Do contrário, vamos voltar e você nunca mais irá ouvir falar de nós!
Cocei a cabeça, porque era meio impossível, tente me entender: os caras são famosos!
Bom, no final de tudo, eles tiraram fotos com meus colegas, pegou o telefone da , e pra falar a verdade, eu não conseguia fazer muitas coisas com e me seguindo com o olhar. Meu irmão ficou meio desconfiado e, quando apresentei , essa desgraça me diz "Sou o irmão dela!" e meu irmão de verdade, que entende algumas patacas de inglês, me perguntou como assim. Soltei um sorriso sem graça e disse que tinha muito alcool na veia dele. deu de ombros e foi para o meio do salão, tentando dançar "Ragatanga" com a . Eu juro pra você, vou comprar um cd do Rouge e dar de presente pro , não é que o cara sabe?

Três horas da manhã. Estava jogada na minha cama, pensando no que havia me dito. No final da festa, ele me deu um abraço e um beijo na bochecha - aí já achei estranho!; e disse no meu ouvido que ele iria embora às seis e meia da manhã e queria que eu fosse junto. me arrancou de seus braços e me abraçou, dizendo que me amava e que não se divertia daquela forma fazia tempo. Por incrível que possa parecer, ele tocou no meu nariz como no meu "sonho", fingindo que o havia arrancado, dizendo que queria me ver feliz. E me abraçou, colocando um papel no meu bolso e dizendo que era o telefone dele. E que eu poderia ligar a qualquer hora que ele iria me atender. Perguntei para ele se eu ligasse e ele estivesse com dor de barriga. Ele disse que atendia o telefone no banheiro "enquanto descarregava o barro". Aff!
De qualquer forma, eu ainda estava deitada, sem sono, pensando nisso tudo. Meus pais tinham me dado um "vale verde", se eu quisesse ir, ok. Como estamos em um momento "não vamos brigar tanto", eles meio que me liberaram. Isso eu devo ao meu irmão (de verdade), que também abriu o verbo com eles. Acho que ele virou um irmão de verdade, agora.
Puxei o celular do bolso e olhei para a tela, provocando outra luz fraca no quarto, porque só o abajur do Pooh estava aceso. Lá estava uma mensagem do , ultra master fofo - como assim, me pergunto, porque ele me "conheceu" essa noite, e já estava me tratando com um amor que só vendo. Acho que é como diz uma pessoa muito querida, somos irmãos de alma. Acredito nisso. Porque quando ele estava aos berros na pista de dança, sabia que era hora de puxar todo mundo de perto e levá-lo para o banheiro. E é, vomitou de tanto que bebeu. Adoro essas pessoas.

"Estamos saindo do hotel. Por favor, quero vê-la novamente! Você é muito especial. "


Você também é muito especial, ...

.x.

Ergui a cabeça para o relógio: seis e vinte e cinco. Sentei de imediato, meu coração batia acelerado no peito e finalmente apertei os olhos, tentando me acalmar. Uma mão tocou a minha e eu abri os olhos:
- Sabia que você viria! - sorriu.
- Ela estava fazendo charminho! - secundou.
- Calem a porcaria da boca! - mandei, apertando os cintos. - Eu não acredito que peguei o carro do meu pai e consegui chegar inteira aqui.
- Isso mostra que sua carteira de motorista serve para alguma coisa!
- Desde quando sabe que eu sei dirigir? - passou os dedos nos lábios.
- Não sei. Intuição, talvez...
- Meus pais não gostaram nada dessa minha atitude! - estremeci. - Meu pai quase teve um piripaque quando liguei.
- Bom, isso não importa! - bateu na minha mão, entrelaçando nossos dedos e me deixando arrepiada. Meu coração voltou a bater forte. - O que interessa é que está aqui, indo para a Coréia conosco.
É, nem eu acredito...

.x.

Horas depois, aterrissávamos em Seul. Eu estava morta de cansaço e aquele barulho todo das fãs era como uma tremenda tontura. O manager me apertou em um abraço, porque minha cabeça estava doendo muito, e juntos entramos numa van com destino a sabe-se lá onde. Quando paramos em um hotel, senti o deja vu, mas estava com muito sono para reparar. Só quando ouvi o "zinha!" da Lim que eu percebi que estava no hotel que estivera antes. Abracei-a, mas me joguei na cama assim que deu.
No dia seguinte, me ligou bem cedo. Eu já estava acordada quando ele o fez e então o manager atendeu, dizendo que queria que eu ficasse pronta em meia hora porque precisava sair com eles. Bom, agora que eu conhecia e , queria me aprofundar mais em seus verdadeiros "eu"s e ajudá-los a não deixá-los perder a juventude.
Abri a porta da van quando paramos e estava pelo lado de dentro de um grande prédio. Saí correndo e tapei seus olhos, porque estava de salto e salto me ajudava a chegar um pouco perto de seu rosto.
- Adivinhe quem é!
- A minha irmã mais nova do outro lado do mundo! - quando ele virou, começamos a gritar e apertou minhas bochechas. A menina que estava ao seu lado fez uma cara... - Ah, Jessica, essa é a , a menina que te falei. - Jessica sorriu e me cumprimentou com a cabeça. Fiz o mesmo. - está lá dentro, disse pra você ir vê-lo quando chegasse.
me entregou um crachá e me ensinou a passá-lo. Quando me vi do outro lado, segui suas direções e bati na porta do final do corredor. As paredes eram pintadas de branco e a porta era de um azul escuro. Parecia porta de prisão, com uma entradinha pequena. Bati na porta novamente e ouvi um "Entre!". Empurrei a pesada porta e entrei em um tipo de sala de dança. estava sentado no chão, as pernas abertas como se estivesse se alongando. Me olhou através do espelho e me disse para tirar os saltos. Sentei no chão sem mais delongas, tentando tirar o sapato. Nunca mais usaria coisas desse tipo na vida.
- Só te chamei aqui porque mais tarde terá uma coletiva de imprensa e quero que você vá. - comentou, todo sério. Estava tão diferente que me deixou para baixo. Se queria ser grosso, ok, eu não conhecia mesmo. Vai ver só era como eu sempre havia sonhado. - E larga de ser estúpida.
- Como é que é? - pus as mãos na cintura. se levantou respirando fundo, como se estivesse sem saco; me virou e puxou um papel onde tinha "Sou idiota, ria de mim" em coreano. - Eu não leio coreano!
- Aprenda. Não quero ter que ficar falando em inglês com você o resto do tempo!
- Me agradeça, seu idiota! - rebati. - A prática leva a perfeição, já ouviu esse ditado?
- Vai ver por isso as garotas dizem que eu beijo bem! - ele riu. Cruzei os braços, estreitando os olhos. - Sou o que beija melhor, todas falam isso! - rolei os olhos. se aproximou, colocando uma mão na minha cintura e outra no meu rosto. - Você quer tentar?
- Tire suas mãos de mim, eu não pertenço a você! - apertei os dedos de sua mão direita, cedeu com cara de dor. - E procure na internet "Será", do Legião Urbana. Coloque um pouco de cultura na sua cabecinha!
Me virei em direção a porta, pegando os sapatos na passagem. Ainda tive tempo de ouvir um "Te vejo às dez!" antes de bater a porta.

Passei o dia muito mal. Por que ele estava me tratando daquela forma, como se eu fosse um objeto? Era ridículo. Eu era ridícula de gostar de um cara como ele. Mas ele parecia tão fofinho no avião, não soltou da minha mão por um minuto. Bom, também não, acho que ficaram com medo de eu fugir. Ah, sim, sou uma agente da Whoop ou trabalho para o Charlie, vou abrir a porta de emergência e pular!
Acho que eu não queria acreditar que tinha voltado ao status de "Garota Encalhada Procura" do início desse diário.

Garota encalhada procura:
Um cara simpático (), bacana (), inteligente, que tenha bom humor (). Ah, claro, que seja bonito. (!)
Que não seja mais baixo mas também que não tenha três metros de perna (), tenha um sorriso bonito () e que goste de mim do jeito que eu sou (!!).

O que me leva a crer que é minha alma gêmea?
Errado!
.. eu não sei explicar o que sinto por ele. Ele é simplismente uma das pessoas que eu mais amo nesse mundo, e bom, melhor eu calar a boca porque você não quer ler minhas brisadas.
E era um filho da mãe que estava me tratando mal. Vamos encarar os fatos, dona , não é nada do que você sempre sonhou. É grosso, panaca e convencido. Vai chorar na cama que é lugar quente, vai! Fica aí sonhando e escrevendo mil fics com o cara, se f**eu!

Às dez e vinte da noite (depois de um dia ultra chuvoso e frio, o qual passei dormindo e debaixo das cobertas - bem feito, !), entrei pelas portas do fundo de um outro prédio, bem mais alto que o outro, mas com paredes igualmente brancas. As portas eram meio marrom e eu de repente vi milhares de meninas de costas para mim; na frente delas, um vidro enorme! Pronto, já sabia onde estava. Dei meia volta, mas o manager acenou, mascando chiclete com o celular na mão.
EU NÃO QUERO SER DESTRUÍDA PELA MASSA!
- Sabe o que é, sr. Park, eu só tenho vinte anos, sou uma menina qualquer, encalhada e babaca, que não deveria estar aqui, eu só quero a paz mundial e uma barra de Diamante Negro, minto, pode ser Crunch, mas se vier com Trakinas de morango, tudo bem, melhor, traga com Coca Cola ou Guaraná, vocês não sabem o que é Guaraná, né, pode ser açaí, e-
- Ah, ela chegou! - o manager me empurrou para dentro do estúdio e fechou a porta. Arregalei os olhos, todas aquelas pessoas me olhando de forma assustada e sugestiva...
me puxou e eu sentei numa cadeira do lado do . Implorei por ajuda, mas ele só apertou minha mão e disse para responder tudo no 'sim'.
- Essa é a nossa amiga , ela é do Brasil! Gostando da Coréia?
- É.
- Se divertindo?
- É.
- Gosta do Super Junior?
- É.
- Está namorando com o nosso sshi?
- É!... O QUE?
HEIN?
Os meninos deram risadinhas e eu senti meu rosto queimando, minha nossa... só ria, segurando minha mão, e me mandou um beijo, do outro lado da mesa.
- Não, peraí, que história é essa de-
- , desde quando?
- Desde sempre, só foi preciso nos encontrarmos para percebermos o quanto éramos apaixonados.
- ISSO É MENTIRA! - berrei.
- Você beijou o sshi, ?
Mordi os lábios, observando uma menina baixinha que estava do lado de fora do vidro. Ela me olhava com uma cara que minha Nossa Senhora, meteu muito medo. pressionou, apertou minha mão.
- É... - confessei de cabeça baixa. Novas risadas. - Eu tenho direito a defesa, está na Constituição do meu país e na do teu país! - briguei. - simplismente me agarrou, foi do nada! - bati na mesa. - Queridas ouvintes, queridas ELF's fãs do - ele é um safado! Quando puder, vai te agarrar e te beijar a força... mesmo que possa parecer muito amoroso, segurando sua cintura e o seu rosto... e te dizendo que parece te conhecer há anos... e então ele chegará perto de você, e dará um último sorriso antes de fechar os olhos e dizer que te gosta... e beijará seus lábios como se fossem uma fruta delicada... e enquanto ele te beija, ele te abraça e você tem a certeza de que o tempo congelou... e quando você abre os olhos, ele novamente estará te olhando, sorrindo como uma criança maravilhosa e arteira... - suspirei. - é um filho da puta, amigas ouvintes. Tenham isso em mente!
- Se ser filho da puta é ser assim, eu quero um filho da puta que nem ele! - me fez olhar para ele pelo tom de voz, desejoso, cético, assustadoramente feminino - com o qual estava falando. As meninas do outro lado do vidro mordiam as mãos, com os olhinhos desejosos para seus membros prediletos. me observava do outro lado da mesa, a mão apoiando o queixo, sorrindo.
Fez-se um silêncio de morte, até que uma feliz alma resolveu colocar uma música qualquer. puxou meu celular e entregou ao manager, que conectou na primeira música da listagem: "Love", do FFK. Eu sei que foi essa música, porque eu escuto a bicha o tempo inteiro e elas são uns amores.
atravessou meio mundo e corpos grandes e sarados até parar na minha frente; se agachou na minha frente e sorriu. Sorri também.
- Você é um filho da puta, . - falei.
- Você é uma filha da puta, .
- Eu te odeio.
- Namore comigo.
- Eu... - desviei dos olhos dele para todo mundo - TO-DO-MUN-DO me olhando. As meninas do vidro. Os membros do grupo. Até a equipe da rádio estava me olhando. A menina baixa me olhava como "Se você não aceitar, te mato quando você sair daí.". - Err...
- Pode falar, eles vão saber mesmo. - deu de ombros. - Namore comigo.
Respirei fundo. Cruzo oceanos, falo meu inglês tremendamente ruim, meu coreano sofrível, choro, rio, deprimo, levo porrada, sou tratada mal, e está tocando uma música fofa das Wonder Girls ao fundo. Eu poderia simplismente não aceitar e ser odiada por todo o mundo, e voltar ao meu status de moça encalhada. Mas poderia aceitar e daí tudo iria mudar. Iria conhecê-lo melhor e descobrir sua verdadeira personalidade, iria bater nele sempre que quisesse e iria poder mudar meu status do Orkut/Facebook/Tumblr/Twitter/Cacete a quatro.
Abri meu maior sorriso ao bater na cabeça de . Ele reclamou. sorriu.
- Isso foi um "sim" na linguagem das GEP.
- O que é GEP? Parente do GAP? - rolou os olhos para .
- "Garotas Encalhadas Procuram", seu besta!
Rimos todos.
- Você vai me beijar? - ergui uma sobrancelha para . Ele pôs a mão no meu rosto.
- Pretendo.
se aproximou de mim, mas me afastei ao ver que todo mundo tinha mudado de posição, até o câmera, que tinha puxado o aparelho para poder gravar. Pareciam esperar alguma coisa de .
- Olha lá, ele sorri mesmo! - ouvi, antes de meu novo namorado me beijar.

Garota encalhada procurava:
Um tremendo babaca, nerd, hacker, que gosta de video games e dorme com meias coloridas. Um total loser que assiste filmes pornôs e dorme com um bichinho de pelúcia do Stitch; Um cabeça oca, teimoso, que só funciona na base da porrada.
Um ser humano maravilhoso, com um coração grande. Um docinho de brigadeiro, um lindinho, que entende minhas TPM's e não é gay, que sempre bate na minha porta com uma barra de chocolate contrabandeada, porque o manager me colocou de dieta. Um xuxuzinho, que assiste de perto meu debut como atriz e que não faz cara feia quando ensino português para ele.
Um cara como qualquer outro, com todos os seus defeitos e qualidades, que discute comigo toda hora e que me faz bater a porta na cara dele. Que tem o carinho mais gostoso, o abraço mais memorável e o beijo mais doce do mundo.
Ele existe e não é sonho dessa vez!
E não estou falando do Lautner. xP


FIM





Vou fazer um intensivão, "Como Escrever Fins Melhores", porque....\shora


~ Qualquer erro encontrado nesta fanfiction é meu. Por favor, me avise por Email ou Twitter. Dolphin. :x


• Dica: Comentem. Não demora, faz a autora feliz e a estimula a escrever cada vez mais. ♥



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